segunda-feira, 31 de agosto de 2009

MAIS PALAVRAS? - NÃO HÁ ESPAÇO


Ser o mais novo de uma família de 6 cujos pais celebram, próximo fim de semana, 50 anos de casado, retirou-me a chance de estar em Marracuene a festejar os 10 anos desde que os integrantes da turma 99/2000 da faculdade de Direito da UEM, se juntaram pela primeira vez.

A Isa, mesmo sem merecer, copiou-me no email da retrospectiva. Fez me sentir lá e, ao mesmo tempo, accionou o alarme da notalgia de não ter lá estado. É por isso que trago esse email aqui, com meus edits, é claro.

A Foto diz tudo, não há espaço para mais palavras.

Eis o email da Isa (amiga desculpe a inconfidência):

Caros amigos

Espero que todos tenham chegado saos e salvos a casa e que tenham gostado do reencontro.

Queria partilhar as poucas fotos que tenho da festa.

Foi muito bom termos estado juntos e termos revivido alguns dos bons momentos que passamos durante o tempo de faculdade.

Lidia parabens, estava tudo muito bonito e bem organizado. A comida tambem estava muito boa.

Mutisse, que se passou? (creio que está respondido - e desculpas a todos)

Nkutumula-O Criminalista, tenho q reconhecer que conseguiste imitar muito bem os professores.

Hugo (Pensaste que enganavas o Menete, heheheehh), qual foi a cena ali no contrle, que nao percebi? hehehehe

Lidia, aquela do teu filho foi uma surpresa e tanto....

Kaina, teu filho quando crescer estas mal! Muitos pais vao ter que comprar cacadeiras, hehehehe (eu já comprei)

Os nossos juristas regionais do INSS, ha quanto tempo (espero ter dito bem).

Luis, o amigo do Eugenio (que tal o pneu? Espero que nao te tenha dado trabalho)- eu nunca tive prova de amizade como a vossa heheheh

Esperanca (e o seu esposo), Manuela, Ana Paula (Afinal? heheheheh), Célia (Unica magnifica presente), Vania (da turma 2000), Camilo, Helder, Ivo, Justo, Siuta (atrasado mas nao faltoso), Cangela, Izildo,

Helio, nao aguentei com aquela tua teoria do Whisky, heheheheh...

Stayler, e se os tipos estivessem naquela outra via e nao tivessemos tempo de parar para eu passar para o teu carro? Iamos todos tentar salvar a situacao como aconteceu no controle, ne? heheheeh.

Espero nao me ter esquecido de mais ninguem.

Epa, queria continuar a dizer mais, mas quero anexar as outras fotos.

P.S. Ja tenho saudades do proximo encontro, heheheh
Quando sera? Hugo que tal sugerires uma data?

Bjks a todos e uma excelente semana

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Política de Habitação

"Os jovens reclamam habitação!" Tem se dito muitas vezes. Até parece um slogan. Meia volta, falamos da necessidade de definição de "políticas" para habitação e, inclusive, sugerimos que se fomente a construção de habitações de qualidade a baixo custo.

Mas será que temos plena consciência do que seja uma "política de habitação"?

Temos alguma vaga ideia sobre como seria essa "política de habitação"?

Ao pensarmos na "política de habitação," quando do Portal do Governo tomamos conhecimento de que o Ministério das Obras Publicas e Habitação (MOPH) anunciou que estava em preparação a extinção da APIE e que, para aquele organismo governamental, a extinção desta instituição deverá acontecer até 2010, com a conclusão do processo de alienação das dez mil casas que ainda pertencem ao Estado, devemos nos perguntar de que forma, sem património, o Estado poderá garantir habitação no contexto dessa política habitacional, sabido igualmente que os maiores investimentos do Estado em infra-estruturas se concentram nas estradas, pontes etc? Estaremos a pensar na "política de habitação" alicerçada no sector privado? Estaremos a pensar na possibilidade de Empowerment do Fundo de Fumento da Habitação? De que forma?

Na verdade, presumo que, neste assunto, como em muitos outros, mesmo nós jovens que reclamamos da necessidade dessas políticas ainda não parámos para pensar no que seria e na forma como, eventualmente, essa política se tornaria exequível.

É verdade que temos o Fundo de Fomento da Habitação mas... qual é a sua capacidade no fomento dessa habitação para responder à crescente demanda? Como é que, no contexto da alienação dos actuais imóveis do Estado, se está a pensar o fomento da habitação acessível ao mais pacato dos jovens?

Será possível uma política de habitação com o Estado completamente despatrimonializado e sem capacidade para fomentar ao rítmo desejado habitação para todos?

Como se perspectiva a intervenção do Estado despatrimonializado no âmbito desta política habitacional que almejamos? Actuará o Estado como:
  • regulamentador estabelecendo tectos mínimos nos arrendamentos privados?
  • regulamentador no estabelecimento de normas mínimas em matéria de habitação?
  • fomentando (através do FFH) para fornecimento, em aluguer, de habitação de carácter social? Até que ponto? Com que capacidade? Recorrendo aos fundos do INSS como em alguns países?
Estas vias já foram usadas na Europa ao longo do último século. Serão exequíveis no nosso contexto?

São conhecidas as limitações orçamentais do nosso Estado inclusive para fazer face a sectores chave como a Educação e a Saúde; que abordagem deve haver desta questão para que não percamos tempo em debates inconclusivos que darão numa política inexequível que virá, mais uma vez, vergar os ombros de quem nela depositar alguma esperança?

Existirá algum estudo sistematizado e consultável que possa ser aproveitado pelos empreendedores do sector imobiliário para começarem a construir condomínios/habitações de baixo custo suportáveis para a maioria de nós?

Falo de pesquisas em materiais, técnicas e sistemas de construção aplicáveis à habitação de baixo custo.

Não estou com este meu cepticismo e dúvidas a sugerir que joguemos a toalha ao chão. Longe de mim. Este será, de certeza, um dado que será lançado para a nossa análise durante a campanha eleitoral que se avizinha. Aliás, mesmo sem campanha, a necessidade de fomento da habitação, a necessidade de políticas é visível mas, é necessário que nos concentremos a pensar na capacidade de executar essas políticas que o nosso Estado tem (ou não tem).

É verdade que tudo isto é extremamente contraditório e constrangedor num momento em que o número de "sem casas" cresce a olhos vistos e que vamos assistindo e tomando consciência de que é preciso erradicar a miséria e, inclusive, propiciar abrigo aos desabrigados.

Num contexto como o que um dos canais de TV nos deu há dias dos jovens que encontram abrigo na "Praça da Paz" a discussão do problema habitacional tornar-se um imperativo. A crescente ocupação de espaços como o referido na "Praça da Paz" e similares para moradia é um indicativo de que a questão da habitação de interesse social tem que merecer algum enfoque em todos os seus níveis, dentro dos condicionalismos e capacidades do país.

Neste contexto é preciso, pois, produzir ou, se é que existe, resgatar a informação sobre a tecnologia para a habitação de baixo custo, para que, no último caso não nos coloquemos na situação de inventar a roda, desperdiçando tempo e dinheiro.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Temas de Campanha

Gonçalves Matsinhe, na sua coluna "Politicando" do Jornal "Escorpião" desta semana, escreveu sobre os temas que devem dominar a campanha eleitoral.

O discurso de Afonso Dhlakama que as TV's publicitaram ontem fez me pensar no que o Matsinhe escreveu e me disse ao telefone; tal como ele espero sinceramente, sinceramente, que as armas de arremesso usuais nestes períodos de campanha sejam as verdadeiras ideias (ou a falta delas), os projectos políticos de cada partido para fazer a pérola do índico um país em que, tal como o colonialismo, a pobreza passou a história.

Tal como o Matsinhe, espero que os tempos de "antena" e de "entretenimento" nas campanhas não sejam dominados por:

  • Homens armados da renamo em Maringue e Cheringoma;
  • Uso de meios do Estado;
  • Acusações sobre corrupção;
  • Patética afirmação da idade de cada candidato;
  • Aliciamento de funcionários públicos para determinado partido etc.
Os partidos e/ou candidatos a Presidente da República, devem ter a capacidade de ultrapassar estas questões que são afirmadas desde as eleições de 1994, apresentando formas de corrigir ou propostas concretas de como podemos fechar estas páginas.

Matsinhe afirma que "nnum país em que os jovens apelam por uma política habitacional realística, ainda não discutimos os critérios e os modelos efectivamente aplicáveis a nossa realidade." Matsinhe acrescenta que "ainda não falamos do fomento da habitação de qualidade mas de baixo custo que seria uma das saídas viáveis tendo em conta as nossas limitações."

Para Matsinhe o mesmo é aplicável quanto às questões de emprego; o ideal é aumentarmos emprego. Para ele, "quando os políticos lançarem estes números e prometerem dar empregos a todos é necessário que sustentem esse osso com um pouco de carne para nos pôr ocupados a pensar e a degustar essa ideia. Como aumentar empregos? Que áreas oferecem maior possibilidade de aumentar empregos? Que políticas devem ser tomados em conta para o efeito? Que reflexo tem a recorrência no nosso contexto económico de investimentos de CAPITAL intensivo ao invés de investimentos em MÃO DE OBRA intensiva?"

Haverá capacidade nos concorrentes a tudo para discutir estes assuntos com propriedade?

Serão os nossos partidos e candidatos capazes de nos presentear com discussão de questões prementes de economia, políticas legislativas, habitacionais, financeiras etc?

Que alternativas nos restam de, faltando esta capacidade, forçarmos que os nossos enseios sejam discutidos na campanha?

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A Voz da Juventude

Quando, há dias, quase sufoquei o Shirangano com perguntas sobre o que ele pensava de estruturas como o CNJ, ARO, OJM e outras J partidárias, tinha em mente produzir uma reflexão (na esteira do mais polémico e ridículo "debate da nação") sobre estas organizações e o que, idealmente, em minha opinião, elas deveriam representar.

Porém, a medida que ia escrevendo, fui sendo assaltado por dúvidas e mais dúvidas relativamente aos pressupostos de que partia na minha reflexão e decidi parar. E parei mesmo.

Mas não podia simplesmente parar. Tinha que cá vir e perguntar:

Estrutural e organizacionalmente, o CNJ e outras organizações juvenis (incluindo as partidárias) têm:

  • capacidade para serem, junto do Governo e outros parceiros, interlocutores válidos em relação aos assuntos da juventude?
  • capacidade para auscultar os reais anseios da classe que, potencialmente, representam? De que forma auscultam essa classe?
  • capacidade para definir agendas realísticas sobre os anseios da juventude moçambicana na actualidade?
  • abertura suficiente para serem interpeladas?
  • capacidade negocial ou jogo de cintura para imporem as suas ideias e visões sobre os anseios da classe que representam?
  • noção das condicionantes de a principal fonte de financiamento ser o ente com quem temos que nos bater para a prossecução da nossa agenda?
A medida que estas perguntas me assaltavam, fui sendo assolado por um sentimento pessimista que não podia, de forma nenhuma, desxar que tomasse conta de mim. Por isso vim aqui.

Tranquilizem-me.

Mutisse

terça-feira, 28 de julho de 2009

Temos Identidade, Sim

As trapalhadas mcrogerianas no último "debate da nação" não páram de inundar a minha caixa de correio ou de me chgar via Youtube.

É realmente preocupante que um debate no qual nós, jovens, devíamos discutir o nosso papel e ideias para a melhoria das condições de vida do país seja retratado do jeito que este tem sido retratado.

Infelizmente não vi o debate. Ocorreu numa semana má, porém pergunto:

  • deverá a nossa juventude ser rotulada em função das trapalhadas mcrogerianas?
  • deverá essa patética figura reflectir, como se tenta fazer, a natureza, carácter e posicionamento dos jovens em Moçambique?
  • é justo que a nossa classe (jovem) seja vista, classificada, rotulada e arigimentada em função (apenas) das patetices de alguns jovens que estiveram naquele programa?
  • porque não se promove MAIS os posicionamentos que possam ser considerados sensatos de pessoas que estiveram lá preocupadas em debater ideias e nos intoxicam permanentemente com as patrãonisticamente trapalhadas de MC Roger?
  • porque não trazemos a debate o que possa ter sido dito por V. Mondlane, Custódio Duma, Azagaia, Gilberto Mendes e outros jovens com alguma massa cinzenta prezentes naquele debate?
Concordo com a Liya dos Anjos quando diz que "Os que fazem e cantam músicas de merda são uma minoria nesse país do mesmo jeito que existem em todo mundo, um grande grupo de oportunistas que não definem o povo batalhador que nós somos" e como ela, também, Sim, sou orgulhosamente Moçambicano!

Adenda: PC MAPENGO DISSE: Gente como MC existe porque nós os damos espaço. Existe porque a cada mesmo passo que dura há 10 anos, como diz Niyki é aplaudido; ocupa longos espaços nas TV para divulgar os seus fatos italianos.

Começando pelo debate em que participou, como é que ele foi parar lá? Alguém o convidou e quem o fez sabe que MC não é um ser de surpresas e queria que ele desempenhasse exactamente aquele papel; como diria o músico Kazuza “faz parte do show.”

Quando uma figura que é muito imitada por crianças e aplaudida por adultos, inclusive muitos que andam a o criticar em publico, faz um esforço para adulterar a história não sei se o ignorar é a melhor saída. Mas acho que não é. É preciso fazer algo para que não comprometa uma geração. Podem dizer que ele sozinho não tem esse poder. Olhem que tem. É tão claro que o microfone é um grande aliado de mentes violentas. E ele tem acesso ao microfone.

Jorge Saiete sugere que deixemos MC e olharmos para as próximas eleições. Para a nossa desgraça, teremos uma maioria de candidatos que só se diferem de MC porque não cantam e nem dançam em publico mas têm a mesma capacidade de dizerem coisas sem sentido quanto ele.

Quando um candidato a presidente da republica aparece na TV a dizer que não o deixam entrar enquanto só atrasou 2 minutos o que significa? Quanto valem 2 minutos na vida de um país?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A Nossa Polícia

Sábado, 5 horas da manhã, pego estrada com destino a Xai-Xai para participar na deposição de flores onde descansa o "guerreiro" (como o descreve PC Mapengo no "Escorpião" desta semana), e "resgatar" a minha esposa que permaneceu por aquelas bandas após o funeral do velho.

À partida, certifiquei-me de tudo: luz das escadas acesa, porta bem trancadinha etc.

O calor humano, a presença de familiares, amigos, vizinhos colegas de trabalho etc, ajudaram a espantar o ambiente fúnebre e a descontrair as pessoas. Foi pois num ambiente descontraído que, numa coluna de 3 carros, nos fizemos a estrada de regresso a Maputo com passagens por Manjacaze/Mazucane.

Foram 256 KM de paz, calma, animação, muita conversa em cada ponto onde decidíamos parar.

O pior estava reservado mesmo para o fim para a nossa chegada a casa. Enquanto retirava do carro as coisas que trazíamos, a filha da minha sogra subiu para casa (é lógico que com as coisas mais leves) e volta ofegante "me acusando" de ter deixado a porta de casa ABERTA.

Não era possível. Tranquei a porta - expliquei. "Então como é possível que a porta esteja aberta agora?"

Acho que ao fazer esta pergunta, ela se recusava a aceitar o óbvio. A casa havia sido assaltada.

Levei o que já tinha tirado do carro e subi para confirmar: porta arrombada, discos, livros, documentos espalhados pela sala; roupa desarumada no nosso quarto, gavetas das cabeceiras viradas ao avesso. Não restavam dúvidas, durante a nossa ausência fomos "visitados" por gente sem escrúpulos que teve a ousadia de profanar o meu local sagrado - o meu quarto - tomando-me por alguém que ainda guarda dinheiro debaixo do colchão ou local que se assemelhe.

Fui a polícia comunicar o sucedido. Não havia efectivo. O homem que me atendeu acompanhou-me a casa e fez o levantamento do que tinha sumido. Nada de perícia, nada de tentar encontrar pistas ou algo que nos conduza ao autor de tão vil acto.

Voltamos para a esquadra, foi emitido um auto de ocorrência e, por fim, foi me recomendado que me apresentasse à esquadra na "segunda-feira" a partir das 10 horas, isto é, a Polícia de Investigação Criminal vai entrar em acção depois de eu repôr as fechaduras, dar um jeito na porta, arrumar a sala, o quarto varrer etc já que, é humanamente impossível ficar na casa no estado em que os gatunos a deixaram.

Fiquei espantado com este método. Não sei porquê mas espantei-me de verdade. Saí dali mais chateado ainda mas consolado com a sinceridade do Estado que, na prática me disse: "não vamos fazer nada, não alimente esperança de encontrarmos o ladrão nem de recuperarmos os seus CD'S, DVD's, aparelhagem, computador e os 45 Meticais tirados do amealheiro das suas filhas, ou qualquer coisa que venhas descobrir que foi retirada."

Agora faço contas de comprar outras coisas. Aquelas se foram. Não tenho esperança nem que se saiba quem foi que seria um serviço para a comunidade que passaria a saber quem são os elementos nefasros na nossa sociedade.

Mas a vida continua, nquanto houver saúde outras coisas virão.

domingo, 19 de julho de 2009

Bem ou Mal: Ele Lutou

Confesso, a primeira vez que entrei em sua casa para o conhecer fiquei intrigado e, de certa forma, apreensivo. Que homem seria esse que, à entrada da sua casa, orgulhosamente escreve: "Bem ou mal, mas lutei"?

Sabia do seu passado militar, sabia dos feitos que lhe são atribuídos. Nesse ano os jornais, a TVM trouxeram-no à ribalta para falar do Nó daquele general português que pretendia estrangular a FRELIMO em dias, que foi desatado sob suas ordens.

Esperava encontrar um homem com uma postura tipicamente militar. Ríspido. A foto de parede tirada em trajes militares patente na sala de visitas só ajudava a cimentar essa imagem. Enganei-me.

O homem que conheci era bem diferente dessa imagem: simples, afável, ponderado e de uma lucidez intelectual de fazer inveja. Falava pausado como que a medir cada palavra que dizia, como que a querer certificar-se de que era compreendido.

Ficamos amigos. Era meu pai também. Dizia que sogro é algo distante. Falávamos muito. Tinha orgulho do seu passado. Podia ter ficado à sombra do regulado do seu pai que era respeitado e temido em Gaza, mas preferiu juntar-se ao movimento que seu tio fundara e, tal como esse, lutar por Moçambique.

E lutou.

Se calhar hoje perceba a dimensão de "Bem ou mal, mas lutei."

Nos últimos dias vinha lutando contra um cancro. Há de ser a única batalha que o derrubou. E derrubou-o do facto.

Pouco antes das 12 horas de Domingo dia 19 de Maio, na Clínica especial do HCM, o médico anunciava que Cândido Jeremias Mondlane já não pertencia ao mundo dos vivos.

O maldito cancro derrubara o Major General (na reserva) Cândido Jeremias Mondlane.

Que descanse. Ele merece.

terça-feira, 14 de julho de 2009

E se Me Declarasse?

A propósito de "Escovinhas" VERSUS "Apostolos da desgraca"e de Apóstolos da Desgraça, Lambe Botas e Puxa Sacos: Quem os Cria? , e do período eleitoral já iniciado, ocorreu-me fazer este post, qual menino apaixonado por "aquela" menina que ninguém conhece e/ou imagina. Aquela menina que muitos outros querem e alguns repudiam...

E se dissesse que nas eleições que se avizinham apoiarei, de corpo e alma, a FRELIMO estaria:

  1. a "engraxar", para um cargo ministeriável?
  2. a "lamber botas" para ganhar simpatias?
  3. a "puxar saco" do Edson Macuacua, para ele me "txunar" para "algo importante"? Ou
  4. simplesmente, a tomar uma opção consciente, dentro do direito que me assiste de o fazer?
Sendo a 4 a resposta certa,

  • quando, e em que circunstâncias poderia eu estar a "engraxar," a "lamber botas," e/ ou a "puxar saco"?
  • essas "qualidades" são apenas reveladas nos nossos posicionamentos no debate público ou nas opções que tomamos?
Sendo qualquer das outras respostas a favorita,

  • a mamana de Chibuto, Erati, Machipanda, Buzi que se declare como eu, também estaria a "engraxar," a "lamber botas," e/ ou a "puxar saco"?
  • qual seria a "ambição" dessa mamana? Um cargo político para si? para o seu filho?
É possível ver as opções pro ou contra a FRELIMO fora do quadro do "apostolar da desgraça", "engraxar," "lamber botas," e/ ou "puxar saco"?

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Os Meus Premiados

A Nyiki agraciou-me com o prémio "Lemniscata" pelos " temas ricos e profundos" que abordo. Agradeço novamente aqui. Como foi anunciado, cada um deve indicar os seus premiados. É a minha vez. Não vou indicar 2 ou 4 como fizeram outros, são 5 e um prémio surpresa. A ordem é meramente alfabética.

Antes os meus critérios:

  1. a simplicidade da escrita;
  2. a objectividade;
  3. a verticalidade;
  4. o estilo
  5. os temas abordados; e...
  6. (o último é secreto).
Prémio "Lunáticos Românticos Júlio Mutisse 2009"

  • Amosse Macamo - Modaskavalo. Conheço-o a tão pouco tempo mas está catalogado entre os que considero meus amigos. Escrita simples denotando atenção sobre as coisas que descreve. Aliás, não seria de outra forma considerando que nos transmite para além das palavras, o sentido da riqueza do cancioneiro moçambicano. Compartilhamos a apreciação ao talento de Hortêncio, Arão Litsuri, João Cabaço, Mingas e outros embondeiros da nossa música; compartilhamos o desejo de ver moçambicanos a reconhecerem os seus clássicos, compartilhamos o amor pela vida e, se calhar, alguma boémia.
  • PC Mapengo - Cartas a Moda Antiga. Compartilhamos o 13 de Outubro como data de nascimento. Mas não é só. Compartilhamos algum percurso de vida, sonhos. Para ele, mais do que um amigo, me sinto obrigado a ser o mais velho algumas vezes. Sou o de facto. É um eterno apaixonado, uma escrita fluída, simples, sem preciosismos. Mora nele um prosador com vestes de poeta. Tem algo de subversivo e acredita que o país já não tem "Xiconhoca", já escreveu um "Manifesto Político" e,um "Delírio" de querer versos no funeral. Estas facetas são localizáveis no seu blog.
Prémio "Vem Ai o Buldozer"

O único nomeado e premiado é o meu amigo Egídio Vaz do Contrapeso 3.0. Homem de convicções fortes. Vejam só, afirma de viva voz que a Sociologia Não é Ciência (prometeu elaborar sobre isso, juntamente com o outro premiado que anuncio abaixo). Tem uma escrita agressiva mas leal. Quando inspirado é fogo: leia-se Pães políticos e sanduíches discursivas e, sobretudo, Para que não seja cúmplice para atestar do que digo. É um tipo porreiro de se conviver, companheiro indispensável para qualquer tertúlia. É um tigre que só tem que perceber que está bem como tigre, consolidar o seu espaço, sem se preocupar com outras ferras.

Prémio "Ideologia, Conhecimento e Discurso Legitimador"

  • Alberto Nkutumula - Nero Kalashinikov. Há 10 anos começávamos juntos o percurso que, 5 anos volvidos, nos fez juristas. Mantemos contacto, respeito, amizade e companheirismo. Adoro a forma como aborda os temas; umas vezes agressiva, outras menos. Adoro as analogias que nos traz (a do embondeiro por exemplo). Admiro a perseverança, o nunca desistir e a insistência para que andemos um pouco para além do óbvio, para além do aparentemente conhecido e por uma postura sã no debate. Bem haja bro.
  • Bayano Valy - Nullius in Verba. hibernou o Bayano, para muita pena minha; esclarecido, com uma escrita concisa e objectiva, clareza de ideias. Dizem que isso é impossível, mas é daqueles tipos que me agrada ler mesmo sem concordar com ele. Escrever bem é com ele. Espero que volte rapidamente.
  • Nyikiwa Pedro - Pensamentos de Uma Preta Africana. Se parasse só no título já perceberiam a razão da distinção mas não seria suficiente. Se falasse do sorriso dela talvez, os que não a conhecem ficassem limitados, mas se falar dos temas que ela abora, aí sim. Pode ser que me entendam. Não acredito que ela se indisponha. Isso transparece no que escreve e no como escreve e na tipologia de assuntos com que nos brinda, de uma forma didática como se com cada palavra nos segurasse pela mão para nos mostrar a luz, o conhecimento. É disso, também, que gosto dela e lhe atribuo este prémio.
Prémio surpresa, "Prémio Teimosia"

O teimoso que merece este galardão já não BLOGA. Retirou-se temporariamente. Elísio Macamo - Ideias Críticas. Vai para ele pela sua insistência num debate coerente de ideias. Pela sua insistência, muitas vezes incompreendido, na ideia de que devemos, antes, identificar eficazmente o problema pois, muitas vezes falamos, berramos, sem termos bem assentes as premissas claras que sustentem os nossos argumentos, derivado do conhecimento deficitário do problema que supomos estar a discutir.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ponte Armando E. Guebuza

Não tenho dúvidas que o país assumiu uma nova dinâmica desde 2004. Não ponho em causa muitas coisas positivas ocorridas nestes 5 anos e das boas sementes lançadas na governação do Presidente Armando Emílio Guebuza, para o futuro. Mas tenho dúvidas quanto a questão relativa a atribuição do nome do actual Presidente à ponte sobre o Zambeze.

Repito, não ponho em causa os méritos da liderança governativa de Armando Emílio Guebuza. Aliás, enalteço-os. Quando olhamos o processo de descentralização, o protagonismo dado aos distritos, as projecções do crescimento macro-económico, o crescimento do valor dos investimentos mesmo em época de crise etc., não podemos ficar indiferentes; é sinal de que há trabalho bem feito pela actual equipa que tem como líder Armando Emílio Guebuza.

Os moçambicanos sabem, como sempre souberam, enaltecer aqueles que fazem bem. Saberão, olhando para o passado, o presente e as perspectivas de futuro, enaltecer os méritos da governação de Guebuza e criticar construtivamente os erros cometidos nestes cinco anos, a bem do nosso crescimento e aprendizagens.

Mas a ponte... a ponte... aquela ponte representa o sonho de gerações de moçambicanos, o materializar desse sonho que cruzou teimosamente a governação de Samora, Chissano até Guebuza. Para mim, e acredito para muitos, simboliza o encontro, o dar de mãos dos moçambicanos de todas as regiões do país.

Guebuza é o actual Presidente da República e, espero, renovará o mandato este ano. Segundo reza a Constituição da República, o Presidente da República é o Chefe do Estado, simboliza a unidade nacional, representa a Nação no plano interno e internacional e zela pelo funcionamento correcto dos órgãos do Estado.

Para mim a dimensão e o simbolisto daquela ponte, deveria ultrapassar a figura do actual chefe de estado, símbolo da unidade nacional. A dimensão daquele empreendimento devia, quanto a mim, ultrapassar a necessidade de homenagear Mondlane, samora, Chissano e/ou Guebuza.

Aquele empreendimento deveria, quanto a mim, receber o nome que reflicta a sua importância para os moçambicanos no geral, que ultrapassa de todas as formas, a importância que, neste momento, atribuimos ao PR Guebuza com todos os méritos reconhecidos da sua governação.

Na fase dos sonhos, falamos da ponte como a ponte da unidade nacional cujo símbolo actual é, de facto, Armando Guebuza. Daqui há 15 anos confiaremos noutro moçambicano que simbolizará a unidade nacional, bem maior a preservar.

Tenho fé que veremos aquela ponte como simbolismo da unificação do sul, centro e norte do país e não deixaríamos de reconhecer o mérito a Guebuza e sua equipe que, durante estes cinco anos, conseguiu garantir a boa execução da obra e a sua conclusão atempada. Isso ninguém retirará a Guebuza mesmo que a ponte não ostentasse o seu nome.

Guebuza é um patriota e será sempre visto dessa forma. Será imortalizado pela sua obra e entrega à causa que é Moçambique não desde 2004 mas, de bem antes, quando abdicou da de "curtir" a juventude e se entregou à libertação da pátria com outros jovens da sua geração.