quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Governo, Economia & Banca (Actualizado)


Recebi a imagem que reproduzo abaixo e dei comigo a conjecturar sobre a interacção Governo, cidadãos e os diversos sectores económicos na sustentabilidade da (frágil) economia Moçambicana.

Será que a figura abaixo poderia caracterizar as (co)relações em Moçambique?
Basílio, dê luz.

13 comentários:

Cocktail Molotov disse...

Nao vejo a tal imagem!

Basilio Muhate disse...

iLUSTRE, A IMAGEM NÃO ESTÁ ACESSIVEL, LOGO É DIFICIL COMENTAR.

Basilio Muhate disse...

Ok imagem visível,

Mutisse essa imagem até é interessante e comica, mas ao mesmo tempo retrata a realidade de muitas economias do mundo, que na verdade são suportadas pelos cidadãos.

Portanto, os cidadãos pagam impostos ao Estado e fazem poupança nos bancos, mas esta imagem não espelha completamente a nossa realidade porque tão a faltar ai os DOADORES que representam um grande bolo na economia Moçambicana.

Só posso lamentar a situação do cidadão, ter que suportar sozinho o peso da economia não é tarefa fácil. Nestes momentos de crise o Estado tem que deixar de dormir como a imagem ilustra, sob pena de o cidadão largar o peso da economia e a banca pirar-se.

Chacate Joaquim disse...

Já tinha visto algures esta imagem, mas não é o que importa de momento.

Bem literalmente podemos dizer que os doadores, cooperantes, financiadores etc... estão no cidadão pois são fruto de um trabalho deste de negociação e estabelecimento de parecerias há vezes até que precisamos de vender Beleluane para de extalar uma Fábrica altamente poluidora para garantir finaciamentos australianos!

Ora, cá por mim, faltão são ligações efectivamente harmoniosas e complementares entre estes!

Por exemplo: se abanca dificulta os financiamentos para actividades económicas, mesmo de subsistência, como é que o cidadão irá suportar a economia? se o Estado promove um negócio desregrado com lucros acima de 100% na Banca, como é que se está a promover a reprodução de dinheiro que irá alimentar a banca? por isso é frequente falirem bancos em Moçambique.

O professor Nuno dava exemplo de cuba para a felicidade do seu exemplo, que lá pode não se ser rico mas a agricultura está ligada a Hotelaria e turismo, à banca, a indústria siderúgica, ao estado etc... aqui não os hoteis dependem das importações até no papel higiene que a CARMOC poderia se encarregar!

Portanto, eta figura no existe sem funcionalidade que devia no nosso país! há alguma coisa que não está bem ainda não sei o que é mais um dia vos mostrar-ei

Basilio Muhate disse...

Boa achega Chacate, mas tenho que sublinhar que os DOADORES são uma componente pesada na nossa economia e em nenhum momento devo misturar com os cidadãos. Os doadores é que investem mais de 40% do OGE Moçambicano, logo, têm um peso significativo na Economia.

O que está a faltar é, para além de outros factores, a maior coordenação institucional, ligação e comunicação entre diferentes agentes e sectores, criação de capacidades institucionais e técnicas e uma maior planificação estratégica da economia de Moçambique.

Júlio Mutisse disse...

Ilustres,

Estamos a dar um ponto de partida interessante para discutirmos a estrutura da nossa economia.

Quando vi esta imagem à primeira, supus de facto que a ênfase dada ao cidadão, no nosso contexto, era extremamente excessiva, tendo em conta 3 factores que me ocorreram de forma empírica sem nenhuma base cientifica para a os sustentar (por isso clamei pelo Basílio embora não os tivesse enunciado de princípio):

1. o pagamento de impostos (quantos dos cidadãos economicamente activos pagam, efectivamente, impostos em Moçambique?)

2. o nível de bancarização (a quantos nacionais, dos 20 000 000, tem os BANCOS acesso? E quantos têm acesso a banca?)

3. o peso dos doadores. Parece me que deviam merecer lugar nesta imagem.

Portanto, poderíamos refazer esta pintura pondo o Governo (não a dormir) como lobista procurando estabelecer mecanismos da permanência dos doadores e a sacudir os nacionais para o pagamento de impostos. Por sua vez poderíamos aranjar uma forma de representação na imagem que reflectisse que só pouquíssimos cidadãos tem participação activa na sustentação da economia ao mesmo tempo que representámos a banca à imagem de um verdadeiro Ninja.

Basilio Muhate disse...

Julio

Tás a alargar a arena de debate da economia nacional, vamos a isso.
Seria bom que os cidadãos começassem a olhar para estes assuntos de economia e finanças sem tabus porque são assuntos do dia-a-dia do cidadão, com os quais se depara todos os dias.

Sobre o PAGAMENTO DE IMPOSTOS, tenho a acrescentar que, apesar dos esforços da Autoridade Tributária (ATM) em alargar a base tributária, ou seja, o número de constribuíntes para os cofres do Estado, ainda há uma grande parte de Moçambicanos que estão fora do sistema tributário, ou seja, não pagam impostos. São cerca de 630.000 contribuintes actualmente em moçambique, na sua maioria colectivos, ou seja empresas.

Mais sobre os impostos escrevi aqui: http://basiliomuhate.blogspot.com/2008/06/autoridade-tributaria-de-moambique.html

Sobre a Bancarização, caro Julio, existem em Moçambique perto de 400 balcões de bancos comerciais, dos quais 200 estão na cidade de Maputo e província e o resto dos balcões estão espalhados pelo País. Beira e Nampula acabam acolhendo outro grande número de bancos e o remanescente fica para as restantes províncias.
A Bancarização da economia Moçambicana ainda é uma miragem, tem que haver mais bancos e mais balcões onde haja produção, onde haja polos de desenvolvimento, onde haja sinais de desenvolvimento. O Acesso à banca é fraco por parte dos cidadãos.

os DOADORES têm um peso muito forte no Orçamento do Estado, cerca de 50% provém deles, logo não devem ser ignorados. Mas é preciso notar um facto curioso: mesmo com a crise financeira internacional, os principais doadores de Moçambique mantiveram as suas promessas em relação ao apoio ao Orçamento do Estado para 2010. fica a pergunta: porque será ???

Vamos continuar a discutir o assunto...

Chacate Joaquim disse...

Júlio,

Acho mister a sua preocupação patente nos três pontos do seu último comentário.

Com relação à primeira questão eu acho ficaria consensulmente objectivo assim: dos que economicamente activo quais são os seus rendimentos líquidos? porque daqui deriva o imposto. veja só um exemplo: um técnico médio na função pública (como maior empregador) ganha por ai 4.500Mt deste valor inevitavelmente deve pagar o IRN (inposto de reconstrução nacional) lá no seu município, taxa de lixo, radio de fusão etc..) sobre este podemos aprondar se for o caso.

Estamos a descer para a 2ª. para mim o problema ném é o acesso porque o dinheiro é conservado de muitas maneiras e boas. aqui seria a utilidade da banca no nosso caso a banca só está para tirar dinheiro do sacrificado cidadão no lugar de facilitar a mobilidade da nossa economia. Veja o Govereno, a dormir com a primeira ministra a defender que estamos numa economia de mercados, onde o lucro é que comanda as operações económicas! isso para mim é anarquia.

Veja só um exemplo Júlio: alguém quer aceder a um emprestimo num dos bancos da praça. o contrato vem assim, a tx de juros é de 25% ano, automaticamente alterável pelo banco; 2% da taxa de preparos, mais seguro de vida a ser pago belo cliente e à proporcionalidade do valor do emprestimo o valor do prémio da sua apólice. Ora, isto é igual a dizer que se quer mil paga mil! infelizmente em moçambique ainda não temos negócios que suportam esse tipo de custos! portanto a banca está mesmo a cumprir o seu papel (vide a figura).

Quanto ao governo, podemos dizer que não está a dormir há vezes que desperta. só lamentamos facto deste despertar quando o mercado está em convulções que atentão com o trono (lembre do caso das gasolineiras) mas a banca é folgadamente larápio.

Enfim o cidadão não pode de forma alguma suportar este nível de ladroagem, sobre tudo quando os benefícios dos impostos vem em forma de donativos!

Chacae Joaquim disse...

Basílio, há vários assuntos que levantas lá no seu cantinho que embora celectivos pela sua natureza técnica poderiam suscitar um bom debate.

É bom ver as coisas de forma óptima e modesta. lembra-se que há moçambicanos que não conhecem o metical?

Para mim não é a expansão da banca que vai resolver esse problema mas sim a mobilidade da nossa economia em teros de ligações e trocas.

Há uma coisa que fazes no seu último post que é de trazer dados numerais é positivo só que falta uma coisa que é analisa-los no tempo e no espaço.

Lembrão-se do BPD e do seu efeito na economia, (produção e productividade)? não é o que estou a ver na imagem.

Os doadores deixe os com o governo, porque depois das negociações deixa tudo à deriva!

Pensa comigo

aminhavozz disse...

Só uma pequena correcção Julio

Sentir o peso da economia não significa apenas pagar impostos directos ao estado...

Não te esquecas que todos nós, independentemente de sermos ‘fieis’ contribuintes, sentimos o efeito dos impostos nos produtos que adquirimos. Ou seja, ao comprar produtos a preços elevadíssimos, mesmo com tão baixos salários, estamos de algunma forma, a sentir o peso da nossa economia…

Capiscas????

Chacate Joaquim disse...

aminhavozz, já tento mostrar isso ao Júlio quando o salário mínimo não consegue comprar a cesta básica!

Basilio Muhate disse...

Zenaida

Os impostos que pagamos ao Estado representam um grande peso para o cidadão. Sobre o salário mínimo vale a pena ler aqui: http://basiliomuhate.blogspot.com/2009/04/reajuste-do-salario-minimo-em.html

O mercado de emprego e as negociações salarias em Moçambique é um outro debate que deviamos aprofundar para esclarecer muitas zonas de penumbra que ainda persistem nos cidadãos, no Estado, nos sindicatos e nos empregadores.

Julio Mutisse disse...

A imagem que serve de mote a este debate: como organizá-lo no nosso contexto? Que estrutura assume no nosso contexto