quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Em Que é que Darão as Eleições na OJM?

Depois da candidatura de Basílio Muhate a liderança da OJM lançada há alguns dias e referida e comentada aqui, com o processo de apresentação de candidaturas a encerrar hoje, mais dois candidatos se apresentam à corrida: Manuel Formiga e Sérgio Matos.

Se, conforme referido aqui, Basílio Muhate pretende "imprimir nova dinâmica no seio da organização, motivando-a para enfrentar os desafios da actualidade: pobreza, habitação, empreendedorismo e o elevado custo de vida", apostando numa “OJM que seja parte integrante da solução dos problemas do país,” “aberta e inclusiva, englobando os diferentes estratos sociais” ao mesmo tempo que quer “juntar toda a camada juvenil” para atacar os problemas que afligem a juventude do país, os outros candidatos já lançaram o seu repto.

Sérgio Matos tem como objectivos estratégicos a “agricultura, dominando os meios e instrumentos de produção para um desenvolvimento sustentável, no contexto da luta contra a pobreza.” Este candidato se compromete a “promover uma habitação condigna, acessível e bonificada para os jovens, através do estabelecimento de parcerias público privadas.

Por sua vez, Manuel Formiga, pretende “instar a juventude a participar de forma activa, com projectos concretos, no processo de desenvolvimento.” Formiga diz saber que “temos hoje uma agenda nacional concreta, daí a necessidade de consciencializar todos os jovens para a necessidade de se envolverem em projectos concretos e em acções concretas de combate à pobreza” e se propõe a “capacitar do ponto de vista institucional as nossas bases, refiro-me aos distritos e postos administrativos, para que, efectivamente, a juventude possa participar de forma proactiva nos desafios de hoje, que nós assumimos como sendo aqueles que são os grandes problemas da juventude, nomeadamente a habitação e o acesso ao emprego. De mãos dadas, queremos superar essas dificuldades.”

Estão lançadas as intenções para os membros da organização que tem o dever de sufragar um de entre estes três candidatos para dirigir a organização num determinado mandato.

O eleito deverá ser aquele que, conhecedor da natureza, especificidades e objectivos da organização nos dias que correm e numa perspectiva de futuro, apresente o melhor programa, que seja realista e/ou se apresente ao eleitorado como a melhor solução para a organização.

Tenho reais expectativas neste processo. Tenho noção do que eu gostaria que saísse deste processo conforme referi no post anterior sobre a OJM. Tenho a impressão de que podemos aproveitar o esgrimir de argumentos entre os três candidatos da OJM para todos nós, enquanto jovens, repensarmos o nosso papel perante a nação e os desafios que nos esperam pela frente. Podemos aproveitar o debate que se seguirá para, sugerir estratégias, abordagens, acções, lobbies e outras formas de participação, afinal, deste conjunto de jovens que se pretendem irreverentes (como característica própria da juventude) no discurso, nas acções a empreender, sairá aquele que de dentro do Partido governante e maioritário tem maior potencialidade de influenciar decisões que podem ter influência na vida de todos nós.

Debate? Sim. Creio que haverá debate. Me parece que Basílio se predispõe a isso. Quando num dos comentários no meu post anterior ajunta que “queremos trabalhar com todos e colaborar com todos e dialogar com todos...bons e maus, militantes e não militantes, público em geral...e com a juventude Moçambicana...” mostra essa vontade não só agora como quando for eleito SG da OJM.

Debate sim porque mais do que o Basílio que foi o primeiro, temos agora o Matos e o Formiga com intenções de serem também SG com base num programa que apresentarão para sufrágio dos delegados e, sendo uma organização de jovens questionadores por natureza, procurarão saber das estratégias de materialização do que cada um promete, qual galã apaixonado.

De certeza se procurará saber do Matos a questão do “estabelecimento de parcerias público-privadas”; o significado disso tendo em conta a natureza da OJM. De certeza se questionará ao Formiga o seu entendimento sobre a “agenda nacional concreta” que é a luta contra a pobreza e as estratégias inovadoras que ele propõe, não só a juventude, mas, também, aos decisores políticos para que essa luta seja mais eficaz e retire da condição de pobre mais de metade da população que como se sabe, é coberta pela faixa etária que a OJM representa. Procurar-se-á saber do Basílio como é que uma estratégia “inovadora e proactiva,” aliada uma nova atitude e rigor, com critérios claros na gestão e planeamento institucional a implementar na OJM pode ter os reflexos esperados para a Juventude e como isso pode ser replicável a todas organizações com reflexos para o país na esfera da liderança da OJM a toda uma juventude.

Das respostas as questões que forem colocadas em sede própria pelos jovens da Frelimo aos candidatos a liderança da sua “J” bem como do debate paralelo que podemos iniciar inspirado neste podemos atalhar caminho e descobrir em que é que poderão dar estas eleições. Eu tenho o meu palpite de que destas eleições emergirá uma OJM diferente, com “uma nova atitude e rigor”, com critérios e ideias claras sobre o que se pretende com esta juventude que pode se assumir como dona dos destinos desta nação e impulsionadora de políticas, actos, soluções de que o país ainda carece para o almejado desenvolvimento. Tenho o meu palpite quanto ao vencedor. O meu palpite baseia-se em vários factores, sendo um deles a predilecção por quem coloque a organização como “parte integrante da solução dos problemas do país” e não como a própria solução… infelizmente não voto.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Qual Tem Sido a Nossa Postura no Debate de Ideias?

A blogosfera e outros canais de debate estão em efervescência nos últimos dias; esgrimem-se argumentos vários sobre os mais diversos fenómenos algo que julgo salutar. Acontece porem que, muitas vezes, a nossa postura e/ou argumentos nesse debate sao problemáticos. Por essa razão, na perspectiva de os tomarmos como ponto de partida para avaliarmos a nossa postura no debate dos mais diversos fenómenos, decidi trazer para este espaço, dois textos do professor Elísio Macamo ja publicado no matutuino Noticias.

Qual tem sido a nossa postura no debate de ideias? Como nos posicionamos em relação a argumentos contrários? Que critérios, para cada um, atribuem plausibilidade e geram “simpatias” nos argumentos dos outros?

Antes, se calhar, trazer os dois textos:

Vamos combater a credulidade (2) Dos da plausibilidade
E. Macamo

Porque é que argumentos problemáticos passam com tanta facilidade na nossa esfera pública? Um palpite que eu tenho conduz-me à noção de plausibilidade. É um pouco difícil defini-la, mas diria que é algo que está ligado ao tipo de suposições que nós fazemos em relação ao que ouvimos quando não estamos em condições de verificar tudo tim-tim por tim-tim. Se alguém nos diz que o paiol de Malhazine explodiu por desleixo, aceitamos por acharmos que isso encaixa muito bem na ideia que temos do funcionamento das nossas instituições. Isto é, fazemos uma suposição qualificada sobre a veracidade de uma afirmação que, do ponto de vista prático, pode ser considerada verdadeira na ausência de provas em contrário. Em relação ao paiol, por exemplo, consideramos plausível a ideia de que se trate de desleixo na ausência de outros elementos que poderiam mostrar o contrário. Aceitamos, portanto, a afirmação como sendo provisoriamente certa.

O nosso dia-a-dia está cheio deste tipo de argumentos. Eles obrigam-nos a usarmos o nosso senso-comum para decidirmos se vamos acreditar numa afirmação ou não. A base dessa crença (e desse senso-comum) é o que não fere o nosso sentido do que é normal. Sei que a coisa fica um pouco complicada, porque o que é normal entre nós não é assim tão fácil de determinar. Eu diria, por exemplo, que se alguém me viesse dizer que viu uma pessoa a voar esse relato estaria a violar o meu sentido do que é normal. Sei, contudo, que para outras pessoas isso não seria assim, aliás Quisse Mavota mostrou isso. Não obstante, este é um caso que não precisa de nos deter por muito tempo, pois está mais relacionado com a questão da coexistência de várias referências ontológicas no nosso quotidiano. O importante é reconhecer o papel que o nosso senso-comum desempenha na determinação da plausibilidade de uma afirmação e, como exercício crítico, confrontar esse senso-comum.

Na verdade, os nossos problemas com a plausibilidade na esfera pública começam quando confiamos demasiado neste senso-comum. Se alguém nos diz que os distúrbios de 1 de setembro eram protestos de gente afectada pela carestia da vida reagindo a um governo arrogante e o nosso senso-comum nos diz que há carestia e o governo é arrogante, então concluimos que de facto essa foi a causa dos distúrbios. Reparem que, em princípio, não é inconcebível que assim seja, mas no fundo a nossa única base de inferência é apenas o senso-comum. Portanto, argumentos plausíveis são frequentes, mas terrívelmente inseguros. Deixá-los ficar pela plausibilidade é o pior que podemos fazer no espírito da elevação da qualidade do debate.

No fundo, o que a plausibilidade nos diz é que precisamos de mais informação, pois um argumento plausível é um argumento provisório. Com mais informação, sobretudo informação que contraria a nossa afirmação, podemos talvez rever a nossa aceitação da conclusão. A questão que deveríamos colocar antes de fazer eco ao que é plausível é de saber o que precisaríamos de saber para estarmos seguros de que a conclusão segundo a qual os distúrbios foram protestos de gente afectada pela carestia da vida perante um governo arrogante é mais do que plausível. É sintomático que no calor das manifestações nenhuma das pessoas que escreveu textos de análise incendiários a sugerir esta explicação falou com os perpretadores. Há quem simplesmente somou 2 mais 2 e concluíu que só podia ser isso. Agora, atenção que com isto não quero dizer que não tenha sido isso (não sei o que foi), nem mesmo que não tenha havido pessoas que se fizeram à rua movidas por essas ideias.

O que está em causa é a nossa responsabilidade crítica como membros da esfera pública. Estamos dispostos a entrar em confrontação com o que nos é dito ou não? De que maneira o podemos fazer? Batendo simplesmente palmas? Defendendo? Ou interrogando o nosso senso-comum, fonte da plausibilidade do argumento que nos é servido? Penso que a interrogação do nosso senso-comum é o caminho. Interrogamo-lo simplesmente procurando uma base de informação mais sólida. Esta sugestão, por acaso, não vale apenas para o argumento do protesto. Vale também para a sugestão feita pelo Ministro do Interior, segundo a qual estaríamos perante bandidos. Olhando para o tipo de acções que caracterizaram os distúrbios podemos conferir plausibilidade a essa descrição. Mas para que ela seja mais do que plausível seria necessário olhar para a forma como a manifestação decorreu, comportamento da polícia e de diferentes grupos de manifestantes. Aqui também poderíamos constatar que se tratou mesmo de bandidos, ou não. Normalmente, quando vamos para além da plausibilidade colocamo-nos em posição de diferenciar e qualificar os nossos argumentos. Diferenciar e qualificar são coisas muito importantes para a saúde do debate. Nos nossos jornais e na internet anda muita gente que não vê virtude nisto.

Vamos combater a credulidade (3) Dos comprometidos
E. Macamo

A credulidade tem várias manifestações (não confundir com “distúrbios”). Uma delas, sobre a qual me debruço neste texto, é de argumentar a partir duma posição de compromisso. Eu explico. Algumas intervenções no debate sobre os distúrbios de 1 de setembro foram no sentido de dizer que a carestia de vida é tanta que um pobre não tem outra alternativa senão revoltar-se violentamente. A credulidade intervem aqui para nos dizer que sim, essa situação explica tudo; ou que não, isso não explica nada. No primeiro caso queremos acreditar que sim enquanto que no segundo queremos acreditar no contrário. Antes de eu analisar os problemas inerentes à esta atitude vou explicar a natureza do argumento envolvido um bocadinho mais. A essência vai no sentido de dizer que a posição que uma determinada pessoa ocupa na sociedade (podia também ser a filiação religiosa, política, etc.) obriga-a a agir duma única maneira se não quiser ser incoerente. Um pobre, porque pobre, só pode reagir à carestia revoltando-se.
O argumento contém três elementos. O primeiro é, por assim dizer, uma premissa que contém provas da existência de um compromisso. Por exemplo, os “manifestantes” são pobres (afinal estavam a reclamar a subida de preços, vivem em bairros periféricos, dependem de chapa, etc.). Podíamos representar formalmente esta premissa com a seguinte frase: f (fulano de tal) tem compromisso com posição x de acordo com certas provas ao nosso dispôr (as condições sociais em que vive). O segundo elemento continua a ser uma premissa, mas desta feita o que ela faz é articular o posicionamento com uma outra coisa. Por exemplo: um pobre revolta-se quando a carestia da vida aumenta. A forma seria: normalmente, a posição x implica também posição y. Ou seja, um pobre (posição x) revolta-se quando a carestia de vida aumenta (posição y). Destas duas premissas resulta a conclusão deste argumento com base no compromisso, nomeadamente que f (fulano de tal) por ser x tem que fazer também y. Em moçambiquês: um verdadeiro pobre deve revoltar-se quando a carestia da vida aumenta! Esta conclusão é violenta porque impõe limites ao que podemos dizer, fazer ou pensar em virtude do lugar que ocupamos na sociedade. Corremos o sério risco de sermos acusados de incoerência se fizermos ou dissermos coisas que não encaixam na expectativa criada por este argumento. Se um indivíduo, apesar de ser pobre, dissesse que não é com manifestação que o problema se resolve, achamos que podemos com legitimidade levantar sérias interrogações em relação à genuidade da sua condição. Dizemos, indignados, que um indivíduo que diz isso não pode ser pobre! E este tem sido o problema nas nossas discussões na esfera pública. Ou obrigamos as pessoas a aceitarem as implicações práticas de ocuparem certos lugares na sociedade ou então a reconhecerem que estão a ser incoerentes.
Há saídas para este dilema. A primeira saída é simples. Que provas são essas que demonstram que f tem compromisso com posição x? No caso do pobre a coisa é simples. A situação está difícil no país e aquele que é pobre não pode esconder a sua condição. Nem tem necessidade de o fazer. Mas o conceito de pobre é vasto demais para poder comprometer todo o indivíduo que possa assim ser descrito. Há pobres muçulmanos, presbiterianos, católicos, ateus, operários, empregados domésticos, mulheres, jovens, do sul, da Frelimo, que vivem neste e não naquele bairro, etc. Cada uma destas pertenças ou identidades é um quadro de referência normativa que age sobre cada um desses indivíduos e impõe limites ao que ele faz ou pensa que devia fazer. Esta complexidade da noção de pobre não permite a ninguém deduzir o seu comportamento simplesmente a partir da constatação de que alguém é pobre. Há pobres que de certeza acreditam no respeito de propriedade alheia e na ordem. Não são vítimas de falsa consciência. São assim e ponto final. O uso indiscriminado da categoria de pobre para explicar porque algumas pessoas reagiram de forma violenta à carestia da vida (partindo do princípio de que esse foi o caso) parece-me assim problemático.

A segunda saída é central. Haverá excepções à regra segundo a qual a posição x implica posição y? Por exemplo, se um determinado pobre achar que certos pobres - com os quais ele devia solidarizar-se por ser também pobre - comportam-se duma maneira que viola os seus valores e, por causa disso mesmo, achar que lhes devia recusar a sua solidariedade, ele poderia dizer que ao fazer isso não estaria a ser incoerente consigo próprio porque o seu entendimento da conduta moral dum pobre obriga-o a condenar certas posturas. É verdade que algumas pessoas podem insistir com um princípio geral que diz que um pobre, independentemente das circunstâncias e da conduta de outros pobres, deve ser solidário com outros pobres. Aí, contudo, já estamos a entrar numa área que ultrapassa os limites da atitude analítica. Já não se trataria de reflexão crítica, mas sim de obediência. E na verdade, uma grande ameaça que páira sobre as nossas sociedades é este compromisso cego com certos princípios normativos gerais. É esta ideia nociva de que aquilo que consideramos correcto é correcto para toda a gente e em todas as circunstâncias.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quando Obama Elogia Moçambique

É público que Barack Obama elogiou Moçambique e outros países afirmando que "É a força que transformou a Coréia do Sul a partir de um beneficiário do auxílio de um doador de ajuda. É a força que tem elevados padrões de vida do Brasil para a Índia. E é a força que permitiu a países emergentes Africanos como a Etiópia, Malawi e Moçambique desafiar as chances e fazer um progresso real no sentido de alcançar os Objectivos do Milénio, assim como alguns de seus vizinhos - como a Cote d'Ivoire - tenham ficado para trás. "

É bom lembrar que, há poucos meses, o representante dos EUA em Moçambique era o tocador do tambor barulhento no “motim” provocado pelos nossos “parceiros” estratégicos que, segundo alguns peritos no assunto, ajudou a potenciar ou está entre as causas da crise que vivemos de momento.

Mas o que é que significa este elogio? O que é que de facto encerra? Para além dos esforços que tem sido empreendidos, não desde Janeiro de 2010 mas já a algum tempo, haverá alguma coisa mais que “precipite” tamanho elogio por exemplo: o desenvolvimento dos trabalhos no Vale do Rovuma ou a pujança com que a China se envolve com África e Moçambique em particular?

Apesar destas dúvidas quanto a motivação de um discurso deste género 9 meses depois de, o mesmo país, ter sido severo nas suas críticas ao país, não tenho dúvidas de que há trabalho que tem sido feito internamente para erradicar a pobreza. Não tenho dúvidas de que, de alguma forma esse trabalho se reflecte na vida das pessoas. Não tenho dúvidas de que continuamos longe de poder tirar o pé do acelerador e relaxar na longa “marcha” pelo bem estar dos moçambicanos.

Aliás, mesmo o Presidente da República está ciente de que há muito que fazer. Reagindo aos elogios, AEG disse que essas declarações “mostram claramente que o país está a avançar rapidamente”, apesar dos problemas existentes e que são típicos do processo de desenvolvimento. Isto é, o PR tem noção de que há ainda problemas a ultrapassar.

Segundo o Presidente moçambicano, as declarações de Barack Obama mostram que os Estados Unidos da América (EUA) têm estado a acompanhar esses progressos.

Seja qual for o móbil, é um elogio vindo de um dos nossos parceiros que foi crítico ao país no início do ano. Seja como for, custa me constatar a ausência das vozes e canais que, internamente, são contestatárias da realidade referenciada pelo Presidente Obama. Estranho o silêncio daqueles que, permanentemente, preferem passar a ideia de que, o Governo moçambicano falta à verdade, quando diz que as suas políticas de combate e erradicação da pobreza estão a surtir efeitos desejáveis.

Pode ser que os consiga trazer aqui. Espero por eles todos: Reflectindo, Machado, Couto, Langa, Mabunda e outros que não os vi tão activos como seria se Obama tivesse dito o contrário do que disse.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Que Desafios ao Novo SG da OJM?

Começou a corrida rumo a eleição do novo Secretário Geral da Organização da Juventude Moçambicana. Já é público que Basílio Muhate manifestou já, formalmente, a intenção de se candidatar ao cargo de OJM, com a pretensão de "imprimir nova dinâmica no seio da organização, motivando-a para enfrentar os desafios da actualidade: pobreza, habitação, empreendedorismo e o elevado custo de vida."

Impõe-se, de facto, a necessidade de imprimir uma nova dinâmica no seio da organização; o assumir de uma postura mais irreverente (própria da juventude) quer no discurso, quer nas acções a empreender, que galvanizem a juventude quer no seio do Partido Frelimo quer fora deste.

Fora do Partido Frelimo? Sim. Tenho a convicção de que uma OJM com uma orientação clara, com um projecto exequível e um conhecimento profundo dos desafios que se afiguram pode aglutinar a volta de si mais do que os jovens frelimistas mas, também, os que não se revêem em nenhum partido ou mesmo os que são membros de outros partidos.

É que, penso eu, não existem problemas e/ou soluções exclusivas à juventude da Frelimo. Existem desafios comuns de uma juventude que pode, a maioria dela, se rever na “nova” OJM a emergir das eleições que se avizinham, assumindo como seu um projecto que esta “nova” OJM oferecer a juventude.

Nesta perspectiva, é de louvar o discurso do, até agora, único candidato conhecido (pelo menos por mim) nesta corrida que aposta numa “OJM que seja parte integrante da solução dos problemas do país,” “aberta e inclusiva, englobando os diferentes estratos sociais” ao mesmo tempo que quer “juntar toda a camada juvenil” para atacar os problemas que afligem a juventude do país.

Esta postura, a vingar, será benéfica a toda uma classe. A OJM, ao juntar no diálogo anunciado “toda a camada juvenil” para a compreensão dos desafios do momento, chave mestra para a concepção de soluções eficazes, poderá constituir-se e/ou tornar-se num espelho no qual a juventude se reveja na busca de soluções para os seus problemas, e como interlocutor válido a todos os níveis, incluindo dentro da estrutura que actualmente define e concebe as principais políticas do país.

Tudo isto requer um programa arrojado; um programa assente num estudo profundo dos desafios do momento e numa capacidade de colocar os desafios e as soluções propostas na agenda dos decisores a nível nacional.

Isto também requer um discurso forte e irreverente que, sem quebrar com as normas internas da organização maior a que pertence, mostre que se trata de uma organização com princípios, normas e causas por defender. Um discurso que não soe a repetição do discurso do Partido, mas um discurso que possa, inclusive, influenciar ele mesmo o discurso da organização maior que é este último.

Portanto, entendo que o desafio maior é o da afirmação cada vez mais expressiva da OJM como potencial líder de uma juventude sedenta de soluções para os inúmeros desafios com que se depara. Deverá pois a OJM assumir o desafio de fazer uma revolução no seu funcionamento, discurso, postura e engajamento que produza a viragem que fará desta histórica organização líder de uma juventude sedenta disso mesmo: liderança.
A causa maior da OJM é a própria juventude com os seus desafios de momento. Parece que o Basílio quer assumir esta causa. Esperemos pelos que lhe seguirão na manifestação de interesse em liderar esta histórica organização.

Pena que caminho para os 35… mas não deixarei de apoiar quem quer um projecto assim. Me parece que o Basílio o quer e, acredito, um projecto assim sera abracado nao so por pessoas de dentro do Partido a que pertence mas, também, de fora deste.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Definindo Estratégias de Comunicação: Urge Falar COM o Povo

Após as manifestações de 1 e 2 de Setembro nas cidades de Maputo e Matola, uma das críticas que se repete diz respeito a deficiente comunicação entre o Governo e o povo. Tem se dito que o Governo fala para o povo e que quando o faz, fá-lo com arrogância, e como forma de sustentacão e/ou exemplificacão chama-se a colação a intervenção do Ministro do Interior a data dos acontecimentos.


Na verdade do ponto de vista das massas, no nosso contexto, não sei que postura se esperava do Ministro do Interior naquele dia e perante aqueles acontecimentos. Porém, sou de opinião de que como político, a postura e o discurso poderiam ter sido outros, mais conciliador e pacificador, reservando-se ao chefe dos polícias, o comandante geral da polícia, ou outro oficial sénior, uma posição mais musculada, caso fosse necessário.

Mas, é sempre fácil fazer juízos a posterior. O silêncio também, se calhar, poderia ter tido consequências mais desastrosas.

Em entrevista ao Jornal o País fim de semana, o professor Elísio Macamo acha que a palavra arrogância muitas vezes usada para caracterizar a postura do Governo "é muito forte.” Diz o professor Macamo que a “acusação de arrogância pode ser uma manifestação de impotência de quem não dispõe de meios para se fazer ouvir no quadro apresentado pela distribuição de voto que temos.” Acresce ainda que “precisamos, também, duma linguagem mais moderada na caracterização do que acontece.”


Em entrevista ao Jornal Domingo, Amilcar Perreira cientista político e docente na Universidade Eduardo Mondlane, entende que da parte do Governo "não há uma estratégia clara de comunicacão e/ou diálogo que ajudaria na actualizacão do cidadão ou populacão sobre os contornos da crise e outros assuntos relevantes."

Até certo ponto concordo com eles e, fundamentalmente, com o apelo do professor Macamo no sentido de que “neste momento de crise precisamos de muito mais do que, simplesmente, uma atitude conciliatória do Governo do dia. Precisamos, primeiro, duma coligação moral de democratas que digam em voz alta que se opõem a violência como processo político.” Muitos dos opinaram durante ou após os tumultos que se pretendiam manifestacão foram sempre no sentido de justificar os actos que iam ocorrendo, secundarizando a condenacão da violência e pilhagem.


De qualquer forma, a meu ver, urge definir um mecanismo claro de comunicação entre o Governo e os governados. Comunicação no sentido de “troca de informação entre indivíduos através da fala, da escrita, de um código comum ou do próprio comportamento”para “permitir uma maior capacidade de entendimento entre as pessoas através do diálogo”conforme define o dicionário online Porto Editora.

Haverá diferença entre falar para o povo e falar com o povo? Creio que sim. Tomemos o exemplo do Presidente da República: (i) fala para o povo nas suas mensagens do fim do ano por exemplo e (ii) fala com o povo nas sessões de presidência aberta.

Quando se fala com o povo permite-se alguma interacção que, com maior facilidade, ajuda na assimilação das mensagens que se pretende passar. Quando se fala para o povo esta interacção, pelo menos directamente, não existe. Apenas enunciam-se ideias cuja assimilação depende do maior ou menor sentido apelativo de quem emite o discurso.

Os fenómenos de 1 e 2 de Setembro remetem-nos para a ideia de que os acontecimentos a nível global devem ser levados a conhecimento dos moçambicanos nos diálogos que se vão tendo com o povo, este povo que, ao contrário do que Machado da Graça pensa, entende muito mais do que de enxada de cabo curto.

Este diálogo não deve ter no PR o único interveniente. Todos os dirigentes, a todos os níveis, devem ser activos no “falar”com o povo disseminando a mensagem cujo desconhecimento pode ter precipitado os tumultos tidos por manifestação nos dias 1 e 2 de Setembro.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Mais Uma Vez Machado da Graça, Mais Uma Vez Desqualificando os Moçambicanos

É interessante a forma como, algumas vezes, Machado da Graça se pronuncia e se posiciona no debate público nacional. Muitas vezes é chocante. Irritante até, quase a chocar ao mais desqualificável desrespeito e despeito por todos nós.

É chocante quando, por exemplo (mesmo que fosse sarcasticamente), nós moçambicanos somos reduzidos a pessoas que “pouco mais conhecem do que a sua enxada de cabo curto,”isto é, ignorantes com quem é impossível qualquer diálogo. É isto que Machado da Graça nos diz na sua crónica de última sexta-feira a propósito das escaramuças havidas a 1 e 2 de Setembro de 2010, uma crónica também reproduzida aqui.

Portanto, se nas presidências abertas o Presidente da República fala com quem não devia falar porque ignorantes, burros já que “pouco mais conhecem do que a sua enxada de cabo curto,” e se na confusão de 1 e 2 de Setembro, diferentemente das de 5 de Fevereiro, não havia interlocutor conhecido, deve haver uma casta especial de moçambicanos iluminados, que devem liderar esse diálogo já que, igualmente, para Machado nem os sindicatos servem já que, “os sindicatos não representam nada nem ninguém.”

Indicou nos o bom do Machado, os burros, os ignorantes as pessoas deste Moçambique “pouco mais conhecem do que a sua enxada de cabo curto”) os que não servem para nada (os sindicatos). Creio que só a modéstia compeliu o nosso conhecido colunista de indicar os que deviam capitanear os ignorantes no diálogo sugerido com o Governo.

Tal como Viriato Tembe com quem concordo, acho “estranho que este inteligente analista venha a chamar os camponeses moçambicanos, a maioria do nosso povo de burro. E exactamente por "pouco mais conhecerem do que a sua enxada de cabo curto" as conversas que estes nossos concidadãos mantêm com as autoridades não são qualificadas, segundo este eminente analista.”

E há quem, apesar de tudo, pensa que as nossas mães, avôs, primas e primos que não falam português nada percebem da vida e dos homens e suas vicissitudes. Pergunta Abdul Karim lá no Reflectindo “Percebem tudo? Está bem, então diga-me lá um camponês que não fala português, como o presidente explica PIB para ele em changana ou outro língua materna”então minha gente, mais de metade da população moçambicana é burra. Que enormidade…

Mas de verdade, apesar de não mais me surpreenderem os posicionamentos deste senhor e outros a ele acolitados, é preciso dizer que estamos sempre atentos. É preciso dizermos-lhes que apesar dos truques retóricos, estamos sempre atentos aos insultos a nossa inteligência e que temos inteligência o suficiente para os dispensarmos para o merecido descanso.

Desengane-se quem pense que estas coisas são novas. Já as denunciei quando em 2003 nos chamaram as mesmas coisas quando, pela imprensa tentaram nos vender a ideia de que os que lutaram pela independência do país o tinham feito pelos mais vis objectivos, substituir-se aos colonos.

Estas manias do Machado da Graça de olhar para os moçambicanos como faz na última crónica, aqueles que “pouco mais conhecem do que a sua enxada de cabo curto,” foi também denunciada por G. Muthisse num texto fantástico intitulado “os amuralhados raciais.”

Mais do que isso, a pregação de um apocalipse anunciado de algo “mais grave”que pode acontecer para além de prenunciar um regozijo sempre que estas coisas acontece, serve também para reforçar o posicionamento destes ilustres senhores, como que a dizer, temos dito, não nos ouvem, estamos aqui, prontos para ajudar.

Mas podemos tomar decisões sem eles. Disso deu exemplo o nosso Governo esta terça-feira.
Bem haja Moçambique cujo povo, apesar de “pouco mais conhecer do que a sua enxada de cabo curto,” ganhou o direito de decidir por si sobre o seu futuro, já lá vão 35 anos ao longo dos quais foi produzindo gente capaz de levar Moçambique para frente, gente da terra que ganhou seu espaço a despeito dos que, durante muito tempo pensaram que o país pararia sem eles. Um deles é Machado da Graça que agora se especializou em dizer mal do Governo e em insultar os moçambicanos, os tais que “pouco mais conhecem do que a sua enxada de cabo curto.”

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Corrupção, Sabemos o que É?

O Governo do dia e, em partuclar, o Presidente da República declararam uma guerra sem tréguas contra a corrupção. Moçambique tem uma legislação que reputo aceitável sobre o assunto. Este assunto que já foi, também, tema privilegiado de inúmeros colóquios, seminários, debates etc. (por exemplo, aqui).

O Rapper Azagaia j’a gritou, numa das suas músicas, “corruptos fora” e multiplicam-se, por aí, canções, discursos, panfletos etc ora denunciando a corrupção e ou corruptos de ocasão, ora instigando Moçambique a lutar contra a corrupção e a denunciar corruptos.

Nada contra. Porém, assusta-me (só de pensar) a ideia de que, se calhar, muitos falam deste fenómeno sem o conhecer/dominar. Assusta-me a ideia de pensar que, se calhar, grande parte da população do meu país não conhece o fenómeno para o qual é chamado a combater, principalmente, quando não poucas vezes se faz confusão entre melhoria de vida e corrupção, como também pelo clássico toda a “gente sabe.”

Estarei enganado? Sabemos mesmo o que é corrupção?

Não seria esta altura de ensinarmos nas nossas escolas o essencial sobre este assunto, desde as primeiras classes, ensinando, ao mesmo tempo, boas práticas aos mais novos numa visão de fututo e de cidadania militante e consciente?

Revejo os livros das primeiras classes e fico com a ideia sobre o como perdemos oportunidade de ensinar estas coisas ao mesmo tempo que vai se mentalizando nas cabeças também da criançada a ideia deturpada de desconfiar de todo que aparente viver bem.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Custa Dialogar Com o Presidente da Republica?

Não posso afirmar com muita certeza, mas o Presidente da República de Moçambique S. Excia Armando Emílio Guebuza deve ser dos poucos presidentes africanos que mantém várias linhas de contacto com os governados. Isso acontece quer atraves das presidências abertas e inclusivas, quer através de um blog que, até onde sei, não tem espécie alguma de censura.

Em tempos escrevi sobre a necessidade de diálogo entre a classe política dirigente e os cidadãos em que os “dirigidos” poderiam, livremente, interpelar os dirigentes sobre as políticas publicas, ideias, apresentar sugestoes etc.

Quando o cidadão Armando Emílio Guebuza, no auge da Campanha eleitoral lançou o seu blog e, através dele, interagia com seus potenciais eleitores, e não só, muitos de nós apelamos que aquele espaço não encerasse com o advento das eleições.

O blog do Presidente da República reeleito continua no ar. Nele continuam a ser publicadas as visões do líder moçambicano o que me enche de alegria.

Infelizmente, apesar da existência deste espaço parece que nos demitimos de interpelar o nosso líder da nação. Perante a oportunidade de podermos dialogar com o PR, simplesmente nos mantemos num mutismo que não consigo perceber.
Perante a hipótese de interpelar a fonte primária da expressão “Geração da Viragem” alimentamos debates intermináveis sobre este conceito, sem irmos, nem se quer a fonte originária (aqui) para avaliarmos o que o seu proponente primário pretende com o tema.
Será medo? De quê?

Porque não destilamos o nosso saber que, incansavelmente, mostramos em debates que ficam no crivo dos nossos emails apenas, discutindo com o PR o seu pensamento sobre o nosso futuro? Porque não aproveitamos a sua abertura para, com urbanidade, propormos a nossa visão do rumo que o país deve tomar?

Porque não pensamos, como aconteceu no início, dos nossos debates podem nascer novas abordagens sobre os mais diversos assuntos?

Ou será que somos de opinião de que o PR não pode ser questionado? Infelizmente, a ser esse o pensamento, perdemos a chance de dialogar com alguém que já mostrou valorar as ideias saídas destes espaços.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Autarquias, Um Vinculo Proximo no Processo Democratico e no Exercicio da Cidadania por Aproveitar

Em Outubro de 2008 escrevi aqui sobre as “Autarquias da Nossa Cidadania” procurando visitar o entendimento que temos do processo de autarcisação do país e as oportunidades que se abrem para a participação cidadã com o processo.

Da leitura da Lei 2/97 de 18 de Fevereiro, que estabelece o Quadro Jurídico para a Implementação das Autarquias Locais, resulta claro que estas visam organizar a participação dos cidadãos na solução dos problemas próprios das suas comunidades e promover o desenvolvimento local, bem como o aprofundamento e a consolidação da democracia.


Dessa forma, os municípios constituem uma oportunidade de como cidadãos conscientes, criarmos um vínculo ao nível mais próximo (Municipal em contraposição ao Nacional) através do qual influenciamos positivamente a tomada de decisões com impacto nas nossas vidas, quer participando na tomada de decisões pelos mais diversos meios ao dispor (cartas, petições, audiências etc), quer, dentro da legalidade estabelecida, exigindo, por exemplo, maior cobertura e melhores serviços públicos dentro das áreas dos nossos municípios.

1. Como tornar próxima esta relação entre o cidadão e o seu Município?
2. Como introduzir a consciência de que, pela sua acção, o cidadão tem, também, responsabilidade em muitas das coisas boas e más que acontecem nos nossos Município? (na gestão dos resíduos sólidos por exemplo, deitar o lixo em lugares apropriados facilita o trabalho dos que tem que fazer a recolha desses resíduos enquanto que, o contrário, dificulta e torna a cidade ou vila suja, feia, objecto de reparos desabonatórios etc)
3. O que tolda a capacidade do munícipe em Participar na tomada de decisões que lhe afectam a nível municipal?

Tal como em Outubro, continuo a pensar que a autarcisação é um veículo que está sendo desaproveitado para o alcance de determinadas soluções para o nosso próprio bem estar.

Parece evidente que as pessoas têm a noção clara do que o Município tem e deve fazer; por exemplo, recolher o lixo, reparar as estradas etc. Estas são reclamações recorrentes dos munícipes de quase todo o país.

Da mesma forma, os municípios clamam por mais meios materiais e financeiros, impelem os cidadãos a pagarem os seus impostos e taxas etc. Porém, em minha opinião, e vendo os objectivos norteadores de todo este processo, creio que mais do que um recolher lixo e outro pagar as taxas e impostos autárquicos, há ainda um longo processo de participação cidadã que deve ocorrer, no qual todos participam na solução dos problemas das suas comunidades apontando o que vai mal, ao mesmo tempo que propõem soluções.

É um desejo que assim seja porém, há ainda um grande déficit de cidadania que não nos permite ainda ganhar consciência do nosso poder enquanto cidadãos e, através dele, encurtar a distância entre as "estruturas" e o "povo." Não falo de manifestações como as que já vimos, nem de acções estilo “lixo na rua” como também já vimos; trata-se de espevitar a nossa veia criadora e apartarmo-nos da visão clássica do espectador que apenas assiste e nada pode fazer para influenciar o desenrolar do espectáculo.

No caso das autarquias há muito que podemos fazer.

Reitero os desafios que coloquei em Outubro no sentido de que é necessário criar (onde não existem) ou aprofundar (onde já existem) mecanismos reais para "aproximar" cada vez mais os munícipes das estruturas criadas nos municípios para a canalização de problemas e as respectivas propostas de soluções. É necessário criar a capacidade de, a cada momento, interpelar os dirigentes (a todos os níveis) com vista a solução dos problemas próprios das nossas comunidades e promover o desenvolvimento local, bem como o aprofundamento e a consolidação da democracia.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

FMF vs Mart Nooij

Nunca tinha visto tanto zig-zag para a contratação de um seleccionador para qualquer equipa nacional como está a acontecer agora no caso do futebol.

Os contornos deste assunto há muito são falados. Há muito que se fala, discute-se e especula-se. O que não consigo vislumbrar é como será a convivência caso a posição/opção governamental vingue e Mart seja ou tenha que ser indicado, de facto, seleccionador nacional.
Sidat já disse que “nenhum acordo vai ser discutido com Mart Nooij” e que Mart Nooij há muito que é assunto encerrado na FMF, apesar de existir uma comissão (mais uma) criada pelo Governo e FMF para tratar deste assunto. Está claro que Sidat não quer Mart e espera do dinheiro do Governo para pagar o seleccionador por si pretendido (um tal David Nascimento) e parece evidente que o Governo precisa de outro tipo de respostas para além das que a FMF e Sidat deram para prescindir de Mart para continuar a dar dinheiro para pagar seleccionador. Ariscaria a dizer que o Governo quer Mart.

Neste quadro, como será a convivência Mart vs FMF? Estamos a tomar as opções certas para o fim que pretendemos atingir? Sendo Mart o eleito, haverá espaço para este desenvolver um trabalho meritório integrado numa estrutura que, claramente, o repele?

Que caminhos?