Este é um local de discussão de ideias úteis. É um local para exercitarmos a nossa cidadania através da expressão das nossas ideias sobre o fenómeno político nacional.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
FMF vs Mart Nooij
Os contornos deste assunto há muito são falados. Há muito que se fala, discute-se e especula-se. O que não consigo vislumbrar é como será a convivência caso a posição/opção governamental vingue e Mart seja ou tenha que ser indicado, de facto, seleccionador nacional.
Sidat já disse que “nenhum acordo vai ser discutido com Mart Nooij” e que Mart Nooij há muito que é assunto encerrado na FMF, apesar de existir uma comissão (mais uma) criada pelo Governo e FMF para tratar deste assunto. Está claro que Sidat não quer Mart e espera do dinheiro do Governo para pagar o seleccionador por si pretendido (um tal David Nascimento) e parece evidente que o Governo precisa de outro tipo de respostas para além das que a FMF e Sidat deram para prescindir de Mart para continuar a dar dinheiro para pagar seleccionador. Ariscaria a dizer que o Governo quer Mart.
Neste quadro, como será a convivência Mart vs FMF? Estamos a tomar as opções certas para o fim que pretendemos atingir? Sendo Mart o eleito, haverá espaço para este desenvolver um trabalho meritório integrado numa estrutura que, claramente, o repele?
Que caminhos?
terça-feira, 18 de maio de 2010
Eu Estou Apaixonado
Cá estamos: 2 anos depois do Xiguiane que oficializou a “entrega” da filha dos Mondlanes aos Mutisses, um mês depois que assumi um novo desafio e um mês depois da última postagem.
Estou apaixonado pela minha mulher. Não hajam dúvidas. Também sabendo o quão ariscado é andar fora não há outro meio se não renovar os laços a medida que o tempo passa. Próximo dia 18 de Maio serão 3 anos e assim sucessivamente.
A minha mulher é fantástica, deu me a Uly e a Lethícia, ajuda-me a manter o equilíbrio e a serenidade que me pode a ajudar a ser um bom pai (tento sempre ser) e um bom profissional onde quer que esteja.
Estou apaixonado pelo meu trabalho. Estou apaixonado pelos desafios que a Matola me apresenta. Estou apaixonado pela vontade e desejo de ver as coisas melhor do que as encontrei quando cá cheguei. Vontade de ter a Administração Municipal moderna quando de cá sair. Apaixonado pela vontade de contribuir, com meu saber, para o almejado Desenvolvimento Municipal da Matola que me acolhe e quer usufruir do meu trabalho e esforço; esforço que jurei dedicar. Só posso estar apaixonado.
A Matola é um desafio especial. Os problemas da Matola, conhecidos e desconhecidos, não podem ser dissociados dos problemas gerais deste país que luta por fazer a viragem e ser próspero. Não são problemas impossíveis de vencer. Como os problemas da Nação, requerem empenho, dedicação, entrega e muito saber. A equipa em funções procura dar isso. Foi do saber dos servidores municipais que nasceu o Plano de Estrutura Urbana recentemente aprovado que vai ser um instrumento de MUITO valor na gestão do solo urbano. Foi do saber dos que cá estavam e estão que nasceram muitas soluções aprovadas e por aprovar que constituirão uma mais valia para todos. Esse é o caminho,: conhecer os problemas para gerar soluções... um trabalho excitante e apaixonante.
Estou apaixonado pelas coisas que jurei abraçar para a minha satisfação: a minha mulher, meu trabalho, este blog e os meus amigos que me visitam aqui, em casa e me procuram naquele bar para uma cerveja nos momentos de laser.
Este blog é minha paixão. É assim que vejo este blog. Como diz Mapengo definindo paixão para ele aqui este blog é um momento da paixão “é a fase sofridamente bonita. O dizer organizadas frases bonitas mesmo sem sentido; compreender o silêncio da noite; apreciar o brilho prateado da lua; sentir o gostoso aroma das flores; sorrir das parvoíces da sua companheira e rezar para que o tempo não se esgote.” Hehehehe é isso. Ou quase isso. Os debates apaixonantes sofridamente bonitos; o desejo que não se esgotem etc.
Por tudo isso estou apaixonado. Sei que Mapengo vai me trucidar. É que ele tem dificuldades, de olhar para paixão como algo lúcido. Paixão tem sempre tendência a levar aos extremismos diz ele. É possível.
Não acho as paixões más. São até boas. São elas que fundam o amor. São a base em que assenta o amor (não acredito em amor à primeira vista) logo, a paixão é "criança", o amor é adulto... maduro e sereno. É na paixão que nos afirmamos, que corremos os riscos muitas vezes incalculados, que nos martirizamos inclusive. A paixão é necessária. Como o medo que nos ensina a moderar, a conhecer limites...
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Se a Grécia Fosse um País Africano?
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Cadê a Auto-Estima?
Porque será que a nossa capacidade de nos indignarmos com as situações anómalas que acontecem no nosso quotidiano só se revela na plenitude e sugere a necessidade de acção quando as anomalias são mencionadas por estrangeiros ou no estrangeiro, seja por relatórios das “agências” internacionais ou panfletos de algum indignado? Porque é que a nossa capacidade de indignação é nula ou diminuta quando somos nós, donos da terra, a passar pelas situações anómalas que ocorrem um pouco por todo o lado?
A que propósito vem tudo isto? Vem a propósito do debate que corre sobre a actuação da nossa polícia num caso envolvendo turistas sul-africanos relatado aqui, que provocou a indignação de muitos companheiros que, validamente, sugeriram (partindo da situação relatada pelos turistas sul-africanos no link indicado) a necessidade de “as autoridades de Segurança Pública e do Turismo trabalharem em conjunto, senão ninguém volta a Moçambique” bem como a necessidade de “lançar uma discussão de como nos podemos organizar entanto que país para mudar essa imagem.”
A verdade é que as experiências relatadas pelos sul-africanos são o nosso dia a dia e nunca nos levantamos tão indignados como acontece desta vez. Eu próprio relatei as peripécias porque passo ao volante da minha viatura no mesmo fórum onde o “debate indignado” com a situação do sul-africano se levantou e o máximo que obtive foi solidariedade e conhecimento de quem, de entre os debatedores do fórum, conduz veículo similar. Nunca discutimos, de verdade, a actuação da nossa polícia e seus possíveis efeitos não só no turismo, mas em muitas outras esferas incluindo na mentalidade dos nossos filhos.
Bastou a “experiência assustadora” de um estrangeiro que nos indignamos.
Quem se preocupa com as experiências assustadoras às mãos da polícia que eu e muitos outros passam nesta cidade e neste país, muitas vezes relatadas e desvalorizadas nos mesmos fóruns onde se sobrevaloriza a “experiência assustadora” do estrangeiro? Cadê a auto-estima e a confiança nas nossas capacidades necessárias para vencer os desafios que se nos colocam a cada momento? Precisamos do estrangeiro até para constatar que a nossa polícia, em muitos casos, aborda mal e presta um mau serviço aos cidadãos moçambicanos e aos estrangeiros que nos visitam?
Fiquei a saber que uma viatura similar a que conduzo foi usada por bandidos numa das incursões espectaculares ocorridas em Março. Parece que a nossa polícia assumiu ou que a viatura “é criminosa” ou que quem a conduz é, até pelo simples facto de a conduzir, um bandido. Como me parece não haver articulação na actuação da polícia, já me habituei a ser revistado em três road blocks seguidos normalmente separados por não mais do que 5 KM.
Há dias regressava a casa depois de uma jornada de trabalho extremamente cansativa na companhia da família (esposa e filhas) e recebemos ordem para parar de um cinzentinho no posto existente após as bombas da fábrica Mac-Mahon no Jardim. Em pouco tempo o carro estava cercado por outros cinzentinhos, um agente da FIR e outro, presumo, da guarda fronteira. O Polícia de trânsito aproximou-se com o cinzentinho armado com a sua AK47, pediu os documentos do carro e meus, ordenou que todos abandonássemos o carro e, o cinzentinho armado com a sua AK47 em riste, bruscamente abriu a porta do passageiro ao lado do motorista e, acto contínuo, abriu a porta traseira de onde emergiram os outros ocupantes do carro: minhas filhas de 11 e 6 anos de idade.
O máximo que obtive após barafustar contra o modo como estávamos a ser tratados, principalmente na presença de crianças, foi um pedido de desculpas do PT estar em curso uma “caça” a um Mark II creme que é “usado em assaltos” e ordenou que a revista parasse.
Clarifico que a ideia não é a desconsideração das denuncias feitas por estrangeiros. O meu problema é que corremos a lançar uma histeria generalizada quando os estrangeiros se queixam de situações anómalas quando nós mesmos, vezes sem conta, somos humilhados e passamos pela mesma situação sem que façamos absolutamente NADA. Quantos concidadãos não sofreram de tudo mais um pouco nas mãos da nossa polícia simplesmente porque conduzem um determinado tipo de viatura?
É verdade que temos criminalidade, é verdade que temos o polícia mais despreparado etc., não precisamos é que venha seja lá quem for para nos mostrar que isso existe porque sabemos. Precisamos é agir e não levar e calar.
Turma 99/2000 da Faculdade de Direito da UEM - Passaram 10 Anos
segunda-feira, 12 de abril de 2010
35 Anos, os Meus 35 Anos de Vida
O país celebra este ano 35 anos desde a proclamação da independência nacional a 25 de Junho de 1975. Eu celebro, este ano, 35 anos desde que a 13 de Outubro de 1975 vi a luz pela primeira vez.
Lanço aqui, solenemente, o início dos festejos dos meus 35 anos de vida. É um número interessante.
Logicamente que, desde já, aceito presentes. Ficaria feliz se, entre os presentes, viessem respostas à questões colocadas aqui, aqui, aqui ou mesmo aqui e em outros cantos deste blog e da blogosfera no geral.
É que celebro nessa data 35 anos mas cheio de inquietações. Cheio de questionamentos, buscando respostas mais satisfatórias. Bom não esquecer que em 2014 haverão eleições e, a partir de já, e nos termos da alínea a) do nº 2 do artigo 147 da Constituição da República, sou elegível ao cargo para o qual AEG, segundo ele próprio, não se vai candidatar.
Pelo que, compatriotas, nas festividades dos meus 35 anos não esqueçam a possibilidade real de eu poder ser candidato e poder, realmente, vencer (estarei a delirar? Sonhar não paga impostos). Não espero que me escovem, espero que festejemos pensando, e destilando ideias sobre o pais e o futuro que o espera.
Os meus 35 anos, não sendo assunto nacional, paralisarão centenas de famílias (a minha, as dos meus muitos amigos) e só espero que a CDM e as empresas dos refrigerantes bem como os fornecedores de carnes e couves não dêm barraca. A festa será rija.
Estão abertas as festividades dos meus 35 anos de vida. Queres vir?
PS: E o ano da Uly há muito que encerrou. Este é o meu ano.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Como Resolver os Problemas de Transporte nas nossas Cidades?
A pergunta que dá mote a esta postagem poderia ser colocada de outra forma: como transformar os bairros periféricos em verdadeiros centros residenciais? É que o transporte nas nossas cidades é um Mhaka agudo. Para quem, como eu, vive longe do centro da cosmopolita Maputo não é muito difícil constatar o quão agudo é o problema de transporte. As notícias que nos chegam de outras cidades não me deixam sossegado pois, o cenário é o mesmo logo, indicador de que o problema é generalizado.
Para fazer face à crise, e no âmbito da reforma do sector público em curso, o Governo procedeu a revisão do Regulamento de Transportes em automóveis, com vista a reorganização do sistema de transporte rodoviário, descentralizar as competências, bem como simplificar os procedimentos para o seu licenciamento segundo dispõe o preâmbulo do Decreto 11/2009 de 29 de Maio.
No âmbito do Decreto acima referido fica claro que é proibido o transporte de passageiros em veículos de carga e o de carga em automóveis de passageiros, veda-se o encurtamento de rotas, define-se que o transporte urbano deve ser feito em automóveis com lotação igual ou superior a 40 lugares e o semi-colectivo deve ser feito em veículos com lotação igual ou superior a 15 lugares (artigos 11, 19 e 37 só para citar alguns exemplos).
Portanto, em termos legais temos o quadro necessário para darmos alguns passos em frente.
Do ponto de vista de acções concretas, o Governo anunciou a aquisição de mais 500 autocarros, que se juntam às automotoras, barcos, comboio de passageiros etc, porém, a crise continua e, a meu ver, não será resolvida com o multiplicar de alternativas em termos de meios de transporte algumas das quais tem se mostrado, de certa forma, inadequadas ou pouco exploradas pelo público para quem foram concebidas (veja-se o caso dos barcos da travessia Maputo – Matola – Rio).
A corrida aos chapas e transportes públicos que assistimos diariamente normalmente protagonizada por estudantes, trabalhadores, doentes etc, demonstra o desequilíbrio na procura e oferta de serviços públicos essenciais que, normalmente se localizam no centro das cidades o que determina a debandada dos bairros pela manhã e a romaria que assistimos ao final do dia.
Na verdade, os bairros periféricos são autênticos dormitórios. Os que trabalham partem de lá pela manhã e retornam ao final do dia. Os estudantes matam-se pelo transporte em cada período lectivo.
Isto é, enquanto só tivermos Manhanga, Josina e Armando Guebuza no centro da cidade de Maputo ou a secundária da Matola na cidade da Matola, as pessoas de Nkobe, Singatela, Magoanine, Zimpeto, Matendene, Malhazine (falando de Maputo e Matola) terão a necessidade de ir a procura desses serviços onde eles existem.
Enquanto os notários se localizarem todos dentro do perímetro da cidade de cimento, os que vivem na periferia terão a necessidade de vir a procura desses serviços (esta vai direitinho para o vice da Justiça). Estes exemplos se aplicam a tudo resto: saúde, comércio etc.
Portanto, as acções tendentes ao aumento do número de autocarros, a organização dos transportadores e a assimilação das regras do transporte devem ser acompanhadas de uma gradual oferta dos serviços que determinam a grande demanda aos centros urbanos nos locais de residência das pessoas. Uma escola secundária no Infulene vai amainar o afluxo de estudantes daquelas origens à cidade de Maputo e/ou Matola; um hospital de referência na Matola diminuirá a pressão sobre o HCM, José Macamo e/ou Mavalane, diminuindo o fluxo de gente a essas unidades e, consequentemente, a pressão sobre o sistema de transportes; um supermercado em Singatela pode ter um efeito similar, para além de dar emprego, preferencialmente, aos locais que deixarão de, diariamente, procurar chegar a outros pontos por serviços que podem ser encontrados nesses locais.
terça-feira, 9 de março de 2010
ESTAMOS BLOQUEADOS?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Pensar a Matola, Promover a Matola
O meu amigo Basílio Muhate reagindo a uma iniciativa do também meu amigo Lázaro Bamo, lançou um desafio secundado pela mana Zenaida a mim, Bamo, Mapengo e Saiete e demais matolenses. O desafio consiste em criarmos um “um blog para ajudar a Matola a melhorar.”
Embora sejam “coisas das cabeças deles”, não deixam de ter valor por isso. Acho que é dever de todos nós, matolenses em primeiro lugar, ajudar a Matola a crescer.
Os “desafiados” são matolenses e bloggers activos. Cada um, a sua maneira, já abordou os problemas da Matola em seu espaço e, julgo, é possível continuar a abordar a Matola em cada um desses espaços. É minha convicção que não é o multiplicar de espaços onde se aborde os problemas da Matola que nos fará dar o salto para uma melhor administração municipal naquele espaço; é, antes de mais, (i) o conhecimento das atribuições dos municípios e (ii) a delimitação clara dos problemas que o município enfrenta que nos permita propor soluções.
Temos que visitar a génese da autarcização e revisitar os objectivos desse processo. Como disse Nobre de Jesus Canhanga aqui (embora nesse contexto se referisse a questões fiscais) este processo foi largamente influenciado pela visão de que “as instituições locais estão na melhor posição para escolher um conjunto de prioridades públicas que corresponda mais nitidamente às demandas das populações locais. Por outro lado, os governos locais, estão na melhor posição para decidirem sobre o volume de oferta de certos bens e serviços públicos que têm um efeito sobre o país como um todo e que têm maior capacidade na definição de prioridades que viabilizam o arranque e rápido alcance dos resultados esperados no processo de desenvolvimento e, consequente, redução da pobreza.”
Como avança Canhanga, e é necessário reter isto quando falamos das autarquias, seus problemas, sucessos e/ou insucessos, há que ter em conta:
i) a fragilidade do quadro institucional;
ii) as limitadas oportunidades oferecidas pelo sistema tributário autárquico;
iii) o descompasso entre o aumento de competências do governo central para os governos municipais e o aparente alargamento da base tributária;
iv) o baixo nível de transferências orçamentais intergovernamentais e de execução financeira nos municípios, assim como;
v) a ausência de uma coordenação, harmonização entre as políticas de desenvolvimento local com os demais instrumentos da acção governativa do país comprometem os níveis de desenvolvimento e os esforços de redução da pobreza nos municípios do país.
Sobre o vertido em v) acima, parece que o governo despertou para a necessidade de ser mais actuante para o combate dos flagelos da pobreza urbana. No discurso de investidura o PR AEG reafirmou que, neste contexto, “vamos intensificar as nossas acções de luta contra a pobreza urbana, promovendo, como no campo, parcerias com o sector privado, as confissões religiosas e outras organizações da sociedade civil. Procuraremos, assim, encorajar os nossos compatriotas a organizarem-se em associações ou empresas, a enveredarem pela formação, de variada duração e especialidade, e a acreditarem que a melhoria das suas vidas, higiene e segurança nos seus locais de trabalho e de residência está ao seu alcance e depende, em primeiro lugar, de si próprios.” Algo que já havia sido desenvolvido aqui.
Conhecedores dos enunciados acima, é minha opinião que precisamos de uma nova abordagem. Os debates sobre os problemas da Matola “encravam” muitas vezes na pessoa do seu líder e da equipe que ele dirige. Sem os excluir do problema, há de certeza muitos outros que precisam de uma análise; uma análise inclusive comparativa com um passado recente. É evidente que esse olhar para o passado tem que ser feito com cuidado; a herança de Carlos Tembe também penaliza o Nhacale; não é fácil substituir alguém que foi, por muitos, considerado um dos autarcas mais voluntariosos da história autárquica do país.
Chega de bater no coxinho. Há mais problemas cuja abordagem embora circunscrita a Matola pode ser vistos como comuns a todos os municípios. Debater a Matola pode ser debater todos os Municípios do País.
Mas se um blog sobre a Matola poder ajudar. Eis o MATOLAONLINE. O conceito é similar ao do MoçambiqueOnline e todo aquele que poder contribuir sobre os problemas da Matola, tem lá um espaço privilegiado.
Viva Moçambique, Viva a Matola.
Posts sobre Autarquias e Matola em particular? Veja aqui, aqui,aqui, aqui e também aqui.
Os iiiiiii de Machado da Graça
Os iiiiiii de Machado da Graça
Tadeu Phiri
Na sua última talhe de foice Machado da (des)Graça não me surpreendeu. Voltou a dar machadadas nas suas próprias costas. Se Machado (o da Graça) vive há trinta e cinco anos com a obsessão de pertencer a uma alegada esquerda (para a qual só são associados alguns eleitos com os quais leu os mesmos livros, viu os mesmos filmes e debateu nos mesmos cine-clubes), não podemos censurá-lo por nos presentear, de tempos em tempos, com discursos sublimes que ele acredita piamente serem discursos de esquerda. Da sua esquerda.
Bom, deixemos de detalhes e partamos para o essencial. O primeiro ponto essencial refere-se à minha existência. Porque (pensa que) nunca me viu ele toma-me por inexistente! Para Machado da Graça, só existe quem ele conhece. Tenta imitar a dúvida metódica ou cartesiana, de forma errada, como quem diz: “não conheço Tadeu Phiri, logo ele não existe”. Será isto um resquício dos tempos em que muitos moçambicanos eram considerados nada? Prefiro não acreditar.
De 1975 a esta parte o país viu nascerem 40 instituições de ensino superior. Mais de 40.000 jovens ingressam todos os anos ao ensino superior. Milhares de Phiris são formados todos os anos, sem contar com outros milhares de graduados no ensino médio. É evidente que Machado da Graça não conhece a todos eles. Será que, porque os não conhece, eles não existem?
O tempo em que todos os que escreviam bem se conheciam passou para a história. Machado da Graça não me conhece mas eu lhe conheço. Eu penso, logo, existo – cogito ergo sum. Isto para dizer que não faz o mínimo de sentido que o senhor Machado da Graça diga que eu, Tadeu Phiri, filho de Tiago Phiri e de Fátima Thembo, não existo!
O segundo ponto essencial refere-se à adaptação da FRELIMO ao contexto global. No seu último texto, Machado da Graça demonstra que a FRELIMO sempre procurou ajustar a sua linha de orientação às circunstâncias concretas do terreno, tanto dentro como fora do país. A tal FRELIMO ortodoxa de 1977, que preconizava o absoluto controlo da economia foi sofrendo ajustamentos a partir dos princípios da década de 80. A privatização das pequenas empresas, as negociações com o Fundo Monetário Internacional e a abertura ao Ocidente fazem parte destes ajustamentos à realidade concreta. Queria Machado da Graça que a FRELIMO ficasse parada no tempo? Já no tempo de Samora a FRELIMO havia se mostrado aberta às instituições de Bretton Woods e ao Ocidente! Esta FRELIMO de hoje é a FRELIMO de Samora Machel sim. Portanto, se está divorciado desta FRELIMO, caro Machado da Graça, então está divorciado da FRELIMO de Samora Machel.
Sobre as mudanças e adequações ao contexto, aconselho Machado da Graça a ler o livro de Sylvia Bragança, para ficar elucidado com o que esta Senhora refere na sua obra. Quem sabe possa aprender um pouco mais acerca das vantagens que a mutabilidade e a adaptabilidade trazem para o progresso dos povos.