Este é um local de discussão de ideias úteis. É um local para exercitarmos a nossa cidadania através da expressão das nossas ideias sobre o fenómeno político nacional.
domingo, 19 de julho de 2009
Bem ou Mal: Ele Lutou
terça-feira, 14 de julho de 2009
E se Me Declarasse?
- a "engraxar", para um cargo ministeriável?
- a "lamber botas" para ganhar simpatias?
- a "puxar saco" do Edson Macuacua, para ele me "txunar" para "algo importante"? Ou
- simplesmente, a tomar uma opção consciente, dentro do direito que me assiste de o fazer?
- quando, e em que circunstâncias poderia eu estar a "engraxar," a "lamber botas," e/ ou a "puxar saco"?
- essas "qualidades" são apenas reveladas nos nossos posicionamentos no debate público ou nas opções que tomamos?
- a mamana de Chibuto, Erati, Machipanda, Buzi que se declare como eu, também estaria a "engraxar," a "lamber botas," e/ ou a "puxar saco"?
- qual seria a "ambição" dessa mamana? Um cargo político para si? para o seu filho?
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Os Meus Premiados
- a simplicidade da escrita;
- a objectividade;
- a verticalidade;
- o estilo
- os temas abordados; e...
- (o último é secreto).
- Amosse Macamo - Modaskavalo. Conheço-o a tão pouco tempo mas está catalogado entre os que considero meus amigos. Escrita simples denotando atenção sobre as coisas que descreve. Aliás, não seria de outra forma considerando que nos transmite para além das palavras, o sentido da riqueza do cancioneiro moçambicano. Compartilhamos a apreciação ao talento de Hortêncio, Arão Litsuri, João Cabaço, Mingas e outros embondeiros da nossa música; compartilhamos o desejo de ver moçambicanos a reconhecerem os seus clássicos, compartilhamos o amor pela vida e, se calhar, alguma boémia.
- PC Mapengo - Cartas a Moda Antiga. Compartilhamos o 13 de Outubro como data de nascimento. Mas não é só. Compartilhamos algum percurso de vida, sonhos. Para ele, mais do que um amigo, me sinto obrigado a ser o mais velho algumas vezes. Sou o de facto. É um eterno apaixonado, uma escrita fluída, simples, sem preciosismos. Mora nele um prosador com vestes de poeta. Tem algo de subversivo e acredita que o país já não tem "Xiconhoca", já escreveu um "Manifesto Político" e,um "Delírio" de querer versos no funeral. Estas facetas são localizáveis no seu blog.
- Alberto Nkutumula - Nero Kalashinikov. Há 10 anos começávamos juntos o percurso que, 5 anos volvidos, nos fez juristas. Mantemos contacto, respeito, amizade e companheirismo. Adoro a forma como aborda os temas; umas vezes agressiva, outras menos. Adoro as analogias que nos traz (a do embondeiro por exemplo). Admiro a perseverança, o nunca desistir e a insistência para que andemos um pouco para além do óbvio, para além do aparentemente conhecido e por uma postura sã no debate. Bem haja bro.
- Bayano Valy - Nullius in Verba. hibernou o Bayano, para muita pena minha; esclarecido, com uma escrita concisa e objectiva, clareza de ideias. Dizem que isso é impossível, mas é daqueles tipos que me agrada ler mesmo sem concordar com ele. Escrever bem é com ele. Espero que volte rapidamente.
- Nyikiwa Pedro - Pensamentos de Uma Preta Africana. Se parasse só no título já perceberiam a razão da distinção mas não seria suficiente. Se falasse do sorriso dela talvez, os que não a conhecem ficassem limitados, mas se falar dos temas que ela abora, aí sim. Pode ser que me entendam. Não acredito que ela se indisponha. Isso transparece no que escreve e no como escreve e na tipologia de assuntos com que nos brinda, de uma forma didática como se com cada palavra nos segurasse pela mão para nos mostrar a luz, o conhecimento. É disso, também, que gosto dela e lhe atribuo este prémio.
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Ponte Armando E. Guebuza
segunda-feira, 29 de junho de 2009
A Responsabilização (Porque Nunca é Demais Repetir)
Como cidadãos conscientes devemos nos bater pela responsabilidade e pela responsabilização. No caso em apreço,deve existir a imputação da responsabilidade pelo acto vil de ameçar outro cidadão de morte.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
O Caos Anunciado
terça-feira, 23 de junho de 2009
Um Povo Nunca Morre
A História de um país através do cinema
Um povo precisa de uma fonte de inspiração para sobreviver. Abrir a mostra de cinema dos Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, com filme retratando Eduardo Mondlane, poucos dias antes da celebração dos 34 anos da independência é homenagear um povo que teve de aprender a viver entre todas as dificuldades. É com esse filme “Um Povo Nunca Morre”, que percorremos a história de Moçambique, os seus heróis, a sua arte e terminamos com notas soltas sobre o cinema angolano. Para este artigo recorremos a discursos do Presidente da República, Armando Guebuza e entrevista com os actores Gilberto Mendes, de Moçambique, e Nguxi dos Santos, de Angola.
A história deve começar do princípio. No cinema nem sempre é assim, mas quase sempre volta-se ao princípio. No ano que se comemoram 40 anos de morte de Eduardo Mondlane, e dois dias antes de se celebrar 89 anos que os faria se estivesse vivo, a “I Mostra do Cinema e Audiovisual da CPLP” que está a decorrer em Maputo, voltou ao passado para fazer uma devida vénia à figura mais importante da luta armada de libertação de Moçambique.
“Um Povo Nunca Morre” é uma história que nos faz andar pelos corredores de um povo através de um homem que Armando Guebuza, Presidente de Moçambique, soube definir em Janeiro quando exaltava as suas qualidades, dizendo que foi uma pessoa que “levou uma juventude vulgar mas com uma visão extraordinária.”
Eduardo Mondlane veste essa capa de “unanimidade” e é resgatada por diferentes partidos políticos. Para além dos seus camaradas da Frente de Libertação de Moçambique, que olham para ele como a maior fonte de inspiração na luta contra um exército bem armado, PIMO de Yá-Qub Sibindy, procura recuperar a sua imagem como base para novas frentes.
Sibindy recorre a Mondlane para sugerir “uma trégua política” como forma de enfrentar um inimigo comum que curiosamente, já foi identificado pelo actual presidente da Frelimo e da República de Moçambique, Armando Guebuza que é a “pobreza absoluta”.
“Quando surgiu a consciência política, Mondlane fez ver que era preciso unidade. Nós também propomos que se use a fórmula Mondlane para vencermos o inimigo comum que é a pobreza”, defendeu Sibindy numa conversa que tivemos com ele, onde expunha a sua teoria de “triângulo de poder”.
O mesmo discurso é usado pelo Presidente da República de Moçambique, quando fala de auto-estima. Ele recorre a Eduardo Mondlane para o que já tínhamos definido antes como “inspiração.” Num país como o nosso que “precisa de correr” para atingir o desenvolvimento, os heróis vão funcionar como modelos de integridade e de luta. São exemplos daquilo que um povo deve ser. É esse o discurso de Armando Guebuza em todas as esferas. Ao longo do seu mandato procurou resgatar a imagem dos heróis esquecidos como Filipe Samuel Magaia e polir os que sempre estiveram visíveis nas prateleiras mas que só eram recordados nos feriados de 3 de Fevereiro.
Mondlane e auto-estima
O discurso de Guebuza na abertura da Conferência Nacional de Administração Pública sob o tema “Boas Práticas no Âmbito da Reforma no Sector Público” procurava demonstrar essa necessidade de “aprender de exemplos”:
“Este é o ano dedicado ao Presidente Eduardo Chivambo Mondlane, filho amado desta bela pátria de heróis, nacionalista irreticente e dirigente carismático que, com muita clarividência, forjou a unidade nacional, a consciência de moçambicanidade e o sentido de auto-estima.”
Com este discurso o PR procura lembrar que em pátrias como a nossa, onde constantemente se precisa lutar por um motivo para viver, nascem sempre heróis. Não só na luta armada como durante anos pareceu por serem aqueles “bravos jovens” a ocuparem espaço na cripta. Nos últimos tempos foram para aquela “casa” da veneração de espíritos comuns, figuras como o poeta José Craveirinha que “profetizou” um país livre, assim como o maestro Justino Chemane que soube cantar as glórias desta pátria.
Abrir um festival internacional de cinema com história de Eduardo Mondlane é lembrar que esta sempre começa do princípio se nos basearmos no discurso do PR:
“O Presidente Eduardo Mondlane também configurou a Nação moçambicana e deu conteúdo ao Estado moçambicano, logo no seu alvor, estruturando-o e conferindo-o uma direcção popular de servidor do nosso maravilhoso povo. O presidente Mondlane deixou claro, em palavras e actos, que esse Estado deveria ser servido por moçambicanos patriotas, íntegros e com comprovada entrega à causa de Moçambique e do seu brioso povo.”
“Um Povo Nunca Morre” vem lembrar que com a morte do guia, como eram muitos dos líderes da frente e Mondlane em particular, ele deve continuar. No entanto essa continuidade é dada com base na estrutura montada antes do desaparecimento físico do líder. Depois da sua morte ele serve de exemplo, de inspiração, como diz Guebuza, Eduardo Mondlane “configurou a Nação” e deu “conteúdo ao Estado moçambicano”. Não seria com a sua morte que o povo iria morrer.
O melhor exemplo é dado por uma canção muito interpretada até à primeira metade da década de 1990 pelas crianças da escola primária:
“Mataram Mondlane pensando que já venceram, Samora respondeu a luta continua…”
O documentário “Um Povo Nunca Morre” surge como uma homenagem a uma “pátria de heróis” que aprende sempre a sobreviver.
O exemplo de sobrevivência é também o cinema dos países africanos de língua portuguesa. “Um Povo Nunca Morre” foi o escolhido para a abertura da “I Mostra do Cinema e Audiovisual da CPLP” que, como disse o antigo governador da província de Gaza e director do Instituto Nacional Audiovisual e
Vento soprou de norte
Se “um povo nunca morre”, ele produz os seus próprios ídolos, heróis e arte. Ao longo dos 34 anos da independência, a arte de representar, teatro e cinema, lutar por conquista de um espaço. Começando já por um clássico do cinema moçambicano “Tempo dos Leopardos”, esta arte voltava a contar a história de um povo que teve de aprender a lutar.
“Tempo dos Leopardos” é muito mais que uma história de guerra, é uma história de vitória. O filme na altura que ainda levantávamos a bandeira do nosso orgulho que começou a se desenhar com o “Nó Górdio”.
É também no tempo em que se acreditava em tudo, que surge o filme “O Vento Sopra de Norte”, rodado em 1985 e estreado em 1986, que traz actores como Gilberto Mendes e Lucrécia Paco.
Ao olhar para esse tempo, Gilberto Mendes procura fugir de comparações e pautar pelos momentos na realidade que se vive hoje:
“Na altura o presidente era Samora Machel, e tu te davas ao luxo de sonhar tudo. Ele era homem de cultura, apadrinhava cinema, a arte, o desporto.”
Esse Moçambique ainda sentia “o vento de norte” e todos acreditavam que tinham algo para dar para que a revolução não morresse. E Gilberto Mendes sentia isso:
“Eu fazia parte da selecção de natação e ele (Samora Machel) privava com os desportistas. É por isso que tínhamos boa selecção de natação, é por isso que ganhávamos aos Camarões em futebol, é por isso que batíamos Angola
Tínhamos entrado com o actor para o campo de sonhos e para ele não era com um país assim que o vento da liberdade vindo de norte depois de sair de Dar-es-Saalam soprava.
“Não se sonhava com o país assim como está. Sonhava-se com um país equilibrado, sonhava-se que iríamos enriquecer juntos.”
No entanto os sonhos devem também ser contextualizado porque, como lembra Gilberto Mendes, “mudam-se os tempos e as vontades.” Quando Samora Machel morre o vento já soprava de Ocidente.
O país tinha que se adaptar à nova realidade. Joaquim Chissano assume o poder e assiste a queda do murro de Berlim e o fim da União Soviética. Condiciona o surgimento de uma imprensa privada e a arte, neste caso o cinema e o teatro, se perdem nessa onda de globalização. O país traça novas prioridades e novas políticas são definidas. Apesar de aceitar a nova realidade Mendes não concorda com a forma como é enfrentada:
“As políticas não podem ser definidas de forma ad hoc. Para a área artística, por exemplo “tem que se envolver os fazedores. Nesta mostra há muita gente que está descontente com o cinema.”
Contudo, a saída para demonstrar o seu descontentamento não se retira, pelo menos é o que pensa Mendes, pois “o Governo através do INAC, decidiu fazer qualquer coisa para que esta mostra fosse cá. O Governo fez seu papel e vai registar como algo feito.”
Segundo Gilberto Mendes é preciso que os fazedores do cinema se unam para travar uma guerra comum. Participando “nestes eventos você aproveita fazer contactos.”
Se Samora Machel, para Gilberto Mendes, apadrinhava a arte e o desporto, os dois últimos presidentes de Moçambique, assumiram uma outra postura.
“Samora apoiava o cinema, Chissano privatizou as salas e Guebuza quer trazer cinema de volta”.
Filmar guerra para esquecer a dor
O actor Nguxi dos Santos diz também que o cinema deles ainda tem a guerra como a base, não para lembrar as suas maldades mas que fique claro que “nunca mais haverá guerra
A guerra, segundo Nguxi está sempre presente e deve ser vista também como responsável pelo atraso do cinema angolano.
“Metade do orçamento foi para a guerra. Não podemos fugir disso e nem fazer tabu.”
No entanto, há uma certeza “nunca mais haverá guerra em Angola porque a paz foi feita por angolanos”.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Estive Numa Gala
O Hortêncio e o Arão voltaram ao palco. Cantaram a esperança numa música composta, segundo o Hortêncio, em 1977 quando muitos países de África não estavam ainda independentes. Eles cantaram a esperança de que esses países hasteariam a bandeira e se afirmariam no plano das nações tal e qual Mondlane tinha sonhado para Moçambique já independente. Hoje, contextualizando, interpreto aquela música como a esperança de dias melhores para todos nós. Eu tinha chegado ao Céu, ou estava muito perto. As 3 vozes masculinas que mais admiro no panorama musical moçambicano estavam ali, a minha frente, cantando juntas... se não fosse o ambiente das galas... e eu estav numa gala. Numa verdadeira gala.
Estava numa gala homenageando um homem que teve o mérito de dizer aos jovens do seu tempo: "não podemos lutar divididos, assim estaremos enfraquecidos. Unamo-nos para combater eficazmente o inimigo comum."Os jovens do seu tempo perceberam a mensagem. Hoje somos independentes, pelo menos politicamente. E nós jovens de 2009, século XXI, essa mensagem não nos diz nada? Continuamos cada um na sua trincheira enquanto os desafios de acesso ao emprego, habitação e outros pesam sobre nós?
A Gala continuou. Ouvi e vi o Dua cantar sobre a irmandade. Ele nos convidava para essa irmandade. Deviámos trazer mais amigos, mais gente, mesmo que não fosse do nosso bairro para aquela irmandade. Só visto. Era uma vez uma Gala a que eu presenciei.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Renovando Herois - Renovando Desafios (2)
O exercício que proponho (difícil é verdade, mas o que não é difícil em Moçambique?) é olharmos para essas figuras e questioná-las: quem és Magaia? Que feitos são te atribuidos que te tornam NOSSO herói? Que lições tiramos desses feitos seus, NOSSO herói, para os desafios do momento?
Penso que assim, podemos encontrar muitos pontos inspiracionais para os desafios de hoje e de amanhã. Se calhar, será desse exercício que encontraremos novos critérios para determinarmos quem, nos dias que correm, pode ser herói deste país, NOSSO herói portanto.