sexta-feira, 29 de julho de 2011

O Desabafo de Custódio Duma

Num texto que pode ser lido aqui (igualmente debatido no seu mural no Facebook) Custódio Duma debruça-se sobre as más práticas de funcionários públicos que, no exercício das suas actividades, vivem prejudicando o cidadão. Diz, e bem, o Custódio Duma que “um funcionário público é um servente. É verdade sim! Um funcionário público é servente do cidadão, ele é contratado pelo Estado para servir aos cidadãos. Os cidadãos, através dos impostos que pagam ao Estado, contribuem para o ordenado que mantêm os funcionários no activo.”
Infelizmente, e vale aqui reconhecer, há funcionários públicos que desvirtuam esta grande máxima. Duma descreve algumas práticas de polícias, enfermeiros, funcionários do atendimento ao público em guichets, etc. etc. Poderíamos acrescer à lista do Duma aqueles que desviam fundos públicos e que vão sendo, exemplarmente, condenados um pouco por todo o lado neste nosso Moçambique amado. O texto em referência termina com uma provocação segundo a qual “precisamos encontrar outro conceito para os fins do Estado, já que estes agentes não prosseguem o fim para que foram contratados, garantir a justiça, a segurança e o bem-estar dos cidadãos. Já que caminhamos para uma possível revisão Constitucional, porque não propormos acrescentarem nos fins do Estado o seguinte: “O Estado também visa extorquir o cidadão, prejudicar o cidadão e realizar os objectivos dos seus representantes?””
Forte.
Este debate lançado pelo Custódio Duma fez me recordar tantos outros que correram no passado. Foram debates acesos envolvendo figuras ilustres como Gabriel Muthisse, Elísio Macamo, Machado da Graça e muitos outros. Tal como nessa altura, no debate lançado por Custódio Duma, o funcionário está no centro do furacão, relegando-se para plano secundário o que propicia os fenómenos descritos no texto do Duma que, para mim, resumem-se ao deficit na procura e oferta de serviços públicos.
Para além da secundarização do que julgo ser o cerne da questão, notei uma excessiva generalização no texto. De certeza que existem funcionários públicos que encaixam ou podem encaixar na descrição que faz. Mas, por outro lado, existem tantos zelosos e bons que põem a máquina administrativa pública a funcionar.
Aliás, como bem disse o Duma no seu espaço no Facebook, o texto constitui um desabafo de um pacato cidadão (daí o título do texto) e a ideia foi colocada, segundo ele, na convicção de que uma boa parte dos funcionários são realmente prejudiciais ao Estado e ao Cidadão. Esses, segundo ainda Duma, “encontro todos os dias, nas estradas e nos guichés, mancham os bons que menciona!! Mancham os bons que fazem de tudo para manter a nossa função publica a funcionar.” Pergunta o Duma “porque esses bons não expurgam os maus?”
É pois esta ideia que me assusta. Parece que bastaria “expurgar os maus” para que tudo ficasse bem. Nesta visão, esquecemos quase sempre, de indagar o porque do aparecimentos destes “maus” que temos que “expurgar”.
Este debate, como já se sugeria nos debates passados a que fiz alusão acima, não pode ser visto unicamente do ponto de vista MORAL como se o moçambicano, subitamente, tivesse perdido o senso e todos os valores.
Muito do que o Custódio Duma refere no texto em alusão, de facto, acontece na função pública. Mas na minha perspectiva acontece devido ao enorme desequilíbrio entre a procura e a oferta de serviços públicos. Assim, se nos concentrarmos unicamente nas pessoas (do ponto de vista de os bons eliminarem os maus) corremos o risco de perder grande parte do foco da coisa.
Entendo que mesmo que pagássemos principescamente aos funcionários públicos se o foço entre a procura e a oferta de serviços públicos continuar tão elevado como acontece actualmente este fenómeno continuará real. Uma maior oferta em quantidade e qualidade de serviços públicos poderá contribuir para a eliminação destas práticas. Entendo que se a nível do investimento em serviços públicos (e isto envolve tudo: meios, pessoas, infra-estruturas etc) continuarmos na mesma, os problemas continuarão. Enquanto os serviços públicos forem escassos e todos nos apinharmos nos poucos que existem o funcionário público sem sentido de missão que se lhe espera verá nessa demanda uma grande fonte de renda e não hesitará na prática de actos corruptos.
Portanto, a escassez de serviços públicos em quantidade e qualidade desejada torna os sítios onde esses serviços existem em autênticos viveiros onde algumas pessoas fazem florescer a corrupção. É um facto que os funcionários públicos ganham mal, mas como disse, mesmo que TODOS fossem pagos a medida do que consideraríamos justo, com serviços públicos escassos e deficitários, os viveiros continuarão a florescer.
É evidente que esta minha visão pode não encerrar tudo o que está por detrás do fenómeno corrupção mas, as oportunidades que tornam este fenómeno possível são enormes num cenário de carência como o que vivemos.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Só a FRELIMO Pode Ser Metodologicamente Analisada…

Acho que vale a pena reflectir sobre isto.


Trago a este espaço, com a devida vénia, um desabafo do meu amigo Egídio Vaz Raposo numa das redes sociais que vem na esteira do que já referi aqui e até mesmo aqui.


Diz o Egídio: “A FRELIMO é o único "objecto de análise política" passível de se lhe administrar modelos de análise rigorosos. O resto, só com a Antropologia e a Psicologia Clínica. Eu já não aguento mais com eles! Atenção, não ponho em causa as ciências sociais mencionadas. O objecto de análise aqui são partidos políticos.”


Respondendo a comentários lá o Egídio constatou o seguinte e lançou o próximo objecto do seu bulldozer: "Caros amigos, quem nunca se lançou ao empreendimento igual, dificilmente pode imaginar "o trabalho" que esses partidos políticos dão ao estuda-los. Aos que estudam ou prestam atenção ao que se escreve sobre os partidos políticos em Moçambique, facilmente chegarão a conclusão similar à minha. Não que isso signifique a capitulação, muito menos o departamentalismo ou hierarquização, como Rildo Rafael mencionou. E sim apenas realçar o duro trabalho, difícil e quase dantesco que isso dá. Quem sabe o que é e como se constrói um modelo de analise; quem já andou ou anda nas lides investigativas; quem já fez um trabalho obedecendo critérios metodológicos sérios e coerentes, sabe muito bem da frustração à que se chega quando os modelos não se aplicam e dai precisar-se de os reformular. E é da reformulação em reformulação que se chega à uma fórmula da não-formula; ao não-método. O desafio das ciências sociais em Moçambique passaria necessariamente pelo debate intenso sobre que tipo de partidos políticos temos nós, para além da Frelimo Frelimo Moçambique? Que lógicas internas os guiam ou guia cada um deles? E porque estamos no período da dita transição paradigmática, em que temos mais perguntas fortes e respostas fracas, seria interessante agora lançarmos o nosso empreendimento para a busca de respostas fortes sobre como analisar o político em Moçambique, que campos e quais são e, à guisa do tema que fascina o Muendane Elisio, se existe ou não a competição política. Em caso afirmativo, como ela se realiza? Ou de contrário, quais os grilhões que a dificulta? O holismo não deve ser um passaporte à irresponsabilidade metodologica. O rigor científico não prejudica a interdisciplinaridade e esta não dispensa o rigor do método científico. Por fim, uma palavra de novo ao Noa Inacio: você compadre precisa ser calmo. Não irei repetir o que disse, mas um debate que se quer intelectual exige um pouco mais de esforço do mesmo intelecto e menos "punhos". Abraços. O meu proximo texto será: a frelimidade como obstáculo axiológico ao progresso dos partidos políticos de em Moçambique. Nele,direi o que entendo por "frelimidade", "socialização da frelimo" ou frelimização do social;" "colonialidade do saber", "obstáculo axiológico" e, mais do que isso, justificarei porquê o debate político, as análises políticas e o desenvolvimento do processo democrático e respectivo discurso é tão raquítico. Mais do que isso, tentarei esboçar pistas capazes (na minha opinião) de melhorar o debate, alavancar o debate democratico, etc...Até logo"

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Para Onde Caminha o Nosso Desporto?

Estamos certos do que queremos e de onde vamos com o nosso desporto no geral e com o futebol em particular?


Que condições estamos a criar para a emergência de mutolas e outros campeões no basquete e outras modalidades?


Continuará o acaso a imperar?


O que deveríamos esperar das lideranças desportivas neste país?


A Espanha campeã do mundo de futebol é constituída por uma geração que se foi moldando ao longo dos anos, alguns dos quais desde os escalões de formação.


As irmãs Williams no ténis atingiram o estrelato depois de anos de investimento sério, treinamento. L. Hamilton começou nos Karts e subiu a pulso para se transformar na estrela que é hoje; Messi e Ronaldo são resultado de uma forte aposta na formação; mais próximos da nossa realidade, a Etiópia, o Quénia, a África do Sul etc., produzem campeões em muitas modalidades. Como o fazem?


E nós, o que estamos a fazer?


Continuaremos contentes por, tempos em tempos, surgir uma equipa como o Desportivo que ganhe campeonatos africanos de basquete? O que estamos a fazer para manter e tornar possíveis vitórias frequentes nessa e noutras modalidades?


No futebol nacional os treinadores estão numa autêntica roda viva. Até Chiquinho Conde perdeu a cadeira. O seleccionador nacional ontem anunciado como Messias também está na berlinda. Mas antes de despedir um treinador devíamos nos perguntar o que fizemos para que esse tivesse sucesso, e que condições estamos a criar para que o próximo tenha sucesso a curto, médio e longo prazo. Infelizmente me parece que despedimos e contratamos… nada de concreto se planifica.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Vem Aí Um Novo Partido?

Estive atento à grande entrevista com Ismael Mussá que passou ontem Domingo dia 12 de Junho no Canal televisivo STV e publicada no Jornal o Pais de Hoje.
Nela, Mussá confirma a ideia muitas vezes repetida aqui de que o MDM foi criado a volta da pessoa de Daviz Simango que, por força das circunstâncias envolventes no período da sua fundação, acabou se adonando do partido e geri-lo como algo seu.
Parece que o “Moçambique para todos” inclusivo não se concretizou no MDM. Parece que pensar diferente é um pecado gravíssimo naquele partido. É que, ao que percebi, o “caldo entornou-se” por causa de pontos de vista diferentes não só sobre a gestão do Partido mas, também, sobre estratégias de afirmação do mesmo.
A roupa já está há muito a ser lavada em público (vide alguns comentarios aqui). Há dados que tanto Ismael Mussá como o Dionísio Quelhas esgrimem sobre promiscuidades várias que vão desde a pertença de certos membros seniores ao PCN ou mesmo sobre o modo (e quem) como é gerido o dinheiro do Partido e o atropelo às mais elementares regras legalmente estatuídas que urge pensar sobre elas.
Como disse Mussá, parece que já não o querem no MDM. Aconselhado por muitos ele não deixará de fazer política activa e já está em cogitação o “como” essa participação política poderá ser feita caso se confirme a intenção de empurrar para fora os que pensam diferente no seio do MDM.
O cenário vai repetir-se: Mussá não vai abandonar o lugar no Parlamento e lá estará até ao fim como fez na legislatura passada e pode ser que, em vésperas de 2014, surja um novo partido para concorrer às eleições.
Será o fim do MDM? Conseguirá Boavida dar um safanão à crise e, a partir dela, fortificar e concretizar o partido e concretizar o slogan de abertura que preconiza um “Moçambique para todos”?
Tenho as minhas dúvidas.
PS: Ismael Mussá continua a dizer que continua a acreditar nos ideais do MDM apenas diverge do modo como o mesmo é gerido pelo seu líder e das estratégias deste. Mas me parece que a coisa tem laivos um tantinho ou quanto pessoais… a investida contra Lutero Simango e algumas tiradas parece confirmar esta tese… ou estarei enganado?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mais Uma Vez: O Que Estamos a Fazer para Prescindirmos da Ajuda Externa a Médio Prazo?

Um dos destaques noticiosos dos últimos dias foi o anúncio/entrega do pacote financeiro de apoio ao Orçamento de Estado e a alguns projectos sectoriais ao governo moçambicano pelo G19.

A pompa deste anúncio e o destaque dado aos cortes na ajuda por alguns países me fizeram recuperar o questionamento do Elísio Macamo lançado num debate aqui há algum tempo sobre o que estamos a fazer para prescindirmos da ajuda externa a médio prazo.

Parece que nos incomoda pouco.

A primeira página de um semanário SAVANA de 3 de Junho Corrobora um pouco a ideia de que somos nós que fazemos alarido com o corte da ajuda muitas vezes acriticamente. Para aquele semanário o corte é um cartão amarelo ao Governo não é nem se quer visto no prisma da crise que assola muitos dos países que nos apoiam.

Se a ajuda internacional fosse mesmo boa, os europeus a aceitariam de bom grado. Vejam o que se passa Em Portugal que, como noticia o País de 06 de Junho último, o PS e José Sócrates foram castigados por terem permitido a chegada do FMI a Tuga. Só esse exemplo devia nos fazer perceber o quanto nos devemos empenhar para nos livrar deste fardo o quanto antes.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Partidos Políticos em Moçambique, do Nascimento a Insignificância Num Ápice…

Desde 1990 que o país assiste, ciclicamente, ao nascimento de novos partidos. Já perdi a conta dos partidos formalmente existentes neste país.


Infelizmente a esmagadora maioria desses partidos pouco ou nada acrescentam(ram) ao panorama político nacional, fruto de uma existência parasitária de só aparecerem nos períodos eleitorais, no jogo da lotaria de receberem os trust fund que abundam por essas alturas.


Outros, anunciados com pompa e circunstância como os messias que o país precisa quer como salvadores contra a da bipolarização FRELIMO/RENAMO quer como garantes da “democracia” vão se reduzindo, aos poucos, a insignificância sucumbindo ao abandono dos cérebros ou existência de um ideal unificador para além de um líder a volta do qual se constitui o partido, ou a guerrilhas internas travadas na praça pública.


Algo está a falhar.


Este é um país cheio de soluções como diz Elísio Macamo.


Temos um país cheio de partidos atarefados em resolver seus próprios problemas sem conseguirem constituir-se em alternativas válidas para a formulação/conhecimento dos problemas reais do país e propor soluções válidas para os mesmos.


Onde é que estamos a falhar?


Que caminhos deve seguir a nossa democracia multipartidária? Que caminhos seguir pelas dezenas de minúsculos partidos formalmente constituídos e factualmente inexistentes? Como garantir que os partidos a nascer ou existentes se constituam como intervenientes sérios nos debate democrático que este país precisa para crescer?
Será que o nosso estagio de crescimento nos destina APENAS esta realidade ou temos como modificá-la? Como?


Onde anda o PDD a sonhada terceira força levada aos ombros pela media e por alguns pseudo-intelectuais deste país sem os resultados que se poderiam esperar?
Conseguirá o MDM sair do buraco barulhento em que se encontra e conquistar prestigio que a presença na AR impõe ou, destes também, teremos mais do mesmo?
Perguntas demais, respostas a menos… por isso vos desafio a falarmos destes assuntos com sinceridade.

sábado, 21 de maio de 2011

Contratação de Mão de Obra Estrangeira Para a Função Pública: Algo Que Devemos Temer?

Apesar de já ser independente há mais de 35 anos, Moçambique continua a enfrentar desafios vários no que tange a pessoal qualificado em quantidade e qualidade que o país precisa para fazer face aos desafios do seu desenvolvimento, sem desprimor do muito esforço e investimentos feitos no sector da educação desde 1975 (atrapalhados pela guerra dos 16 anos) que tiveram como resultado a formação de muitos quadros, porém, apesar de milhares de quadros que as universidades públicas colocam no mercado anualmente, continuamos carentes em diversas áreas.


Só para citar alguns exemplos, o país continua com um índice baixo no que toca ao número de médicos por habitante e só há muito pouco tempo o sector conseguiu colocar um médico em cada sede de distrito do país; continuamos com falta de especialistas ao mais diverso nível e mesmo de professores catedráticos para a tão almejada qualidade de ensino que ajude na formação dos quadros que este país precisa. Poderíamos multiplicar estes exemplos numa lista sem fim.


Na verdade o país tem, na função pública, diversos estrangeiros a seu serviço. A escassez de profissionais qualificados na administração pública moçambicana, sobretudo nas áreas da Saúde e educação, levou a que o Governo de Moçambique, após a independência nacional, recorresse à profissionais estrangeiros, muitos dos quais vindos de países essencialmente do bloco socialista, principais parceiros de cooperação nesse período.


As transformações políticas económicas e sociais que o país e o mundo experimentou nos últimos tempos colocaram ao país uma mudança de paradigma no recrutamento de pessoal estrangeiro de que necessita para a função pública. Assim, urge em face das carências conhecidas, definir o regime quadro do trabalho do cidadão estrangeiro na função pública.


A discussão deste tema nunca foi pacífica. No quadro da lei do trabalho por exemplo, os empregadores queriam mais flexibilidade na contratação de mão de obra estrangeira. O Estado sempre vincou a necessidade de só se abrir espaço aos estrangeiros com as qualificações de que o país não dispõe ou que sejam escassos. Aliás, diga-se, são as carências do ponto de vista de recursos humanos que têm determinado a definição dos regimes de trabalho de pessoal estrangeiro em Moçambique. Foi esse o princípio que foi usado na definição do quadro legal do trabalho do cidadão estrangeiro em Moçambique previsto na Lei do Trabalho. Ao referir no número 1 do artigo 33 da Lei do Trabalho que o trabalhador estrangeiro deve possuir as qualificações académicas ou profissionais necessárias e a sua admissão só pode efectuar-se desde que não haja nacionais que possuam tais qualificações ou o seu número seja insuficiente, o legislador quis salvaguardar a ideia de que só se recorre a contratação de estrangeiros nos casos de falta ou insuficiência de profissionais.


Portanto, creio não haver o que temer neste processo; para ser coerente e manter a coerência do sistema o Governo deverá manter os princípios acima referidos inalterados no caso da contratação de trabalhadores estrangeiros para a função pública vincando, uma vez mais, a ideia de que a mão de obra estrangeira visa suprir as insuficiências do país e nunca uma forma de escancarar as portas aos estrangeiros em detrimento dos nacionais aqui formados que devem ser valorizados e constituírem-se como destinatários das políticas e oportunidades de emprego que se abram no país, vincando ainda mais a ideia de sermos nós, moçambicanos, os donos do nosso destino e gestores da coisa pública.


Acrescentar que, mesmo nas situações de carência referidas para fazer face às necessidades de contratação para o sector privado, o contrato é sempre por tempo determinado até 2 anos findos os quais se requer nova autorização não sendo aplicável ao estrangeiro o previsto no número 2 do artigo 42 da Lei do Trabalho sobre a transformação do contrato a prazo em contrato por tempo indeterminado.


Estamos pois perante o desafio de o Governo determinar normas claras e práticas para esse desiderato, ao mesmo tempo que aquilata mecanismos de controlo de modo a garantir que, na função pública e até mesmo no sector privado, o país só tenha a seu serviço os estrangeiros com a formação de que o país ainda não dispõe. O Diploma legal a ser aprovado deve reflectir a visão do estrangeiro como alternativa de reforço do perfil técnico profissional dos recursos humanos do Estado, através de transferência de conhecimentos aos técnicos nacionais.


Mas, mais do que reconhecer insuficiências e regular a contratação de estrangeiros, como sugere Lázaro Mabunda na sua coluna no jornal O País, e a par do investimento no ensino a todos os níveis, o nosso Governo deve intensificar o rubricar de acordos para a formação de seus quadros em áreas pré-definidas como fundamentais para o desenvolvimento socioeconómico. Cresce mais ainda o desafio de conhecer as insuficiências e planificar coerentemente a forma do seu suprimento. Não podemos estar na mesma daqui há 10 anos. O país precisa ter uma visão de como descalçar esta bota da insuficiência de quadros de modo a que o nosso evoluir faça cair em desuso o instrumento a aprovar nos próximos tempos.


Espero que os critérios salariais a observar para o pagamento dos estrangeiros na função pública não sejam mais um factor de frustração para os muitos e bons quadros de que o Estado dispõe, que dão o seu melhor apesar dos salários reconhecidamente baixos que auferem. Que os estrangeiros, igualmente, não venham impostos pelos nossos vários financiadores como garantia de que o dinheiro investido/emprestado a Moçambique retorne aos seus países via esses “especialistas” de que não dispomos de momento.


Que o país tenha capacidade fará inspeccionar e sancionar fugas aos princípios que determinar. A contratação de estrangeiros por si só não nos deve assustar; deve nos assustar, isso sim, se essa for a única solução a vista para resolver o problema da escassez de quadros no país. Não me parece que seja o caso também.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Por Onde Andam Os Meus Amigos?

Se a memória não me falha, o primeiro post deste blog aconteceu a 8 de Junho de 2007. Estou, portanto, a apenas alguns dias de completar 3 anos de convívio subversivo por esta via.


Um aspecto interessante e importante e que me regozija bastante, são as grandes discussões que tivemos neste espaço sobre os mais diversos temas. Desde a “Responsabilização”, “Cidadania”, “Autarquias” (aqui, aqui ou mesmo aqui), “Transportes Urbanos’ (aqui e aqui), a “Ponte AEG” ou Ponte da Unidade, “Taxa de Lixo”, a “Dependência Externa” a actualidade política (aqui, aqui, e mais recentemente aqui e aqui) entre muitos outros assuntos.


Ao longo destes quase 3 anos fiz muitos amigos novos e reforcei amizades que já trazia de outros quadrantes. Assisti e participei em debates interessantes em blogs de figuras como Elísio Macamo e Carlos Serra (até ser banido de lá), participei em debates acalorados umas vezes e amenos noutras em blogs de jovens da minha geração como Shirangano, Ximbitani, Vasikati, Contrapeso (do Buldozer Egídio Vaz), Debate e Reflexão etc.


Assisti a emergência de blogs como o Modaskavalo do Amosse Macamo (que se passa amigo, deixou de ouvir música moçambicana?) um blog que não sei descrever mas que reputo de grande importância no panorama musical deste país. Assisti e ao parto da montra da criatividade de Policarpo Mapengo através das suas Cartas a Moda Antiga. Parece-me que a ascensão profissional o roubou deste convívio (parabéns Dr. Mapengo Director de Informação do grupo Soico).


Assisti a um acto de abertura ao diálogo do dirigente máximo desta nação. A sua visão sobre os mais diversos assuntos estão lá no seu blog e, sem censura, podemos sempre deixar os nossos pontos de vista e se, a nossa expectativa de temática não é satisfeita porque não usar esse canal aberto para sugerir o que gostaríamos de, por aquela via, discutir com o PR?


São três anos interessantes com mais momentos agradáveis para recordar do que os desagradáveis. São três anos de aprendizagens, são três anos de fortificação de amizades e criação de outras novas. Se fiz muitos amigos, sinto falta de outros tantos que sumiram. Por onde andas tu: Yndongah, Ximbitani, Nyikiwa, Nhabetse, Shirangano, Félix, Chire, Egídio Vaz (o Buldozer, o mês está a terminar, sabes para quê, não é Mapengo?) Amosse, Saiete, Chacate, Reflectindo, Duma, Jonathan, Patrício Langa, Jaime Langa, Ilídio Macia, Stayleir, Maria João Hunguana, José, Maria Helena, Gonçalves Matsinhe, Martin de Sousa, Obed Khan, Milton Machel, PC Mapengo, Basílio Muhate, Nero, Franco Atirador, Noa Inácio (o puto), Venâncio, Tadeu Phiri, Nelson Levingston (o miúdo do Chiveve que quando passo lá está nas matas epa), Erva, Nuno Amorim, Antonio Antique, e muitos, muitos outros que fizeram e fazem este blog. Sinto falta das vossas ideias aqui. é verdade que um ou outro ainda aparece e falamos tardes inteiras, mas também sinto a vossa falta neste espaço que é vosso.


Um abraaço, e sejam sempre bem vindos aqui, mesmo quando não concordamos em muitas ideias eu vos desejo e vos escancaro as portas deste blog que é vosso.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

As Recordações de Dionísio Quelhas e o Confirmar da Crise num Partido Criado às Pressas

Hoje o Savana traz nos uma prosa do Dionísio Quelhas. Um homem como o Quelhas quando escreve deve ser lido com atenção redobrada e, desta vez, dá mais alguns subsídios da génese do MDM hoje em crise.



Creio que vale a pena ler a página 3 do Jornal Savana de hoje 6 de Maio de 2011. Podemos, na versão do Quelhas, conhecer as peripécias do PCN até a criação do MDM e um elogio a um homem que hoje considero amigo (Inácio Chire) e a cabala que lhe foi montada num partido que, segundo ainda Quelhas, ele mobilizava e articulava competentemente.



Podemos encontrar a ideia de que houve uma reunião na qual se descartou o PCN por razões que não cabem aqui, sendo que se devia “unir esforços para a criação de um movimento” com Daviz a liderar. Portanto, uma confirmação do que refiro num comentário aqui, citando um amigo meu, que o MDM (e até o PDD) foi feito a volta do seu líder a altura da sua criação. É que, antes de se consolidarem ideias, antes de se aprovarem estatutos, já havia indicação de quem lideraria e, veja-se, aproveitando a popularidade desse por altura de tal pensamento: 2008.



Podemos, partindo das reflexões do Quelhas, aflorar a questão da dupla filiação em Partidos Políticos de grande parte dos Deputados do MDM no parlamento e de alguns membros da direcção deste Partido. Interessante.



Interessante ler. Creio que esta carta pública só vai agudizar a crise e levar ao afastamento destes quadros.



PS: Honra seja feita ao meu amigo Chire; apartou-se destas coisas e, a esta altura, deve já ter chegado a conclusão lógica: Partido sério mesmo, só o do seu amigo (no caso eu rssssssss).