segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Vida em Comunidade

Fui a Mandlakazi.
Aliás, eu estou sempre em Mandlakazi mesmo quando estou em Maputo ou em qualquer lugar do país ou do mundo. Eu sou dali.

Dizia que fui a Mandlakazi mas não a minha localidade natal. Fui a casa de um amigo (na companhia deste) em Cjidenguele. Chegamos cedo e apesar de termos “madrugado” não encontramos o velho. Sua esposa, mãe do tal amigo, tratou de explicar num chope interessante: “vosso pai não está. Foi a casa de … resolver um problema. É que viram a pegada de… a sair da casa da … esta manhã.” Acrescentar aqui que a fulana da casa de quem a pegada madrugadora foi detectada a sair é casada com um madjonidjoni.

Rimo-nos a valer.

Para quem tem raízes e vivência campesina facilmente perceberá que uma pegada deixada ao amanhecer é diferente de outra deixada com o sol já alto e havendo apenas indicação de pegada de saída pela manhã significa que o individuo tinha passado lá a noite.

Imaginem o modelo de resolução desse imbróglio. Contaram me que os Madodas reunidos não seriam factor de desmantelamento do lar do Madjonidjoni, antes pelo contrário; preservariam o lar garantindo a harmonia e a retratacção do “pecador” O Madlaya Nhoca cantado por Alexandre Langa evitando a ocorrência do referido por Policarpo Mapengo em Auxílio Incompreendido.

Percebi o que é vida em comunidade no contexto das nossas aldeias natais. Os madodas resolveriam o problema do madjonidjoni sem o consultar, beberiam sumo de Cajú e no retorno do “chifrudo” do John, no Ndzava habitual, falariam que nada de mal ou perigoso havia acontecido e que só houvera um susto provocado por um fulano que crusou a casa de madrugada sem consequencias. A harmonia do lar preservada e garantida, sem intrigas muito menos violencia gratuita.

O que torna esta sensatez impossível no contexto urbano? Já imaginaram o que seria do visado no contexto de uma cidade como Maputo? De certeza o Madjonidjoni chegaria “faiscando de ódio" pelos versos mentirosos e maliciosos ouvidos pelos becos da vizinhança” e se atiraria sobre o prevaricador e sua fragilidade “com a raiva de fera.”

Não sugiro as mesmas soluções aplicadas lá aqui. Não. Reivendico uma vivência comunitária que parece desaparecer até em bairros de expansão como os que existem em Maputo e Matola, onde a cuscuviquice cede lugar a responsabilidade para um ambiente harmonioso e são a todos os níveis. Seremos culturalmente tão diferentes?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Façamos a Diferença, Hoje e Sempre

A natureza está de novo a fazer das suas. Os noticiários não mentem e já foi accionado o alerta máximo em algumas zonas. Isso implica perda de culturas, destruição de bens públicos e privados e muito sofrimento para muitos compatriotas nossos.

Há pois que juntar as mãos e apoiar. A Cruz Vermelha mobiliza-se, a OJM (veja nesse link os pontos de recolha de donativos nas provincias) e outras organizações fazem o mesmo. Sirvo-me das palavras do falecido Lucky Dube para enfatizar o apelo na sua música “Hero”:
“Vês os sorrisos nas suas faces, depois de teres feito o que fazes de melhor. vês satisfação nas suas faces/ depois de abençoados com a sua dádiva/ não pensas que é muito/ mas para eles isso significa o mundo/ eles acordam de manhã desejando que estivesses lá/ não precisas mentir para ganhar a sua confiança/ nunca ganhaste o prémio Nobel/ eles nunca te viram na TV / sua pequena contribuição faz as suas vidas melhor todos os dias/ Tu és herói (Do you see the smiles on their faces/ after you have done what you do best/ do you see satisfaction on their faces/ after you have blessed them with your gift/ you don't think it's much/ but to them it means the world/they wake up in the morning and wish you were there/ don't have to lie to gain their trust/ you have never won a Nobel prize/ they have never seen you on the TV/ your little contribution makes their lives a little bit better every day/ you're a hero na versão inglesa).

E é assim de facto. O que é pouco para nós pode fazer a diferença.Façamos a diferença pelos nossos irmãos que perderam tudo na Matola, Chókwe, no vale do Save, do Zambeze e em muitos cantos deste país.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Preocupados com Traficantes de Droga e Imigrantes Ilegais Resta Espaço para Pensarmos em Pedófilos?

As noticias sobre estrangeiros que entram em Moçambique violando nossas fronteiras com conivências várias começam (e de forma preocupante) a ser rotineiras em Moçambique. Vide esta, e esta.

Se já é quase comum ouvir falar dos refugiados vindos do Congo, Burundi, Ruanda ou mesmo Somália, entrados em Moçambique a partir das nossas vulneráveis fronteiras, semana passada tomamos conhecimento de um número exagerado de estrangeiros chegados a Moçambique via o principal aeroporto do país. Os alarmes devem soar.

O meu há muito soou.

Mais do que a rede de conivência dos agentes aeroportuários referida pela polícia na ocasião, é necessário investigar seriamente a rede de falsificação dos vistos da República de Moçambique e ir aquilatando mecanismos técnicos que evitem tal falsificação. Fiquei preocupado com a relevância dada APENAS a conivência dos agentes aeroportuários.

E as notícias sobre este fenómeno não param. A cada dia surgem novas.

Vi uma reportagem intitulada “Toda a Verdade” transmitida pela cadeia portuguesa SIC que retrata a questão da pedofilia, desde a actuação dos pedófilos até os mercados onde estes operam. Cambodja, Tailândia. Os meus ALARMES sobre o assunto soaram quando se menciona o Quénia (sim Quénia, esse mesmo) como o novo mercado/pólo de actuação dos pedófilos.

Segundo tal reportagem, a mudança para o Quénia deve-se ao endurecimento de medidas “nos mercados tradicionais” principalmente devido a actuação de organizações que lutam contra este mal.

A pobreza (que, segundo a reportagem, facilita a engrenagem nos esquemas por parte das famílias e/ou tutores dos menores) existe no Quénia quanto aqui. O nosso país, como o Quénia, publicita e quer as suas potencialidades turísticas exploradas atraindo um cada vez mais crescente número de turistas nacionais e estrangeiros.

Estaremos preparados para este mal? Estaremos preparados para lidar com ele tanto do ponto de vista daqueles que o praticam sendo “nossos” como os que vem de fora? Terá o Gabinete de Atendimento à Mulher e a Criança (que me parece desenhado para agir depois de o mal ter sido cometido), know how suficiente para lidar com este fenómeno?

Ando preocupado. Ou não deveria?


Os pedófilos roubam a inocência das nossas crianças e se nos calarmos e não pensarmos no assunto, seremos cúmplices desse roubo que deixa marcas para toda uma vida.

Um abraço pelo quebrar do silêncio sobre o assunto..

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Crítica e Consenso

Crítica e Consenso
Elísio Macamo



Uma parte da blogosfera moçambicana esteve recentemente em efervescência (ver aqui, aqui e aqui). O motivo foi a eterna discussão sobre a nossa relação com o país. Duas posições emergiram dessa discussão. Uma, apologética, defendeu a ideia de que a crítica ao que está mal deve primar pelo patriotismo (ver aqui), enquanto a outra, oposicionista, insistiu na ideia de que o recurso ao patriotismo pode ser um subterfúgio para evitar que se critique o que está mal (ver a discussão nesse mesmo texto). Antes de prosseguir com a reflexão devo fazer um reparo. Ao rotular as duas tendências de “apologética” e “oposicionista” não tenho como intenção tecer um juízo de valor. “Apologético” é um termo muito forte que pode até implicar a ideia de que alguém defende o indefensável. Não é neste sentido que uso esse termo. Uso-o para destacar que essa tendência está próxima da defesa do estado actual das coisas sem, por isso, essa defesa deixe de ter reticências em relação ao que pode ser visto, do interior da comunidade normativa que defende a ordem actual, como estando errado. Da mesma forma, a noção “oposicionista” pode evocar a ideia duma atitude de rejeição total da ordem actual sem compromissos. Aqui também não é nesse sentido que uso a noção. Uso-a para destacar o simples facto de se articular diferença fundamental de opinião em relação a aspectos da ordem actual.


Estes reparos são importantes por duas razões. A primeira é simplesmente de erigir desde já barreiras contra uma discussão semântica. Repito: não há maldade nas designações. O importante é a intenção sistemática e tipológica. A segunda razão é mais substantiva. A intenção desde texto é de procurar identificar uma plataforma comum de discussão que não elimine as naturais diferenças de opinião que existem, nem as legítimas sensibilidades políticas que enformam essas diferenças. Não se trata duma tentativa de estabelecer regras para o debate – embora essa interpretação não seja completamente irrelevante. Trata-se mais dum esforço de mostrar que a defesa bem como a rejeição da ordem vigente não são posições que tornam a conversa impossível. Há, contudo, formas de fazer a defesa ou a rejeição que podem tornar a conversa impossível. Infelizmente, este último aspecto caracteriza em grande medida o debate na esfera pública moçambicana, sobretudo da parte de quem critica. Mostrar isto e lançar um aviso sobre as suas nefastas implicações constituem os principais objectivos da reflexão.

A crítica

Toda a reflexão gira em torno da noção de crítica. Por essa razão, gostaria de fazer mais um reparo em relação à forma como eu a entendo. Para mim a crítica é, na essência, um exercício de introspecção que tem como objectivo justificar o que faço e penso. Quando, por exemplo, peço a um amigo no aparelho de Estado para facilitar o emprego a um familiar próximo (ou a uma amante) o elemento crítico está contido na minha capacidade de conciliar esse pedido com os valores que defendo. O que é mais importante para mim? Ajudar os meus amigos (e amantes) ou violar o espírito das leis do país? Como concilio a ajuda aos amigos com o acto de forçar um amigo a movimentar-se na ilegalidade? Qual é o amigo que me é mais importante? O que precisa de ajuda ou o que eu forço a violar leis? O saudoso Michael Jackson (paz à sua alma nobre) cantava em “Man in the mirror” (o homem no espelho): if you want to make a change / take a look at yourself / and make that change (se quiseres mudar alguma coisa / olha para ti próprio / e faça essa mudança). Tinha razão o génio. Crítica é fundamentalmente isso. É estabelecer a ligação entre torcer o nariz perante alguma coisa (ou achar boa uma determinada coisa) e o que nos permite justificar a nossa atitude. O que significam os outros para nós?


Distância crítica

Preciso de esclarecer mais uma noção, nomeadamente “distância crítica”, que é o que nos permite justificar a nossa atitude. Mas que bicho é este? É a ciência? Não! É Deus? Não! São os Direitos Humanos? Não! É a democracia? Não! Nada disso. O que nos permite fazer isto é a nossa imersão na sociedade em que vivemos. Neste sentido, concordo com um reparo feito por Reflectindo (aqui) quando ele destacava a importância de experiências e percepções pessoais diferentes. Quem passou por campos de reeducação, quem viu as suas opções limitadas pelas exigências da revolução, etc. apreende o mundo à sua volta a partir dessas experiências. Mas isto não implica necessariamente que todo o indivíduo que teve este tipo de vivência vai rejeitar a ordem vigente, nem que essa rejeição seja a única atitude coerente que resta às pessoas. Do mesmo modo, quem viu a sua vida melhorar com a “revolução socialista” (acesso à educação, bolsas no estrangeiro, emprego no aparelho do Estado, etc.) não precisa de reduzir a coerência do seu posicionamento à defesa da ordem vigente. A nossa imersão na sociedade faz de nós indivíduos morais, o que significa que pesa sobre nós a responsabilidade de justificarmos as nossas acções e atitudes. Neste sentido, a distância crítica é o nosso esforço de articularmos o nosso posicionamento moral com a sociedade em que vivemos. Porque é que o resto da sociedade devia ver as coisas como eu as vejo? Que razões legítimas é que alguém teria para rejeitar ou aceitar a ordem vigente vista a partir dos valores que defendo? O que seria preciso alterar nessa ordem para acomodar aquele que rejeita ou salvaguardar os interesses legítimos daquele que defende? Este esforço de reflectir sobre o que nos incomoda (ou agrada) tendo em conta o posicionamento dos outros define a distância crítica e vinca, ao mesmo tempo, o nosso compromisso com a comunidade de que somos membros. Distância crítica é vontade expressa de conversar.


Defesa da verdade

Ora, esta vontade expressa de conversar não é sempre evidente. Há várias razões que concorrem para isso, a mais importante das quais – em minha opinião – é a confusão que temos feito entre distância crítica e defesa da verdade. Muitos de nós pensamos que o único que precisamos para criticarmos é uma referência universal qualquer – digamos, direitos humanos, democracia, transparência, forças do mercado, justiça social, etc. ou pior ainda: esquerda, direita, centro-esquerda, centro-direita, social democracia, etc. – que utilizamos como medida para julgar o que nos incomoda (ou agrada). Muitos nem precisam de verificar se eles próprios se comprometem completamente com essa referência universal; é suficiente brandi-la contra os adversários. Muitos acham ser suficiente dizer que são democratas (ou pela justiça social) e que os seus adversários não são, razão pela qual a sua posição seria necessariamente correcta. O fundamentalismo está à espreita nos cantos menos prováveis! Uma conversa em que os interlocutores querem defender a verdade é defícil, senão mesmo impossível. A conversa só é possível quando os interlocutores estão preparados a questionarem as suas próprias posições. Isto pressupõe a aceitação da ideia de que muita coisa é apenas transitória, fruto de vivências concretas. As mulheres na Suíça começaram a lutar pelo direito de voto em 1886 e só em 1971 lograram os seus intentos. Não foi uma ditadura que lhes negou esse direito, mas sim uma comunidade que se definia (e com legitimidade) como sendo democrática. Não foi necessariamente a adopção de valores democráticos que tornou possível a extensão do voto às mulheres, mas sim interesses de outra natureza cuja realização exigia compromissos de vária ordem. Só na conversa é que se vislumbram os espaços do compromisso. A democracia é incompatível com posições extremas.


A defesa da verdade tem duas manifestações principais. Uma consiste em manipular e a outra em obrigar as pessoas a serem aquilo que nós queremos que elas sejam. A obrigação de pessoas vem da crença na ideia de que só há uma maneira legítima e permamente de organizar a sociedade. No nosso país esta manifestação desembocou no fundamentalismo revoluccionário de alguns sectores da Frelimo que se viram imbuídos da missão de tornar as pessoas felizes (mesmo contra a sua vontade). Ela continua presente em muitos posicionamentos críticos que de vez em quando aparecem na discussão pública. São posicionamentos reaccionários que se opõem à mudança e à ideia de que sejam possíveis outras formas de organização social. A manipulação, por sua vez, consiste em reclamar uma posição de enunciação fora da comunidade, mas que se legitima por falar em nome daquele que não tem voz. Considero esta posição a mais nociva, pois ela não considera a conversa desejável. A sua moral é do tudo ou nada. A ordem vigente bem como todos aqueles que a apoiam têm que ser destruídos. Essa é a vontade do “povo” injustiçado. Qualquer manifestação de protesto (os distúrbios de 1 de setembro, por exemplo) é festejada como o levantamento há muito anunciado do povo contra o sistema. Mas isto não é correcto. Este tipo de interpretação manipula simplesmente o que toma por vontade popular para seus objectivos obscuros de evitar conversar. Um dos seus grandes percursores foi Lénin quando exortava os seus companheiros a pegarem em todo o grãozinho de protesto e insatisfação popular para o investir na destruição da ordem vigente. Muitos dos nossos críticos foram intelectualmente socializados nesta tradição extremamente intransigente.

Não é possível enfatizar suficientemente o lado nocivo desta atitude. Uma das coisas mais deprimentes que acontecem no debate público é este espectáculo niilista do tudo ou nada. Leio regularmente o jornal O País online. Invariávelmente, todos os textos políticos são acompanhados de comentários cuja maioria é dum tom agressivo, mal-educado e de certeza absoluta sobre quem é o culpado de tudo. Simplesmente deprimente, ainda que haja muitas razões para fazer torcer o nariz a qualquer moçambicano sensato. E quem se sentir tentado a pensar que eu esteja a defender uma posição académica pode reflectir no seguinte exemplo. Na segunda década do século passado houve uma fome terrível no sul do país (causada, como sempre, pela seca). Dessa situação surgiu um movimento campesino com o nome de “Murhimi” (agricultor) liderado por um “profeta” que pregava aos seus seguidores uma conduta moral sã, abnegação no trabalho e solidariedade. Melhor sentido de crítica não pode haver! Tratou-se aqui de pessoas que analisaram a sua sociedade e procuraram, na acção comum e constructiva, a saída da situação em que se encontravam. Quantos dos que criticam constantemente hoje em dia procuram, por exemplo, criar redes de agentes económicos que selem códigos de conduta moral contra a corrupção, suborno, etc.? Quantos procuram identificar juízes íntegros e estabelecem com eles espaços morais de conduta íntegre, etc.? Quantos identificam no aparelho de estado funcionários com brio profissional com quem possam fazer a luta por uma burocracia mais transparente, eficiente e virada para o serviço público? Mas crítica é isto, no fundo.


Ligações perigosas


Vou terminar com uma pequena ilustração. Peguemos nas suspeitas que páiram pelo ar segundo as quais alguns moçambicanos estariam envolvidos no narcotráfico e que, através das suas ligações com o poder político, teriam amplo espaço de movimentação. O nosso debate típico pode ser caracterizado da seguinte maneira: os apologistas diriam que se trata duma conspiração externa e exigiriam que todo o verdadeiro patriota cerrasse fileiras contra essas insinuações de fora; os oposicionistas diriam que é mais uma prova da corrupção total do sistema e exigiriam que todo o verdadeiro patriota assumisse posição contra o pessoal que se deixa corromper pela gente da droga. As duas posições são perfeitamente legítimas, mas no espírito do debate são insuficientes. Cada uma delas encerra elementos críticos. O apologista (acha que) está a defender a soberania nacional e, por isso, insiste numa ideia muito específica do patriotismo. O oposicionista (acha que) está a defender a moralidade na acção política e, por isso, insiste noutra ideia específica do patriotismo. Se cada um dos intervenientes nesta discussão insistir na sua posição como algo sagrado, o debate não será possível. Cada um vai simplesmente defender a sua posição intransigente.


Suponhamos, porém, que cada um deles faça o exercício de introspecção moral que a crítica exige. Aí as coisas mudam. O que receia pela soberania pode perguntar a si próprio porque ela é assim tão importante para si. Se calhar é porque ele acha que Moçambique precisa de estar sempre em condições de tomar as suas decisões sem intereferências de fora. Muito bem, mas ele pode continuar e perguntar se uma possível ligação com o mundo obscuro do narcotráfico não teria, a longo prazo, os mesmos efeitos. A distância crítica pode obrigá-lo a ir mais longe questionando a sustentabilidade dos benefícios que se tiram desse negócio sujo e, acima de tudo, interrogando-se como ele se sentiria se os beneficiários fossem os seus actuais adversários políticos. Que tipo de contexto institucional ele acharia justo para que mesmo na eventualidade de ele estar fora do poder – e os actuais adversários políticos manterem esse tipo de ligações – ele próprio não ficasse prejudicado? A resposta íntegra a estas questões vai criar o espaço de conversa com os outros. Igualmente, aquele que receia pela moral política pode perguntar porque ela é assim tão importante para si. Pode ser que a resposta seja de que a moral na acção política precisa de ser preservada para que o povo continue (ou comece) a determinar a política que se faz (ou devia fazer) em seu nome. Aí ele pode perguntar o que torna os interesses, digamos dos camponeses, moralmente superiores aos dos homens da droga. A resposta, parecendo que não, não me parece óbvia. Ele pode chegar à conclusão de que precisa de reflectir sobre os arranjos institucionais que o sistema político precisa para que a articulação de interesses particulares não seja à custa de outros interesses da sociedade. A resposta a estas questões todas conduz também à criação de espaço para a conversa.


O consenso


Uma crítica formulada e entendida desta maneira pode conduzir ao consenso. O consenso não significa comunhão de opinião, mas sim vontade de compromisso. Essa vontade só pode surgir duma atitude crítica. Este é, no final de todas as contas, o significado profundo da democracia. Nenhuma democracia nasceu com tudo já feito: instituições, democratas e estabilidade. Democracia é algo sobre a qual se trabalha e, no processo, se constitui. Este é também o significado da procura de soluções locais. Não há democracia africana e democracia ocidental. Há respostas concretas e locais para problemas históricos locais que só se podem tornar visíveis a partir da vontade de discutir abertamente as razões que temos para fazermos o que fazemos. A democracia é o resultado da distância crítica.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Transportes Urbanos Que Perspectivas Para Além do Aumento de Frotas?

Em 2008 escrevi aqui sobre a nova abordagem dos transportes urbanos. Nessa época, falava-se (Jornal "notícias" de hoje 18 de Março) de que o "Governo vai reforçar capacidade dos TPM" para fazer face "a crise de transporte de passageiros para a capital do país poderá ser minimizada ainda este ano com a aquisição de mais autocarros para a frota dos Transportes Públicos de Maputo (TPM) ao abrigo de um contrato-programa que o Governo vai assinar nesse sentido com aquela companhia transportadora. A ideia é atacar a grave crise da diminuta frota dos TPM e, ao mesmo tempo, reforçar a capacidade das suas oficinas para garantir a manutenção dos autocarros. O contrato-programa é um instrumento-chave, cuja adopção vem sendo adiada há mais de dez anos, mas as duas partes, Governo e TPM, reconhecem ser fundamental para a operacionalização do sistema de transportes na capital moçambicana." (destaques e sublinhados meus)

Na época destacava duas coisas na referida notícia: o Contrato Programa e a ênfase que se começava a dar às questões relativas a manutenção da frota. Correu um debate interessante que vale a pena revisitar.

De lá para cá muita coisa ocorreu. Os autocarros entraram e continuam a entrar e a ser alocados aos grandes centros urbanos com particular ênfase a Maputo.

Uma nova abordagem tem sido posta em prática que é a constituição de empresas municipais de transportes que permitirão que estas unidades territoriais façam a gestão dos meios em função das suas necessidades concretas. Boa abordagem que integra as duas componentes que o Elísio Macamo, nesse debate, propunha: técnica e política.

É um bom ponto de partida. De lá ate cá as minhas inquietações aumentaram:

• Será que a solução para o crescente problema de transportes publicos urbanos se resolve apenas com a oferta de mais autocarros?
• Que reflexos teria o investimento em serviços públicos diversificados nos maiores aglomerados populacionais? (por exemplo escolas, hospitais, notários, registos etc).
• … e a oferta de outro tipo de serviços? (lazer, etc)

É que, me parece, enquanto o centro das cidades se apresentar como o local onde encontramos as escolas, hospitais, registos, notários, continuaremos a ter os serviços de transporte (públicos e privados) já deficitários, demasiadamente pressionados. Nesta perspectiva, e noutras em que esta problemática possa ser encarada, não ajudaria investir na oferta de serviços públicos nas zonas de expansão?

Continuam válidas as ideias constantes do debate havido aqui em 2008.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Novo ano, Novos Hábitos?

2011 já leva 4 dias e a julgar pelos debates que correm na blogosfera (aqui e aqui por exemplo), muitos dos elementos mais activos já regressaram de “férias” e alguns a nós se juntarão em breve.

Um novo ano o que significa? Continuidade? Ou será um novo começo? Que esperanças/expectativas criamos para um novo ano?

Em função do balanço que fazemos das nossas realizações, dos sucessos e insucessos, da constatação de que a acção Y conduzida de certa forma poderia ser conduzida de forma diversa perspectivamos 12 meses com suas acções e suas metas.

Um dos meus desejos a todos que “pisam” estes espaços não é novo nem se quer é original: desejo que o nosso espírito crítico em relação ao rumo do nosso país não ocorra em função do amor ou ódio profundo que nutramos por quem conduz o país como um todo, ou determinada autarquia em particular; que a nossa crítica tenha uma fundamentação que não tenha isso como pressuposto, mas sim a constatação sincera de realidades mostrando sempre alternativas possíveis para os fenómenos que observamos.

Mas porquê chamar isto para aqui? pelas nossas práticas reiteradas nesse sentido. Pela cegueira que, parece, tolda as mentes de muitos de nós e o nosso sentido crítico na visualização do nosso país tal e qual como ele é. Pela cultura do caos, pelo pregar da ideia de que no país vai tudo errado e pela defesa da ideia de que quem defende a ideia da existência de coisas boas “está feito com o sistema.” Temos que mudar. Acho eu.

Que morra a “cultura da espada.” Pensar diferente não nos faz necessariamente inimigos. E não temos que nos matar por isso. Estes espaços de diversidade de ideias são úteis até para o desenvolvimento deste Moçambique que, afinal, nos une. Mal de nós seria se voltássemos a época do pensamento unânime como, implicitamente, e inconscientemente, alguns dos companheiros têm defendido, principalmente quando se tenta romancear o período anterior a 1986/1990.

Portanto, tudo o que desejo é que tenhamos novos hábitos de debate, mais abertos, menos truculentos, mais objectivos e baseados em factos reais; que morram os hábitos de torpedear tudo e todos; que morra o hábito de vermos corrupção em tudo, chega de fazermos coro a pessoas que lançam suspeitas a tudo e todos que ascendem na vida como se elas próprias vivessem na mais absoluta das misérias, a ponto de nos questionarem sobre os 4X4 que muitos usam como se eles andassem de bicicleta. Que os que fazem coro desçam a bairros como Guava, Singhatela, Nkobe, Siduava, Nwamatibjana, Mali, Bunhissa, Costa do Sol (não na Marginal) etc, e constatem a realidade dos que ai vivem e nos digam da utilidade ou nao de um 4X4.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ao Elísio Macamo, nas Vésperas do Seu Aniversário

Mano, não havia outro mês para nasceres? Tinha mesmo que ser Dezembro? As plataformas digitais em que andamos conectados me anunciam o seu aniversário para breve e, mesmo para fechar o ano (e fecharei com esta carta), te escrevo esta carta para te dizer parabéns e dar te notícias de Moçambique.
Sim, de Moçambique. Este país é relevante tão relevante que não escapou à investida wikilikiana com textos do famoso Todd, o Chapman.
Mais interessante do que as revelações a roçarem a irresponsabilidade daquele diplomata, foi a revelação (para mim) de que, no nosso jornalismo ainda ha intervalos de lucidez e há ainda jornalistas que buscam a essência das coisas, mesmo entre os chamados independentes cuja vocacao, muitas vezes, parece ser partir tudo o que tenha a ver com determinadas figuras e/ou partidos. Enquanto uns faziam eco de Chissano e Guebuza como “cúmplices” do narcotráfico, o Jornal Savana por exemplo sugeria “uma leitura desapaixonada dos Wikileaks” ajuntando que “alguma informação constitui uma aberração, e deve imediatamente ser rejeitada”, que as “mensagens estão recheadas de nuances, mas nunca chegam a acusar quer o actual quer o anterior Presidente da República de envolvimento no narcotráfico, como certas correntes têm tentado fazer crer” e que “com todas as suas imperfeições e erros de facto, os conteúdos das mensagens de Todd Chapman merecem ser analisados com alguma seriedade no que diz respeito à essência do que elas pretendem transmitir; que é o perigo de Moçambique se tornar num país de economia narcótica, onde a posição da nossa moeda nacional face às outras moedas de referência internacional depende significativamente das flutuações no fluxo de cash proveniente do negócio de substâncias proibidas, pondo em causa a sanidade da nossa própria economia.” Interessante ponto de vista este expresso no editorial do Savana não é mano? Não me enganei. Vem no Savana.

Este é o Wikileaks versão moçambicana. Como alguém afirmou noutro lado, é possível que após este escândalo haja uma nova forma saudável de fazer diplomacia. A ver vamos. Ainda ouvirei a sua opinião.

Estive no Xai-Xai dos nossos sonhos. Quando cá vieres melhor me levar como guia (ai cumprimos a promessa das duas cervejas que já dura um ano ou mais). Temo que não reconheças a cidade. De uma cidade dominada por cantinas quase centenárias e cujo laivo de modernidade no que ao comercio diz respeito emergia das lojas de conveniência das bombas ali instaladas, o cenário começa a mudar. Chegaram as grandes lojas de mobiliário, uma grande cadeia de supermercados instalou-se no Xai-Xai e na Macia, uma mundial marca de Fast Food (essencialmente frango) está em vias de se instalar onde alguns chineses e gentes de outras origens (nacionais e estrangeiras) lutam por dar uma imagem airosa da nossa cidade. Fiquei maravilhado.

O cenário de poucas alternativas no que ao alojamento diz respeito parece caminhar para o fim. Uma placa informou-me que um grupo vai reabilitar e operar o Hotel Xai-Xai. Não é interessante mano?

A imagem de uma cidade com pouquíssima oferta de serviços, quase atrasada tende a sumir. O tédio das diferenças com um Maputo que dista APENAS 200KM esfuma-se perante interessante oferta de serviços, espaços etc que implicam emprego para nossos irmãos e renda para as suas famílias. Pode ser que alguém não ache, mas h’a mudanças; há desenvolvimento. Traga uma legião de colegas daqui há um tempo que eles ficarão bem.

O Amosse Macamo meu amigo e colega de trabalho e de algumas outras batalhas falou dos “Embaixadores da Desgraça” antes, havia levado emprestado algumas das perguntas que orientam esse texto num post publicado aqui. Nessa época comentaste que “o único que se devia esperar de todos nós é falar com responsabilidade dentro e fora do país. falar com responsabilidade não é dizer o que não prejudica o país (porque isso seria difícil de determinar), mas sim o que é passível de ser discutido de forma construtiva na esfera pública. Infelizmente, é justamente isto que tem feito mais falta em muitos debates. por exemplo, achei que Jorge Rebelo tem sido menos responsável na suas intervenções por fazer afirmações que não conduzem ao debate de ideias. a sua sugestão de que os íntegros estão a ser corridos do governo parece-me bastante gratuita sob este ponto de vista. pelo contrário, acho as intervenções de Castel-branco muito responsáveis porque permitem uma discussão construtiva (independentemente de ele ter razão ou não). A coisa piora quando nós os demais reduzimos tudo ao "estar contra ou a favor" e preocupamo-nos pouco com a substância do que as pessoas dizem. Há muitos que pensam que participar na discussão pública é formar clubes de apoio a este ou aquele. O patriotismo não pode ser uma medida útil. O sentido crítico é que deve ser o nosso guia.” Não tenho dúvida que na diáspora onde estas usas o teu sentido crítico e com a sua cultura de trabalho etc, como diz o PR AEG, complementas a diplomacia deste país, sem ser nenhum wikileakiano e ajudas no bom caminho rumo a prosperidade como o exmo Sr. Presidente classificou o pais no seu informe ao parlamento.

Feliz aniversario Poiombo. Que Deus te dê longa vida e que curtas as festas da melhor forma possível.

Mutisse.

PS: Bem haja um jornalismo responsável. Felicitações à negação do escangalhar da imagem das pessoas com base em informações levianas. Parabéns ao Savana e a todos os jornais que trataram responsavelmente este assunto.

PS2: O espaço que damos a divulgar banditices cria os seus heróis. É difícil de negar que hajam estes fenómenos que Mapengo aborda aqui.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Fim dos Tabus?

Contava que o post anterior fosse o último de 2010. Não será. Eis me aqui a fazer o meu exorcismo neste espaço.

Exorcismo? Sim. Tive uma semana atribulada. Perdi uma sobrinha muito querida. Tatiana Margarida Filipe Mutisse (30/03/2004 – 08/12/2010) deixou de fazer parte do mundo dos vivos vítima de um cancro pulmonar com que vinha lutando desde Novembro de 2009. A menina foi para um lado de onde não mais será actriz presencial do teatro e das atribulações da vida. Lá de onde vivem os anjos (que é o que ela se deve ter transformado) observará tudo de forma muito privilegiada. Em paz que é o que ela merece.

Exorcismo? Sim. Exorciso as dúvidas. Mando as embora e me entretenho a “sugar” a informação que vou consumindo. É vantajoso ser “mais clarinho” em Moçambique? Essa “vantagem comparativa” localiza-se em determinados segmentos de actividade ou em todos? Quem cria essas vantagens? Quem se beneficia delas?

Todo este exorcismo surge em consequência de uma resposta feliz de Sol de Carvalho em entrevista ao Jornal “o País” edição de Fim de Semana 11 de Dezembro 2010. Feliz porque Sol de Carvalho poderia ter sido MAIS politicamente correcto e fugir da tentação de falar de “brancos e pretos” nas respostas que deu a Policarpo Mapengo. Podia ter fugido e não dizer (em resposta a uma pergunta sobre a existência ou não de racismo no cinema) por exemplo que “não acho. O que acontece é que, simplesmente, por razões históricas as pessoas que ficaram, os cineastas e os profissionais do cinema, a maior parte delas são mais claras. São as pessoas mais claras que se impuseram.” Esta resposta segue uma outra em que Sol fala do mercado para novos profissionais, da experiência e refere que “depois seguem-se esses problemas de brancos e pretos… isso é outra conversa”.

Disse que o Sol foi FELIZ na resposta que deu. Foi sincero. A visão do Sol é generalizável? De que forma podemos pegar nestas coisas que muitos têm medo de abordar e discutir a nossa moçambicanidade, na nossa diversidade? De que forma podemos, todos nós, brancos e negros, falar de nós e nos sentirmos autenticamente moçambicanos sem determinados estigmas que nos apoquentam? Será possível abandonar as “razões históricas” que ditaram a criação de determinadas elites profissionais (no jornalismo – principalmente nos primeiros anos de independência de onde despontaram os Mias, Cardosos, Machado da Graça e outros – no Cinema, na literatura) e não reivendicar os “privilégios” inerentes num mundo competitivo como o de hoje?

Creio que sim.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

2010: Findando Com Mostras de Vitalidade e Seriedade.

2010 está prestes a findar. Entre bypasses polémicos, denúncias de corrupção no nosso futebol que ensombram a família do futebol no geral e uma família específica em particular (presente no dirigismo federativo, no dirigismo de um clube e no agenciamento de jogadores que tem tido menção honrosa nos jornais – e não só – por diversos motivos), julgamentos de casos de descaminho de fundos públicos, prisão de nacionais no estrangeiro transportando elevadas somas, anúncio da chegada dos 7 milhões aos (alguns) municípios, lá temos que olhar para trás e fazer a retrospectiva dos 12 meses que findam.

Há coisas boas que aconteceram e/ou estão em curso neste ano.

A primeira: RESPONSABILIZAÇÃO. Este blog tem muitas referências a necessidade de responsabilização perante actos ilícitos. O fortalecimento das instituições estatais e o cometimento do próprio Estado com o rigor na gestão da coisa pública, começa a mostrar-se com os julgamentos que se sucedem: depois do caso AdM vieram outros: Financas de Maputo, CPD e agora o caso MINT em julgamento e cujos implicados me merecem respeito porque inocentes até transito em julgado de sentença condenatória se houver.

Entre discursos redutores deste “movimento” responsabilizador (incluindo daqueles segmentos que vêm politiquices em tudo) não posso, neste 2010 a virar a esquina, deixar de congratular os profissionais da área da Administração da Justiça que de tudo fazem, para do lado que lhes cabe, manterem o Estado de pé. Bem hajam. Aos procuradores, juízes e outros profissionais (muitos dos quais compartilhamos os bancos da faculdade) o meu BAYETE.

Pobreza Urbana – é verdade que mais de metade da população moçambicana vive nas zonas rurais. Não discordo de quem tomou aqueles pontos como prioritários e, em mais de cinco anos, drenou lá milhões de meticais que tem ajudado a mudar a vida de muitos moçambicanos.

Porque a minoria urbana ou urbanizada que também sofre da pobreza havia que dar a estes condições de a combater. Os 7 milhões chegam as cidades. Cabe aos Municípios pioneiros nesta iniciativa, capitalizar esta iniciativa definindo estratégias próprias adequadas a situação concreta de cada município e que enfrentem o problema “de frente” rumo ao sucesso. Sei que o meu já está a fazer. Não haverão, em minha opinião, soluções pré concebidas válidas para todos, em todo o lado, de igual modo. Há situações próprias de cada local que tem que ser potenciadas. Avante. Aos presidentes dos municípios escolhidos o meu voto de confiança de que quem acredita que sairão soluções que reduzam a pobreza de mais moçambicanos.

As instituições funcionam. Há liberdade de expressão. Embora timidamente, começamos a abandonar a prática de discutir pessoas. Discutimos ideias. Cresce o movimento dos que procuram conhecer BEM os problemas para propor boas soluções num país cheio de soluções (rsss – como diz Elísio Macamo).

O meu Maxaquene superou-se este ano. É vice campeão em futebol, venceu a taça é campeão em Básquete. O Desportivo em femininos honrou o país no africano de clubes.

Coisas más… corrupção no futebol. Fala-se de corrupção em outros sectores. Um mal a combater.

Continuamos arregimentados. Parece que há os eternos “do contra” e os eternos “prós”. Muitas vezes emerge um debate de surdos em que não se busca a validade do argumento do outro. Busca-se o facto de ser do contra. Ultrapassemos. Que as minhas ideias sejam válidas por si e não em função do meu alinhamento seja de que natureza for.

Um abraço a todos e, antecipadamente, votos de feliz 2011.

Mutisse.



PS1: Que “O país” edição fim de semana cresça em 2011 e que seu editor e outros superiores hierárquicos no grupo não durma na sombra da qualidade que se reconhece ao produto.


PS2: Que Egídio Vaz e Noa Inácio voltem ao debate activo de ideias nos seus blogs e outros quadrantes.


PS3: Que o país progrida em 2011 e se afirme cada vez mais como incomodado com a ajuda externa e dê passos para se livrar dela.


PS4: Que eu ganhe o meu PRIMEIRO milhão de dólares.