Este é um local de discussão de ideias úteis. É um local para exercitarmos a nossa cidadania através da expressão das nossas ideias sobre o fenómeno político nacional.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
O Caos Anunciado
terça-feira, 23 de junho de 2009
Um Povo Nunca Morre
A História de um país através do cinema
Um povo precisa de uma fonte de inspiração para sobreviver. Abrir a mostra de cinema dos Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP, com filme retratando Eduardo Mondlane, poucos dias antes da celebração dos 34 anos da independência é homenagear um povo que teve de aprender a viver entre todas as dificuldades. É com esse filme “Um Povo Nunca Morre”, que percorremos a história de Moçambique, os seus heróis, a sua arte e terminamos com notas soltas sobre o cinema angolano. Para este artigo recorremos a discursos do Presidente da República, Armando Guebuza e entrevista com os actores Gilberto Mendes, de Moçambique, e Nguxi dos Santos, de Angola.
A história deve começar do princípio. No cinema nem sempre é assim, mas quase sempre volta-se ao princípio. No ano que se comemoram 40 anos de morte de Eduardo Mondlane, e dois dias antes de se celebrar 89 anos que os faria se estivesse vivo, a “I Mostra do Cinema e Audiovisual da CPLP” que está a decorrer em Maputo, voltou ao passado para fazer uma devida vénia à figura mais importante da luta armada de libertação de Moçambique.
“Um Povo Nunca Morre” é uma história que nos faz andar pelos corredores de um povo através de um homem que Armando Guebuza, Presidente de Moçambique, soube definir em Janeiro quando exaltava as suas qualidades, dizendo que foi uma pessoa que “levou uma juventude vulgar mas com uma visão extraordinária.”
Eduardo Mondlane veste essa capa de “unanimidade” e é resgatada por diferentes partidos políticos. Para além dos seus camaradas da Frente de Libertação de Moçambique, que olham para ele como a maior fonte de inspiração na luta contra um exército bem armado, PIMO de Yá-Qub Sibindy, procura recuperar a sua imagem como base para novas frentes.
Sibindy recorre a Mondlane para sugerir “uma trégua política” como forma de enfrentar um inimigo comum que curiosamente, já foi identificado pelo actual presidente da Frelimo e da República de Moçambique, Armando Guebuza que é a “pobreza absoluta”.
“Quando surgiu a consciência política, Mondlane fez ver que era preciso unidade. Nós também propomos que se use a fórmula Mondlane para vencermos o inimigo comum que é a pobreza”, defendeu Sibindy numa conversa que tivemos com ele, onde expunha a sua teoria de “triângulo de poder”.
O mesmo discurso é usado pelo Presidente da República de Moçambique, quando fala de auto-estima. Ele recorre a Eduardo Mondlane para o que já tínhamos definido antes como “inspiração.” Num país como o nosso que “precisa de correr” para atingir o desenvolvimento, os heróis vão funcionar como modelos de integridade e de luta. São exemplos daquilo que um povo deve ser. É esse o discurso de Armando Guebuza em todas as esferas. Ao longo do seu mandato procurou resgatar a imagem dos heróis esquecidos como Filipe Samuel Magaia e polir os que sempre estiveram visíveis nas prateleiras mas que só eram recordados nos feriados de 3 de Fevereiro.
Mondlane e auto-estima
O discurso de Guebuza na abertura da Conferência Nacional de Administração Pública sob o tema “Boas Práticas no Âmbito da Reforma no Sector Público” procurava demonstrar essa necessidade de “aprender de exemplos”:
“Este é o ano dedicado ao Presidente Eduardo Chivambo Mondlane, filho amado desta bela pátria de heróis, nacionalista irreticente e dirigente carismático que, com muita clarividência, forjou a unidade nacional, a consciência de moçambicanidade e o sentido de auto-estima.”
Com este discurso o PR procura lembrar que em pátrias como a nossa, onde constantemente se precisa lutar por um motivo para viver, nascem sempre heróis. Não só na luta armada como durante anos pareceu por serem aqueles “bravos jovens” a ocuparem espaço na cripta. Nos últimos tempos foram para aquela “casa” da veneração de espíritos comuns, figuras como o poeta José Craveirinha que “profetizou” um país livre, assim como o maestro Justino Chemane que soube cantar as glórias desta pátria.
Abrir um festival internacional de cinema com história de Eduardo Mondlane é lembrar que esta sempre começa do princípio se nos basearmos no discurso do PR:
“O Presidente Eduardo Mondlane também configurou a Nação moçambicana e deu conteúdo ao Estado moçambicano, logo no seu alvor, estruturando-o e conferindo-o uma direcção popular de servidor do nosso maravilhoso povo. O presidente Mondlane deixou claro, em palavras e actos, que esse Estado deveria ser servido por moçambicanos patriotas, íntegros e com comprovada entrega à causa de Moçambique e do seu brioso povo.”
“Um Povo Nunca Morre” vem lembrar que com a morte do guia, como eram muitos dos líderes da frente e Mondlane em particular, ele deve continuar. No entanto essa continuidade é dada com base na estrutura montada antes do desaparecimento físico do líder. Depois da sua morte ele serve de exemplo, de inspiração, como diz Guebuza, Eduardo Mondlane “configurou a Nação” e deu “conteúdo ao Estado moçambicano”. Não seria com a sua morte que o povo iria morrer.
O melhor exemplo é dado por uma canção muito interpretada até à primeira metade da década de 1990 pelas crianças da escola primária:
“Mataram Mondlane pensando que já venceram, Samora respondeu a luta continua…”
O documentário “Um Povo Nunca Morre” surge como uma homenagem a uma “pátria de heróis” que aprende sempre a sobreviver.
O exemplo de sobrevivência é também o cinema dos países africanos de língua portuguesa. “Um Povo Nunca Morre” foi o escolhido para a abertura da “I Mostra do Cinema e Audiovisual da CPLP” que, como disse o antigo governador da província de Gaza e director do Instituto Nacional Audiovisual e
Vento soprou de norte
Se “um povo nunca morre”, ele produz os seus próprios ídolos, heróis e arte. Ao longo dos 34 anos da independência, a arte de representar, teatro e cinema, lutar por conquista de um espaço. Começando já por um clássico do cinema moçambicano “Tempo dos Leopardos”, esta arte voltava a contar a história de um povo que teve de aprender a lutar.
“Tempo dos Leopardos” é muito mais que uma história de guerra, é uma história de vitória. O filme na altura que ainda levantávamos a bandeira do nosso orgulho que começou a se desenhar com o “Nó Górdio”.
É também no tempo em que se acreditava em tudo, que surge o filme “O Vento Sopra de Norte”, rodado em 1985 e estreado em 1986, que traz actores como Gilberto Mendes e Lucrécia Paco.
Ao olhar para esse tempo, Gilberto Mendes procura fugir de comparações e pautar pelos momentos na realidade que se vive hoje:
“Na altura o presidente era Samora Machel, e tu te davas ao luxo de sonhar tudo. Ele era homem de cultura, apadrinhava cinema, a arte, o desporto.”
Esse Moçambique ainda sentia “o vento de norte” e todos acreditavam que tinham algo para dar para que a revolução não morresse. E Gilberto Mendes sentia isso:
“Eu fazia parte da selecção de natação e ele (Samora Machel) privava com os desportistas. É por isso que tínhamos boa selecção de natação, é por isso que ganhávamos aos Camarões em futebol, é por isso que batíamos Angola
Tínhamos entrado com o actor para o campo de sonhos e para ele não era com um país assim que o vento da liberdade vindo de norte depois de sair de Dar-es-Saalam soprava.
“Não se sonhava com o país assim como está. Sonhava-se com um país equilibrado, sonhava-se que iríamos enriquecer juntos.”
No entanto os sonhos devem também ser contextualizado porque, como lembra Gilberto Mendes, “mudam-se os tempos e as vontades.” Quando Samora Machel morre o vento já soprava de Ocidente.
O país tinha que se adaptar à nova realidade. Joaquim Chissano assume o poder e assiste a queda do murro de Berlim e o fim da União Soviética. Condiciona o surgimento de uma imprensa privada e a arte, neste caso o cinema e o teatro, se perdem nessa onda de globalização. O país traça novas prioridades e novas políticas são definidas. Apesar de aceitar a nova realidade Mendes não concorda com a forma como é enfrentada:
“As políticas não podem ser definidas de forma ad hoc. Para a área artística, por exemplo “tem que se envolver os fazedores. Nesta mostra há muita gente que está descontente com o cinema.”
Contudo, a saída para demonstrar o seu descontentamento não se retira, pelo menos é o que pensa Mendes, pois “o Governo através do INAC, decidiu fazer qualquer coisa para que esta mostra fosse cá. O Governo fez seu papel e vai registar como algo feito.”
Segundo Gilberto Mendes é preciso que os fazedores do cinema se unam para travar uma guerra comum. Participando “nestes eventos você aproveita fazer contactos.”
Se Samora Machel, para Gilberto Mendes, apadrinhava a arte e o desporto, os dois últimos presidentes de Moçambique, assumiram uma outra postura.
“Samora apoiava o cinema, Chissano privatizou as salas e Guebuza quer trazer cinema de volta”.
Filmar guerra para esquecer a dor
O actor Nguxi dos Santos diz também que o cinema deles ainda tem a guerra como a base, não para lembrar as suas maldades mas que fique claro que “nunca mais haverá guerra
A guerra, segundo Nguxi está sempre presente e deve ser vista também como responsável pelo atraso do cinema angolano.
“Metade do orçamento foi para a guerra. Não podemos fugir disso e nem fazer tabu.”
No entanto, há uma certeza “nunca mais haverá guerra em Angola porque a paz foi feita por angolanos”.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Estive Numa Gala
O Hortêncio e o Arão voltaram ao palco. Cantaram a esperança numa música composta, segundo o Hortêncio, em 1977 quando muitos países de África não estavam ainda independentes. Eles cantaram a esperança de que esses países hasteariam a bandeira e se afirmariam no plano das nações tal e qual Mondlane tinha sonhado para Moçambique já independente. Hoje, contextualizando, interpreto aquela música como a esperança de dias melhores para todos nós. Eu tinha chegado ao Céu, ou estava muito perto. As 3 vozes masculinas que mais admiro no panorama musical moçambicano estavam ali, a minha frente, cantando juntas... se não fosse o ambiente das galas... e eu estav numa gala. Numa verdadeira gala.
Estava numa gala homenageando um homem que teve o mérito de dizer aos jovens do seu tempo: "não podemos lutar divididos, assim estaremos enfraquecidos. Unamo-nos para combater eficazmente o inimigo comum."Os jovens do seu tempo perceberam a mensagem. Hoje somos independentes, pelo menos politicamente. E nós jovens de 2009, século XXI, essa mensagem não nos diz nada? Continuamos cada um na sua trincheira enquanto os desafios de acesso ao emprego, habitação e outros pesam sobre nós?
A Gala continuou. Ouvi e vi o Dua cantar sobre a irmandade. Ele nos convidava para essa irmandade. Deviámos trazer mais amigos, mais gente, mesmo que não fosse do nosso bairro para aquela irmandade. Só visto. Era uma vez uma Gala a que eu presenciei.
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Renovando Herois - Renovando Desafios (2)
O exercício que proponho (difícil é verdade, mas o que não é difícil em Moçambique?) é olharmos para essas figuras e questioná-las: quem és Magaia? Que feitos são te atribuidos que te tornam NOSSO herói? Que lições tiramos desses feitos seus, NOSSO herói, para os desafios do momento?
Penso que assim, podemos encontrar muitos pontos inspiracionais para os desafios de hoje e de amanhã. Se calhar, será desse exercício que encontraremos novos critérios para determinarmos quem, nos dias que correm, pode ser herói deste país, NOSSO herói portanto.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Renovando Herois - Renovando Desafios
terça-feira, 19 de maio de 2009
Cobrando Promessas
O sector público no seu conjunto entendido como o conjunto de instituições e agências que directa ou indirectamente financiadas pelo Estado têm como objectivo final a provisão de bens e serviços públicos, segundo a definição da Estratégia Global da Reforma do Sector Público, é, no meu entender o campo onde se trava(ria) esta batalha contra o burocratismo e o espírito (mau) do "deixa andar" que emperra o desenvolvimento da nação.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Encontro do Dia 9 & os Desafios do Futuro - O Periodo Eleitoral
Fiquei a saber daqueles dois amigos que o encontro do dia 9 prometia e se perspectivava a presença de muitos companheiros da blogosfera, muitos dos quais nos cruzamos em vários comentários em conversas, não poucas vezes, acaloradas. Alguns desses, como são os casos do Shir (através deste a Nina e a minha melhor amiga Nicole), o Chacate, o PC, o Ilídio, o Stayleir tinham confirmado as presenças numa SMS que lhes enviei na manhã de sexta-feira, tendo tratado logo a seguir, de dar o report a chefe.
Apesar do meu atraso, o encontro de sábado não defraudou as minhas expectativas; as conversas em torno dos debates que correm na blogosfera, da postura de muitos de nós e de alguns em particular, o debate havido sobre a necessidade de deselitizarmos os nossos debates alargando-os a outros sectores sem acesso a Internet através da imprensa escrita, bem como sobre a necessidade de desses debates tirarmos ilações que podem influenciar decisões e os próprios decisores (fomos ate honrados com a presença de um deles).
Por gostar de ambientes onde as diversas opiniões se expressam livremente, fiquei animadíssimo com aquele encontro, principalmente tendo em conta o período eleitoral que se avizinha.
Vi no conjunto de jovens ali presentes, de formação, origens e convicções (incluindo politicas – porque não) diversas, a esperança de, através de diversos ângulos de intervenção, partindo dos próprios blogs, influenciar os temas que devem merecer destaque e maior debate neste período.
Sem sermos hipócritas a ponto de negar ou esconder os nossos alinhamentos e convicções politicas, tenho uma forte convicção de que os nossos blogs não serão meros panfletos políticos, meros difusores dos feitos e acontecimentos dos nossos partidos de eleição; tenho a esperança que podemos influenciar a agenda do debate político nos meses que se avizinham ate as eleições. Tenho fé que podemos influenciar abordagens sobre os diversos temas relativos a educação, saúde, emprego, criminalidade (ainda bem que o Egidio Vaz e o Nkutumula aceitaram o repto de escreverem sobre a relevância ou irrelevância da sociologia no combate ao crime e/ou mesmo no campo das ciências heheheh) e muitos outros temas.
Os presentes naquele encontro eram todos, pelo menos em idade, jovens que no nosso contexto moçambicano precisam, urgentemente, de definir claramente a sua agenda e defender os seus ideais. É por isso que, a eloquência, a inteligência e a oratória apresentada pelos que estiveram lá presentes me anima para ideia de que, para a sociedade como um todo, e para os partidos ou organizações a que eventualmente pertençamos ou com as quais simpatizamos, saberemos passar uma mensagem sobre o que queremos do nosso pais.
Saberemos, de certeza, dizer o que pensamos da educação no nosso pais; saberemos sugerir ideias sobre os curricula educacionais e os resultados que podem advir desses curricula; saberemos, já que somos a faixa populacional que mais sofre com o desemprego, apresentar ideias sobre as prioridades que devem ser dadas na educação no pais e limar arestas no que estiver a ser feito mas não bem feito. Eu sugeriria, por exemplo, maior celeridade na reforma do ensino técnico. Há muito que se fala dela e ainda não vi resultados que condigam com o tamanho do investimento em curso.
Saberemos sugerir que o aumento em termos de quantidade em salas de aula, hospitais, casas de justiça etc, deve ser acompanhado pelo aumento da qualidade de serviços ai prestados com claros benefícios para os cidadãos.
De certeza que podemos opinar sobre os fundos de desenvolvimento de iniciativas locais, propondo alternativas e critérios diferentes da sua locação aos destinatários se depreendermos que o mecanismo actual não e funcional.
Tenho mesmo fé que saberemos estar nos meses que se avizinham. Que forçaremos os políticos a apresentar-nos planos devidamente elaborados que merecerão o nosso escrutínio e debate, não para os botar abaixo, mas para os enriquecer já que, ao fim, será um desses que será sufragado pela maioria e que orientara os destinos do pais nos próximos 5 anos.
Bem hajam mais encontros daqueles, espero que o espírito não mude, debate ate ao limite.
Mutisse.
PS1: Espero que todos se lembrem e contribuam para o projecto que “esbulhamos” as Vasikate tornando-se nosso e que não caia no esquecimento. O 1 de Junho esta a porta e precisamos agir o quanto antes. Eu já sei qual será a minha contribuição: serei motorista… e consumidor de todo e qualquer acepipe que se prepare.
PS2: Egidio e Nkutumula, estamos a espera das vossas dissertações sobre a sociologia.
PS3: Ximbitane (espero que já esteja calma) desafio-te a dares o pontapé de saída nesta de “influenciar” o debate neste período eleitoral. Como pedagoga, que tal falares dos desafios que se colocam na sua área de actuação? Eu farei o mesmo.
PS4: Jorge Saiete, embora por escassos minutos, devido a sua agenda apertadissima (como sao as agendas dos homens importantes) gostei de te ver la. Deu para ver que valorizaste aquele encontro.
PS5: Blogers na diaspora ou longe de Maputo, so posso dizer que perderam uma tarde muito a boa...
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Enrevistas Com História
Pela sua extensão (tal como o Moçambique para Todos) não a transcrevo aqui, mas recomendo a sua leitura em http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=626067 na medida em que ela traz alguns subsídios que nos podem ajudar a perceber certas coisas, para além da visão, claro, de um político experimentado. Destaco as respostas a 4 perguntas que devem merecer o crivo da nossa ponderação; talvez nos ajudem a conceber diversamente o país:
África encontra-se num processo de grande desenvolvimento económico, mas do ponto de vista político tarda em encontrar um modelo de governação.
Não podemos continuar a querer influenciar as nossas antigas colónias, ensinando-lhes como devem organizar-se. Eles só não aderiram mais cedo à democracia pela razão simples de que, em Moçambique, houve uma guerra durante muitos anos e, em Angola, eram três movimentos em guerra entre si, cada um deles com uma potência imperialista por detrás. Houve a deslocação das populações, houve toda aquela tragédia, houve a destruição das infraestruturas e não apenas. Cidades ficaram destruídas, Nova Lisboa destruída, a Cidade da Beira destruída... Estão agora a levantar a cabeça, estão agora a reorganizar-se. Não podemos julgá-los como se tivessem estado estes 30 anos em paz e liberdade. E, tendo em conta estas décadas de guerra, o facto de terem logo a seguir aderido ao modelo democrático e económico ocidental é de louvar. Estão a fazê-lo com relativo êxito. (destaque e sublinhados meus) Não se salta de uma cultura africana comunitária e autoritária para uma democracia ocidental. As democracias começam por ser formais e passam depois a reais. As nossas democracias ocidentais começaram por não ser perfeitas.
E o que é determinante, do seu ponto de vista, na dificuldade em institucionalizar modelos de relação entre Portugal e África? Há o caso da CPLP, da UCCLA. É culpa portuguesa?
As culpas são sempre repartidas, mais do que nós julgamos. Eu às vezes até digo que nós temos tendência para culpar sempre alguém em especial, porque se a culpa não é concentrada, se não há um bode expiatório, não presta. Se for colectivo, se são todos culpados, então ninguém é culpado. Mas a verdade é que, em relação ao colonialismo e em relação à descolonização, a culpa é mais repartida do que se julga. Todos os indivíduos que estiveram com o Salazar não têm culpa da descolonização e da guerra? Todos os indivíduos que lhe bateram palmas, que lhe deram apoio, não têm? Aqueles que depois disseram que sempre foram o que nunca não tinham sido, não têm culpa nenhuma? É evidente que a culpa é muito mais partilhada do que se julga. Até há uma teoria indiana que diz que todos somos culpados de tudo. Acho um bocado excessivo, mas a verdade é que, no fundo disto, há alguma verdade. Uma vez, um velho amigo, colega meu de Lourenço Marques, avô do Francisco Louçã, um grande resistente, entrou-me pelo escritório adentro e disse-me assim "Eu quero ser preso." "O senhor quer o quê?", disse-lhe eu. "Quero ser preso, você ouviu muito bem." "Mas quer ser preso porquê, homem?", insisti. "Quero ser preso porque se eu estou em liberdade com um regime como este, é porque não fiz aquilo que devia, não resisti aquilo que devia ter resistido".
E a culpa do que se passou depois, deste distanciamento?
Nós não podemos apagar os traumas que a história forma. No momento da descolonização, havia dois traumas. Do lado de África, havia o trauma do ressentimento da era colonial. Houve escravatura, houve trabalho forçado, houve tudo isso, e isso criou um fundo de ressentimento, e esse fundo de ressentimento ainda existe. Nós ainda somos o indivíduo que fez isso. Mas depois os nossos retornados acabaram por ter que se vir embora, perderem os bens, os empregos, afectividades, relações, sonhos, esperanças… e vieram sem nada, com as mãos vazias. Não queria que da parte dessa gente, dos familiares deles, dos amigos deles, não houvesse também um fundo de ressentimento contra a África? É evidente que há um duplo ressentimento, que não é fácil de superar.
África continua a ter um grave problema de repartição social do desenvolvimento. E isto, é evidente que pode ser justificado pelas condições objectivas do passado recente, mas há que fazer alguma coisa para inverter esta lógica. Não é esse o seu entendimento?
É evidente. Eu digo-lhe mais não é só África que está a repartir mal. É o mundo inteiro. Os EUA, que são o país mais rico do mundo, têm 40 milhões de pobres. O problema da repartição da riqueza é o problema número um dos modelos económicos e também dos modelos políticos e sociais. Nunca conseguimos isso. É o problema da equação entre a liberdade e a igualdade. Em todo o caso, os países africanos, tirando as críticas que possam ser dirigidas às cúpulas, têm feito um esforço de nivelamento. Quer dizer, há riqueza esporádica e chocante às vezes, mas depois dessa riqueza há um nivelamento, em baixo, superior a muitos países ocidentais. Não há classes médias. É a riqueza e depois a pobreza. E a pobreza, segundo um certo conceito de igualdade. Esse é o problema número um do mundo.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Alternativas à Prisão para Descongestionar Cadeias
(Maputo) A ministra da Justiça, Benvinda, Levi, pediu, sexta-feira, aos 31 novos magistrados judiciais e do Ministério Público, graduados pelo Centro de Formação Jurídica e Judiciária (CFJJ) para que, dentro dos limites e possibilidades legais e processuais procurem aplicar alternativas à penas de prisão aos infractores.
Para a titular da pasta da Justiça, a agir desta maneira, os novos magistrados estariam, de forma considerável, a darem o seu contributo para descongestionar os estabelecimentos prisionais existentes no país e, por consequência, garantir maior humanização das condições de reclusão no país.
Na ocasião, a ministra da Justiça deu a conhecer que, actualmente, estima-se em cerca de 40 por cento a cifra de reclusos cuja condenação penal não vai além dos 6 meses. Esta é uma realidade que, segundo Levi, mostra claramente que medidas alternativas à prisão são necessárias, aplicando, desta maneira, o princípio de que a prisão é excepção e a liberdade é a regra.
Ainda de acordo com dados avançados por Levi, cerca de 30 por cento dos reclusos cumprem penas de até 2 anos de cadeia. Portanto, do universo da população prisional já com sentenças proferidas, perto de 70 por cento está a cumprir penas de até 2 anos.
“A lei prevê que, em caso de uma pena que vai até dois anos, analisado todo o contexto da ocorrência criminal, pode-se converter essa pena privativa de liberdade em penas alternativas como a multa, pena suspensa... Portanto, não tem que necessariamente obrigar que a pessoa vá cumprir a pena num estabelecimento prisional” – explicou Levi para quem a decisão pelas penas de cadeia é o principal causador do congestionamento prisional.
Entretanto, Levi mostrou-se perceptível em relação às dificuldades que os juízes, perante um caso, tem em decidirpor uma pena alternativa à prisão.
Tal dificuldade, segundo Levi, tem a ver com a violência nas comunidades, mais concretamente, os casos delinchamento. É que, basta um indivíduo ser suspeito na comunidade e uma situação em que juiz decide pela soltura ou outro tipo de pena, ao invés da cadeia, para levantar revolta no seio da comunidade que, muitas vezes, se resvala em linchamentos.
“Outro problema é esse em que os nossos magistrados também evitam tomar estas medidas alternativas por causa do medo da violência que existe na sociedade. Temos aqui a situação dos linchamentos. É que quando mandas a pessoa para casa, no dia seguinte é linchada porque está socialmente condenada. Então é melhor ele ficar um mês preso do que lhe mandar para casa para depois ser morta. Não é tão simples assim” – reconheceu para depois completar que “mas é possível a
gente investir cada vez mais em explicar as populações que o facto de a pessoa voltar para casa não significaque não tenha sido sancionada”.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Um Golo Para Fintar o Destino
Importância social do desporto num período em que se exige mais escolas
Um Golo Para Fintar o Destino
Por Policarpo Mapengo
Partindo da escola de jogadores de T-3, procuramos analisar a importância social do desporto. O aparecimento do profissionalismo no desporto provocou uma ruptura com o tradicional. Do praticante passou-se a exigir muito mais que talento. Exige-se que o desporto passe a ser praticado dentro de uma determinada disciplina. É essa disciplina, a principal responsável pela maneira de agir e comportamento que vai fabricar um homem necessário a determinadas funções. Isto é feito com disciplina e vigilância, instrumentos fundamentais na civilização e muito usados na introdução de normas que amenizaram a violência controlando o impulso, sublimando desejos e criando condutas em conformidade com as regras sociais.
Até parecia um jogo em que a comunidade tinha de escolher entre mais salas para os seus filhos e um campo de futebol.
A direcção da educação não fez a pergunta e avançou para as obras destruindo o campo. Os residentes do bairro T-3 não responderam em palavras, assaltaram a escola. Os mais velhos pegaram as ancas, em pose de chefões, enquanto a molecada, que, curiosamente, seria a beneficiada pelas salas, destruía as obras. Iniciava assim o “caos” em Agosto de 2007.
O campo de futebol estava em risco. O estado precisa formar “um homem novo”. Politicamente correcto, a “educação é mais importante que o futebol”. Para os moradores, apesar de precisarem de mais salas de aulas, o bairro não podia ficar sem um campo de futebol:
“Não estamos contra a escola, há espaço para mais salas de aulas e o campo não pode morrer,” defendiam. A ideia era também sustentada por Rui Tadeu, vice-presidente do Costa do Sol, clube que tem um acordo com a escola para a utilização do campo.
“Custa-nos, como agentes desportivos, viver esta situação de destruição de campos. Pelo que se sabe, não há um outro campo no bairro e é aqui onde as crianças aprendem a jogar futebol. Temos que acabar com a mentalidade de destruição de campos”, disse Tadeu citado pelo Notícias de 24 de Agosto de 2007.
Quase dois anos depois as salas foram construídas em redor das que já existiam. Dois anos depois o campo da escola de T-3, que escapou a amputação, continua a ser um espaço para a formação de jovens jogadores.
O pequeno Suleimane de Barros e Euclides Nguenha correm atrás da bola. Constroem ali o sonho de ouvirem aplausos nos grandes estádios e serem verdadeiros ídolos.
Barros não consegue fazer uma separação entre “estudar” e “jogar futebol” como os adultos procuram fazer: “quero jogar a estudar. Gosto de matemática, inglês e do Benfica.” Mas Euclides é pelas posições: “gosto de jogar como médio e como avançado. Gosto de Cristiano Ronaldo por causa das suas fintas.”
A “cena” de construção de salas de aulas no campo de futebol servia claramente como “separação de águas” entre a educação e o desporto. A educação que é a prioridade do governo, dentro dos planos quinquenais, dos objectivos do milénio e dos tantos quês… O desporto é simplesmente o lazer, um meio para chamar turistas (planos para 2010) ou, se preferirmos o plágio: “é o ópio do povo.”
DESPORTO COMO ALTERNATIVA
Para o mister Manuel Suares que foi responsável pela a criação da escola de jogadores de T-3, essa ideia de escolha e o indicar a educação como uma espécie de prioridade sagrada, a única via para o sucesso é prejudicial não só para o indivíduo como também para a própria sociedade.
“O mais importante é não prometer coisas que não vão dar certo. A pessoa pode dizer que estudar é melhor. O miúdo é um talento, mas porque acha que futebol não ajuda não se vai aplicar.”
No entanto, de acordo com Suares “o futebol não ajuda porque nós não fazemos muito para que ele ajude. Nós é que somos culpados.”
O mais importante, segundo Suares é começar a olhar o desporto como uma alternativa a vida porque nem todos têm a oportunidade de ir a escola. Como também nem todos podem ser bons alunos na escola e o desporto pode servir de salvação para essas pessoas.
“Há miúdos que não têm pais. Jogam futebol, singram tornam-se vedetas e ajudam os outros. Aquela família que vai depender dele podia incomodar a sociedade, seria um défice para a força motriz do país. Se essa família tiver problema o país vai se ressentir.” Recorrendo aos números conclui que “cerca de 50% de pessoas que praticam desporto, em particular o futebol, deviam estar na rua porque não têm escolaridade.” Mas o “futebol absorve essas pessoas que ficariam na rua e seriam criminosas. Se tivéssemos muitos clubes nos bairros esses criminosos estariam lá. Muitos clubes estão na capital porque é onde gira dinheiro. Então, muitos saem dos distritos para as cidades ou para a capital e quando as coisas não dão certo frustram-se e optam pelo crime. Se houvesse equilíbrio não viriam todos a Maputo.”
No entanto, para que se consiga uma boa imagem para o desporto, ou para o futebol em particular precisamos construir as nossas referências.
“Nos outros países como o futebol é futuro, muitas crianças são incentivadas a praticar e elas se entregam. Mas isso é feito através de referências. Eles aqui não vêem um jogador com boa vida. Há falta de referências social no nosso futebol. Os nossos futebolistas não têm boa casa e nem têm bons carros por isso que têm de recorrer a escola como única saída. Mas todo o governo e comunidades esclarecidos percebem que o futebol ajuda a desenvolver um país por isso que apostam também no desporto.”
VANTAGEM CANARINHA
Mesmo reconhecendo a importância do futebol ou do desporto no seu todo como “benéfico para a saúde” e um meio para “lubrificar a mente”, como educador, o director da Escola Completa Unidade T-3, Epifânio Balane preocupa-se com o que se perdeu com a manutenção do campo de futebol.
“Ficamos a perder sete salas que seriam mais valia para nós. Estamos a falar de um espaço para 360 alunos.”
Olhando para os benefícios, Balane diz que estes só existem para o Costa do Sol que “está a produzir a custo zero. Disseram (os dirigentes do Costa do Sol) que haveria uma comparticipação, o que não está a acontecer.”
Contudo, para o director daquela escola tudo “tem a ver com a forma como o acordo foi feito. Mas não vejo vantagens para a Escola. Se o Costa do Sol nos desse um apoio para o campo polivalente, não digo que devia pagar alguma coisa, mas sim melhorar, já era bom para a escola.”
A escola de jogadores de T-3 foi criada por Manuel Suares que já vinha trabalhando na área de formação na Zambézia, Manica e Sofala. Quando chegou a Maputo, nos meios de semana o campo andava abandonado. As crianças do bairro faziam grades distâncias para emcontrarem um sítio onde treinassem futebol. “O aproveitamento pedagógico dos miúdos cai quando eles têm de percorrer grandes distâncias a procura de um clube para treinar.”
Foi nessa altura que desenhou um projecto e fez o programa mas teve que esperar um ano para pôr tudo em prática. “Não sabia por onde começar.” A preocupação de mister Manuel não era simplesmente de produzir jogadores de futebol mas sim de produzir homens. Por isso que exigia de si mais do que vontade mas sim tempo e coragem para enfrentar as dificuldades.
“A formação precisa de alguém a tempo inteiro, de alguém que acompanha o desenvolvimento da criança mesmo em termos de educação. Tem que se olhar a partir da base. Os pais nos dão responsabilidades e apoio psicológico. Mas nem todos têm alguma formação por isso que de 15 em 15 dias eu conversava com eles.”
IMPORTÂNCIA SOCIAL DO DESPORTO
A forma como Manuel Suares olhava para a formação de jogadores suportava-se na ideia que supera o simples conceito de “correr é saúde” para olhar o desporto como um instrumento de organização social. Uma ideia que se assemelha a definição da especialista desportiva e monitora de musculação e ginástica, Stélia Xavier, de desporto como “um meio de educação e desenvolvimento de personalidade humana, um factor que imprime nobreza, plenitude e sentido a vida.”
No entanto Stélia, não retira o valor de saúde que o desporto possui, apenas não o restringe a esse item. Diz mesmo que “constitui um meio importante de fortalecimento da saúde e da espiritualidade dos indivíduos e dos povos.”
A importância social do desporto que é defendida por Stélia Xavier baseada no “respeito pelas normas e regras estabelecidas” que também se transladam para “as normas sociais que favorecem a boa comunicação e inteligência” igualmente defendida por Francisco Rodrigues.
Em “Modernidade, disciplina e Futebol: uma análise sociológica da produção social do jogador do futebol no Brasil”, Rodrigues olha para o futebol como “uma instituição disciplinadora e civilizadora”, como Xavier, “dotada de regras e normas.”
No entanto, estas regras disciplinadoras que entram no desporto são, segundo Giddens, Harvey e Laclau – citados por Rodrigues –, características da modernidade. Este período – moderno – é marcado pela “descontinuidade, fragmentação, ruptura e deslocamento do sujeito da estrutura tradicional.”
Com o aparecimento do profissionalismo no desporto a ruptura com o tradicional passa a ser cada vez mais necessário. Não se pede simplesmente que o praticante tenha talento. Exige-se que o desporto passe a ser praticado dentro de uma determinada disciplina. É essa disciplina, como diz Rodrigues, “a principal responsável pela maneira de agir e comportamentos, (que) fabrica um homem necessário a determinadas funções.”
A disciplina, no caso de jogador de futebol começa a ser implementada nas escolas de jogador. E, para mister Manuel, a determinação de funções ou mesmo o determinar se um miúdo pode ou não ser jogador de futebol exige um trabalho de equipa que não se verifica em Moçambique.
“Os clubes devem perceber que o segredo está na formação. Entre as camadas inferiores e seniores há diferença. O ano acaba sem os meninos conhecerem jogadores e treinadores dos seniores. Não há conversa entre estes dois grupos. Tem que haver uma ligação entre o pai, treinador, professor e o clube. Isto está a faltar. O miúdo pode não render não por falta de talento mas porque há alguma coisa a o incomodar. Aqui nós não sabemos se o miúdo pode ou não jogar futebol porque temos falta de pessoas especializadas ou porque não aparecem.”
TALENTO, VIGILÂNCIA E DISCIPLINA
O discurso desportivo recorrente é de que o jogador moçambicano nasce já com talento. Manuel Suares que tem como função lapidar esses diamantes confirma mas insiste num trabalho conjunto.
“A criança moçambicana tem características próprias. Em pouco tempo sabe fazer passe, conduzir e travar a bola, o que falta é acompanhamento. Não pode correr sem botas, sem lanche, sem médico, sem apoio social. Em casa o miúdo tem que ser programado. Tem que comer alguma coisa, tem que fazer TPC. Tem que haver uma ligação entre o pai, treinador, professor e o clube.”
Na verdade, o que Suares está a se referir é o poder da disciplina que é visto como responsável pela produção do indivíduo moderno. Concretamente a disciplina “como uma técnica eficiente de controlo social.”
É exactamente a vigilância que vai moldar o desportista actual e profissional. Ela, a vigilância neste caso, classifica o atleta, seu ritmo de jogo, rendimento e sua capacidade de suportar os esforços nos treinos. E como diz Rodrigues “isso nos permite entender o futebol como instituição disciplinadora.”
Num sentido mais generalista, Norberto Elias via o desporto como “uma dimensão do processo civilizador.” Contudo esse processo começa exactamente com a introdução de normas que “amenizaram a violência controlando o impulso, sublimando desejos e criando condutas em conformidade com as regras,” explica Elias numa citação de Rodrigues.
Sem usar exactamente o termo “civilização” para se referir a importância social do desporto, Stélia Xavier fala claramente de convicções que ajudam na socialização do indivíduo. Segundo ela “o desporto mune o indivíduo de convicções morais, respeito pela conduta de convivência social, qualidades tais que contribuem para dotar o indivíduo do necessário para o seu desenvolvimento dentro da sociedade”. É, para Xavier, um verdadeiro espaço para se adquirir “o conceito de convivência social.”
A especialista em assuntos desportivo subdivide a importância do desporto em social, onde ajuda a respeitar as regras de convivência social; intelectual onde estimula as funções cognitivas pelas situações únicas e irrepetíveis; moral com a formação de valores e de personalidade; saúde onde torna eficiente o funcionamento dos órgãos; benefícios físicos onde se desenvolve habilidades e capacidades físicas; mentais que favorece a rapidez da racionalização e processamento dos estímulos e da informação a nível da produção criativa; e emocional onde se destaca o equilíbrio perante situações de adversidade sentimental e emocional, com relevância para a auto-estima e perseverança para alcançar a meta.
De uma forma resumida, Xavier olha para o desporto como “um factor para a defesa do meio ambiente, do equilíbrio da unidade nacional e da socialização dos homens. Importante factor de afirmação, compensação e de superação nacional.” O que mister Manuel chamaria de “um instrumento para ajudar as crianças a socializarem-se”.
Mas apara que a formação seja eficaz, de acordo com Manuel Suares não basta que clubes, neste caso o Costa do Sol que diz apoiar aquela escola de jogadores, se limite apenas a dar coletes. “É preciso um acompanhamento de todos os envolvidos.”
Dois anos depois, o campo de futebol de T-3 mantém-se. É onde as crianças continuam a aprender a fintar o destino violento e sonham um dia vir a ser craques como Marcelino (guarda-redes da selecção nacional e do Desportivo de Maputo) Faustino, Butana, Dinis e Mulima, alguns dos nomes importantes do nosso futebol que cresceram nas ruas de infulene ou correram naquele campo.
Mas a formação em desporto ainda vai levar seu tempo para entrar nos planos quinquenais.