quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Que Jornalismo Temos em Moçambique? (2) Que Leitores Somos?

Retomo este tema sempre fascinante sobre o jornalismo moçambicano numa outra perspectiva: que leitores somos? Esta nova abordagem foi me induzida pelo comentário de Elísio Macamo (aniversariante na próxima semana) ao meu post anterior sobre o assunto, que reproduzo abaixo.

Que leitores somos camaradas?

Ola a todos,

Acho que os problemas apresentados pelo nosso jornalismo não são unicos. nestas bandas tambem ha jornalismo que só arrepia, incluindo imprensa dita de qualidade.

Uma coisa que me parece susceptivel de disciplinar melhor os jornalistas é a qualidade de leitura. Os leitores têm que ser mais criticos, mas aqui é onde reside o nosso principal problema como, aliás, podemos ver em muitas discussões mesmo nos blogues onde continuam a verificar-se casos de gente que não lê atentamente o que os outros escrevem, mas sente-se habilitada a fazer comentários profundos.

No meu defunto blogue investi algum tempo e esforço a atacar esse problema, mas em muitos casos foi em vão. Portanto, Júlio, esqueça os jornalistas. concentra-te nos leitores!

Aproveito desejar boas festas a todos!

e. macamo

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Propósito dos 61 Anos de Miragem

A propósito de Direitos Humanos: 61 Anos de Miragem, um post publicado no Blog do meu amigo Custódio Duma, e trazido a debate via email pelo desaparecido Salema (o Ericino), o Milton Machel colocou algumas questões que julgo importante ampliá-las por esta via para benefício dos que não receberam o Email. Reproduzo igualmente a resposta do Ericino ao Milton.

Basílio e Salema, meus caros. Algumas inquietações de ocasião:

O que significa, de facto, quando proclamamos A Luta Continua? (vamos continuar a fazer as mesmas coisas, a lutar do mesmo jeito?)

O que é isso de Geração da Viragem que somos agora (que viragem pretendemos induzir e conduzir)?

Que Utopia nos impele e compele a Lutar por Moçambique (para Moçambique ser o que)?

Por que Direitos afinal estamos a lutar? Em que etapa da Luta pelos Direitos Humanos estamos? Como estamos a lutar?

Qual o sentido de autocrítica nessa Nossa Luta pelos Direitos Humanos?

Ate que ponto somos, os mais esclarecidos, os mais privilegiados, os mais mediáticos, agentes dessa Causa em cada acto público nosso?

Andamos a pregar, palestrar, debater os Direitos Humanos, mas que pedagogia dos Direitos Humanos realmente praticamos?

Será mesmo o mais importante que A Luta Continua, qual praxis...ou como continuar a Luta?

Se me conseguirem responder ao meu Estado de Inquietude patente neste questionário, ser-me-ão de grande ajuda... há um pensamento em mim que se quer organizar sob a orientação desse puzzle de questões, mas não encontro a bússola manos, ajudem-me a acha-la!!!

Bem, retorno a minha reclusão sabática na companhia do Obama (A Minha Herança) e do Amin Maalouf (As Identidades Assassinas)...prontos, the struggle must continue...but what struggle, and How?

Aquele abraço, MM

Caro Milton,

Em prefácio à primeira edição do “Compêndio de Documentos-Chave dos Direitos”, Julia Dolly Joiner, comissária para os assuntos políticos da União Africana, refere que os Direitos Humanos, a segurança humana e o desenvolvimento humano são interdependentes, indivisíveis e inter-relacionados, constituindo, assim, elementos inseparáveis na demanda de África pela prosperidade.


O continente em que o nosso país se situa continua, hoje por hoje, a enfrentar sérios desafios no que diz respeito aos Direitos Humanos. O genocídio de 1994 no Ruanda, diz Julia Joiner, é a mais vívida recordação da necessidade urgente de reforçar a nossa determinação e os mecanismos para a concretização dos Direitos Humanos para todos em toda África.


Por cá, é por demais óbvio que há muita luta por ser levada a cabo, para que os Direitos Humanos sejam sinónimos de segurança humana e de desenvolvimento humano. Sem, nisso tudo, nos esquecermos do facto de o Estado ser o único sujeito activo do crime de direitos humanos.


Quando se diz a luta continua, não se pretende, penso, significar que, no campo da comunicação social, por exemplo, continuaremos a dar o nosso contributo sem investigação; que, no campo do acesso à justiça, continuaremos a ‘conviver’ com inúmeras almas impedidas de aceder à justiça, devido às elevadas custas judiciais; que, no domínio da efectivação do direito à habitação, continuaremos a achar ‘normalíssimos’ o convívio com juros proibitivos. Continuar a luta é alterar o status quo, onde tal se mostra necessário. Sempre, mas sempre mesmo, com a necessária sofisticação e determinação.


No campo dos media, em particular, conforme explicava há meses em entrevista ao “Bantulância”, de Josué Bila, a luta no domínio dos Direitos Humanos não pode ser somente feita com um ‘jornalismo pão e manteiga’…


Outra vez, mano Milton, “A Luta Continua!”, como canta a saudosa Miriam Makeba. Venceremos? O mundo da utopia pode nos proporcionar óptimas respostas a esta indagação…que nada tem de helénico!


Pergunto: o caminho está claro?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Que Jornalismo Temos em Moçambique?

Por causa da leitura deste blog sugerido por um amigo por email, cá estou eu de volta a um tema que me fascina: jornalismo.

Compatriotas, que jornalismo temos em Moçambique?

No blog que sugiro tem os seguintes statements:

  • O mau jornalismo não presta serviço à sociedade.
  • O mau jornalismo não procura a verdade.
  • O mau jornalismo é pago para propagandear.
  • O mau jornalismo é feito para fazer lavagens cerebrais.
  • O mau jornalismo não procura o onde, quando nem o porquê.
  • O mau jornalismo NÃO APAGA a memória nem branqueia crimes.
  • O mau jornalismo é um fait-diver.
Que relação existe entre o listado acima com o jornalismo feito em Moçambique? Reconhecemos algo do nosso jornalismo nesses ou em algum desses dizeres?

Um abraço.

(espero que a Zenaida, o Mapengo, o Milton, O BULDOZER - sabem de quem falo hehehe - e outros grandes jornalistas e comunicadores passem por cá... e que não me trucidem)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Chapas, um Problema Sério

O Professor Carlos Serra publica aqui uma reflexão interessante sobre um problema (real diga-se) por ele constatado ao ver “umchapa 25 lugares. Estado miserável, todo cheio de mazelas, um horror fumegante, pneus carecas, o pneu traseiro esquerdo em baixo, completamente lotado de estudantes e funcionários.”

Se calhar muitos de nós cruzamos com dezenas de chapas nesse estado. Invariavelmente lotados e sempre “dispostos” a levar mais alguém. Se calhar é neles que nos fazemos transportar de e para casa. Se calhar 60% dos chapas que circulam na cidade de Maputo estejam no estado descrito pelo professor mas, infelizmente, é neles que muita gente se faz transportar.

Porque será?

Diz o professor que “o problema não está no ilícito culposo materializado no carro e nos polícias que o deixam circular, o problema não está na dominação dos pequenos caciques que querem enriquecer rapidamente e sem escrúpulos, o problema real está em nós aceitarmos a dominação, em a termos na alma. É esta impotência que me molesta, é este o real problema.

De facto, todos reconhecemos que o estado mecânico de maior parte dos chapas que circulam não é o melhor. E não é só a aparência que assim o dita: o coxear dessas viaturas, os gases espelidos, etc mostram que estão BAD.

Mas mesmo assim continuamos a apanhar esses carros. Porque será?

Infelizmente a cidade de Maputo, com o deficit no serviço público de transporte urbano, apesar do esforço dos TPM e da entidade de tutela, faz de nós reféns dos chapas. Mais do que “vivermos chapascomo diz o professor numa das adendas ao post, está a necessidade de sobreviver, pondo comida na mesa, que muitas vezes depende única e exclusivamente de apanharmos chapas se quisermos manter a fonte que nos garante o pouco para esse efeito. Para chegarmos a faculdade muitas vezes dependemos desses chapas podres, de onde (sem olhar pela janela) podemos contar os buracos da estrada. Muitas vezes ter um mini bus de 25 lugares é um luxo. Há quem se faz transportar em camiões, carrinhas simples etc.

Há soluções a vista? Que podemos fazer?

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Governo, Economia & Banca (Actualizado)


Recebi a imagem que reproduzo abaixo e dei comigo a conjecturar sobre a interacção Governo, cidadãos e os diversos sectores económicos na sustentabilidade da (frágil) economia Moçambicana.

Será que a figura abaixo poderia caracterizar as (co)relações em Moçambique?
Basílio, dê luz.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Analisar O Todo Pela Parte

Há quem acredita cegamente que a parte é o todo. Facto, é que a parte pode ser forte às vezes, mas nunca em ocasião alguma se pode substituir ao todo. Isto porque o todo é fruto de múltiplas partes, daí que, não podemos extrair uma parte do conjunto a que faz parte e temo-lo como poderosa e logo, capaz de superar o todo.

Mas deixemos de filosofias para o concreto: o nascimento do MDM trouxe, em Alguns, um sentimento de que o MDM, e seu candidato superariam tudo e todos. Houve muitos, que passaram a olhar o “todo” (pais), a partir da “parte” [Beira/Sofala(?)].

Olharam para a popularidade do MDM e seu candidato a partir de Sofala e logo, deduziram, que em Moçambique inteiro, o MDM tinha inserção.

Foram e são estes, que ante a exclusão e por motivos tão óbvios como os de incapacidade para montar uma máquina partidária plena em todo o pais, não quiseram aceitar, desdobrando-se em desculpas da inclusão e da CNE servir os objectivos do partido no poder.

Mas, maior dança, assistiu-se aqui na blogosfera, onde o MDM e seu candidato, foram tão agigantados, tão agigantados, que mesmo os que tem a capacidade de pensar este pais, fora dos escritórios com temperatura à medida, começaram a acreditar que o MDM (parte) se podia substituir ao todo.

Sentimos até arrogância por parte de alguns blogers, que tendo vivido na ânsia de receber a luz, receberam-na em quantidade superior, o que, provocou cegueira, ao ponto de não conseguirem enxergar a verdade.

E fugia-lhes a verdade do trabalho visível que o candidato Armando Guebuza fez durante o seu mandato; fugia-lhes a verdade do facto deste ter palmilhado o Distrito e empoderar-lhe; deste, ter mantido contacto directo com o seu povo, num pais, em que o Presidente se conhecia dos retratos disponíveis nas instituições.

Fugia-lhes acima de tudo a obra que foi a governação do candidato Guebuza que, bastou que o candidato do MDM anunciasse a sua candidatura, e com algum peso de história que este carrega, e dos feitos (que precisam ser reanalisados na governação) deste no Município da Beira.

Sim, reanalisados, porque o mesmo contentamento que o povo da Beira teve no mandato anterior do Deviz (início), parece-me que foi sol de pouca dura (mas esta é matéria de um próximo post).

Assistimos a blogers arrogantes, como se investidos já de poder (no fundo denunciavam a sua postura se tomassem o poder), onde o outro (da FRELIMO entenda-se), era tratado com todo o desprezo, com todos opróbrios que o dicionário já conheceu; tratado, como não pensante.

E pensavam somente os pro MDM e seu candidato.

Alguém dirá que estávamos em guerra e que todo o pensamento para derrubar o adversário valia, mas que se diga, um pouco de bom senso se recomendava, porque vir com discursos de gerações que nunca existiram (28 de Outubro), senão na cabeça de quem os anunciava, pensar que não se podia parar o vento (Mbepo) com as mãos, quando nunca houvera ventania senão nas cabeças de quem a anunciava, acreditar em sondagens e inquéritos que eram feitos pelos próprios e com direito a votos plúrimos, não pode justificar a guerra movida. Aquele pensamento, justificava a arrogância que tomou conta de todos desde o candidato do MDM, alguns membros, jornalistas que liam os blogues e acreditavam que aqueles reflectiam o Moçambique.

Até, chegaram estes, a vaticinar uma Segunda volta (?) entre o candidato da FRELIMO e o do MDM.

Ora, senhores, uma possível segunda volta seria e por mera hipótese académica com o líder da RENAMO, que os seus apoiantes nunca vieram a blogosfera e não assistem televisão (eleitorado rural).

Queria, e mesmo a finalizar este texto atípico, dizer que me reconcilio com o todos os meus irmãos blogers que me insultaram de todas as formas (porque acredito que o faziam pensando no bem estar de Moçambique) e lanço um convite, para que não desapareçam como o fazem agora, que voltem ao convívio da blogosfera, para que recomece o debate, que deve ser permanente.

Anuncio que continuo aqui; não fui a lugar nenhum já que não corria para lado nenhum. Continuarão me encontrando sempre onde me encontravam já que não sairei daqui de onde sempre observei o meu pais.Um abraço a todos e não a partes.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Do Vídeo da Fraude _ Uma Brincadeira de Muito Mau Gosto que Não Devia Ficar Por Ai

Circula um vídeo que, supostamente, "prova" fraude cometida por elementos de uma mesa de votação. Não me quero alongar no assunto por que está a ser, por demais, escalpelizado aqui. Chamo apenas a atenção às perguntas que o meu amigo Amosse Macamo deixou num comentário .

Sobre o vídeo, acrescento algumas (e que sei que vão nortear o julgador) caso o video seja presente às instâncias competentes:

Primeiro: quem é o dono do celular?

Segundo: quem as tirou é votante naquela mesa? Se sim, já tinha votado? Ou é de uma outra mesa. (isto é relevante porque a lei, fora os observadores, não pemite a permanência de quem já tenha votado no lugar da votação, isto por um lado, e se já tinha votado numa outra mesa, o que estaria a fazer naquela? A não ser que a pessoa que captou fosse obserador, porque caso não, questionariamos: como sabia que de entre váios postos de votação, justamente naquele haveria a inutilização dos votos?

Terceiro: de que ponto e ângulo captou as imagens?

Quarta: saber se quem gravou, milita em algum partido e qual? E mais se desempenha no mesmo partido, algum cargo.

Quinto: a que horas foi feita a filmagem(isto se levarmos em conta que a votação só termina as 18 horas e a abertura das urnas só pode ser feita depois destas horas e isto, claro dependendo do fluxo dos votantes)? É, pois sim, importante saber a hora que medeia entre o fecho da mesa, e o da filmagem (muito importante). Reparem, estas perguntas são as preliminares, seguir-se ia depois e como diligência, a peritagem por especialistas, para confirmar se a mesma filmagem foi feita no dia, hora e espaço a que se alude.

Uma coisa importante nisto, é que a nossa legislação penal, diz que o ônus de prova é de quem acusa, no sentido de que, este deve apresentar as provas que julga suportarem a sua acusação, pelo que, exige-se a idoneidade e credibilidade das provas que são presentes, pois, o julgador se as considerar inidóneas, pode até não as receber.

No que se refere a este vídeo, não gostaria de colocar as coisas na questão da aceitabilidade ou não,mas sim, na propensão da manipulação das imagens e da verdade dos factos.

Hoje, as novas tecnologias, colocam um desafio ao direito, na questão da prova, isto porque, com as tecnologias de ponta, um indivíduo pode estar num sítio que nunca esteve,pode inclusive cantar quando nunca cantou, pode dizer palavras que nunca as pronunciou, pode quase tudo que a teconolgia permite e ai está, como dar cobro a estas situações.



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Malas, Resultados, Debates: A Resenha Possível Por uma Nova ERA

Durante aproximadamente 60 dias o assunto mais recorrente em vários canais foi o relativo ao momento eleitoral que atravessámos.

Não faltaram as habituais adjectivações.

Não faltaram as manifestações de patriotismo.

Não faltaram manifestações de amor e fidelidade partidária.

Não faltaram projecções de revoluções.

Não faltaram prognósticos e até “sondagens e ou inquéritos” (sobre quem é o candidato ou partido favorito) proibidos pelo artigo 24 da Lei n.º 7/2007, de 26 de Fevereiro, no período que medeia o início da campanha eleitoral e a proclamação do resultado das eleições, como bem referiu o Nero.

Até as representações diplomáticas tiveram o seu “tempo de antena” pelas razões, quanto a mim, mais indecorosas e descabidas: imiscuir-se nos assuntos internos de um Estado, quais professores se contradizendo já que o motivo de tal “imiscuicência” (se esta palavra não existia acabo de a inventar e patentear) era o cumprimento da legalidade que deve fundar um Estado de Direito que todos nós, com ajuda deles, queremos que Moçambique seja e se fortaleça. Neste caso queriam o contrário.

Não faltaram notícias de observadores tendenciosos.

Mas, o mais importante, é que as eleições realizaram-se e todos são unânimes em afirmar que foram livres e justas; o povo expressou a sua vontade sem constrangimentos de nenhuma ordem. A FRELIMO e Guebas cilindram os adversários sinal de que o povo pensa diferente do que muitos compatriotas andaram aqui a perspectivar: o divórcio do povo (em nome de quem diziam falar) com o seu partido e o seu presidente.

Este processo fez me rever os debates sobre a corrupção muitas vezes baseados no: toda a gente sabe. Confesso, fiquei preocupado. Muito preocupado diga-se. Não que tenha constatado um acto corrupto em si mas por ter nascido em mim a dúvida sobre a base a partir da qual muitos compatriotas discutem o fenómeno (preocupante sublinhe-se) que é a corrupção no nosso país.

Acredito que há aqui muita ignorância sobre o assunto.

Fiquei preocupado por pensar que, se calhar, muitos tomam a gestão de fundos públicos a imagem da mala de Afonso Dhlakama. Não seria de estranhar afinal, algumas vozes mais audíveis um dia carregaram aquela mala (ou ajudaram a que quem a carregasse não a perdesse).

A mala está ali, recheadinha, disponível e, a qualquer momento podemos lançar mão dos fundos, comprar carros para nós e nossos filhos, viajar para as praias paradisíacas desta pérola do Índico, escondermo-nos algures (escondidinhos não faltam), etc.

Mas não é assim. Os fundos públicos têm normas e sistemas próprios de gestão. Seria interessante desmistificar a plataforma a partir da qual muitos olham este fenómeno. E vi com preocupação o exemplo da mala reportado pelo Savana. Espero que desta vez, também, não estivesse enganado.

PS:

Uma das formas de criar “monstros” é deixar que coisas erradas sejam tomadas por certas. As palmadinhas nas costas do tipo “és bom” têm, muitas vezes, o condão de criar estes “monstros” que, do ponto de vista intelectual, é extremamente perigoso. Não poucas vezes deparamos aqui com “teses” cuja base de sustentação é tão frágil ou inexistente que brada aos céus e, não poucas vezes também, quando se procura essa tal base quem o faz é acusado de estar a escamotear a verdade e a não querer “ver o óbvio” que ainda ninguém mostrou. Criamos assim o ceguinho e o oftalmologista que tem que o fazer ver… comecemos a sustentar o que dizemos.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A MANCHA(CHETE) DO SAVANA: Haverá Rectificação?

Na edição do último fim de semana, o "independente" Savana brindou-nos com a fantasmagórica notícia de que, afinal, a empresa que conceptualizou o software eleitoral não existe.

A construção da notícia (como diria Chakwatika mentícia) baseou-se em elementos frágeis como a certidão de reserva de nome e, me parece, sem um esforço adicional de investigar outras formas de certificação da existência dessa entidade, por exemplo, através da Imprensa Nacional (publicação dos estatutos no Boletim da República) e/ou outras formas de registo. Me parece que foi tudo às pressas para criar manchete.

Do Notícias, do País veio o desmentido, a reposição da verdade. A Labsoft existe. Uma pergunta que não me larga é: qual será a postura, a actuação do Savana face a esta verdadeira MANCHA feita manchete este final de semana? Haverá pedido de desculpas? Haverá, com o mesmo destaque, reposição da verdade e a reposição do bom nome das instituições visadas?

Esperemos para ver.

Mas, quanto a mim, este artigo que gente informada tratou de chamar mentiroso é o culminar, como alguém já disse, de uma campanha de desacreditação dos órgãos eleitorais e do processo como um todo. Os editoriais de semanas antes iam no mesmo sentido... acho que, a mentícia era mesmo para esfolar de vez com a CNE e o processo eleitoral como um todo mas, viu-se, foi um verdadeiro tiro numa parte bem sensível.

Quero crer que o editor do Savana, como pessoa de bem, não perderá chance de repor a verdade e desculpar-se perante a CNE, a empresa visada e, logicamente, a todos os moçambicanos de bem que pagaram um jornal com uma notícia mentirosa feita manchete.

Adenda 1: Martin de Sousa escreve (aqui) sobre o semanário que costumava dizer a verdade.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Responsabilização

Estamos a uma semana das eleições presidenciais, legislativas e das AP's. Estamos a uma semana de decidirmos a nova composição da AR, de decidirmos quem será o servidor público nº 1 da nação e a composição das Assembleias Provinciais.

Haverão vencedores!!! Haverão derrotados. De qualquer forma, como moçambicanos e patriotas, todos procuraremos (espero) levar este barco (Moçambique) a bom porto, contribuindo com o melhor do nosso saber para esse fim.

Há várias questões que me coloco quando penso naqueles que sairão derrotados (sejam eles quem forem):

  1. que consequências terão os resultados eleitorais nos partidos que não conseguirem alcançar os resultados a que se propuseram?
  2. Assistiremos, a exemplo do que acontece no PSD em Portugal, à convocação dos órgãos do partido para discutir os resultados eleitorais e traçar directrizes de actuação?
  3. Assistiremos a debates sobre a necessidade de novas lideranças como consequência do insucesso eleitoral?
  4. Assistiremos ao surgimento de candidatos para a liderança desses partidos com o desiderato de lhes darem nova dinâmica tendo em conta os pleitos que se seguem (autárquicas 2013 e gerais 2014)?
  5. Qual será a actuação desses partidos no pós eleições?
E o partido ganhador?

  1. De entre as várias recomendações explícita e implicitamente deixadas pelos eleitores, em cartas, nos blogs e várias outras plataformas, quais serão as prioridades?
  2. Que interacção haverá, que abertura haverá para que as ideias válidas dos derrotados, sejam tomadas em conta para o desiderato de desenvolver o país?
  3. Continuará havendo espaço para interacção, discussão e apresentação de ideias sobre o que vai bem ou mal no país?
  4. Que espaços devem ser criados, e que iniciativas devem ser reforçadas para que o cidadão participe e sinta, cada vez mais, que é parte de tudo o que se passa e do que não se passa no país?
  5. Que acções serão tomadas para despertar a cidadania e fazer cada moçambicano sentir-se incluso nas soluções que se pensam para os problemas do país?
Falta uma semana!!!