terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Crítica e Consenso

Crítica e Consenso
Elísio Macamo



Uma parte da blogosfera moçambicana esteve recentemente em efervescência (ver aqui, aqui e aqui). O motivo foi a eterna discussão sobre a nossa relação com o país. Duas posições emergiram dessa discussão. Uma, apologética, defendeu a ideia de que a crítica ao que está mal deve primar pelo patriotismo (ver aqui), enquanto a outra, oposicionista, insistiu na ideia de que o recurso ao patriotismo pode ser um subterfúgio para evitar que se critique o que está mal (ver a discussão nesse mesmo texto). Antes de prosseguir com a reflexão devo fazer um reparo. Ao rotular as duas tendências de “apologética” e “oposicionista” não tenho como intenção tecer um juízo de valor. “Apologético” é um termo muito forte que pode até implicar a ideia de que alguém defende o indefensável. Não é neste sentido que uso esse termo. Uso-o para destacar que essa tendência está próxima da defesa do estado actual das coisas sem, por isso, essa defesa deixe de ter reticências em relação ao que pode ser visto, do interior da comunidade normativa que defende a ordem actual, como estando errado. Da mesma forma, a noção “oposicionista” pode evocar a ideia duma atitude de rejeição total da ordem actual sem compromissos. Aqui também não é nesse sentido que uso a noção. Uso-a para destacar o simples facto de se articular diferença fundamental de opinião em relação a aspectos da ordem actual.


Estes reparos são importantes por duas razões. A primeira é simplesmente de erigir desde já barreiras contra uma discussão semântica. Repito: não há maldade nas designações. O importante é a intenção sistemática e tipológica. A segunda razão é mais substantiva. A intenção desde texto é de procurar identificar uma plataforma comum de discussão que não elimine as naturais diferenças de opinião que existem, nem as legítimas sensibilidades políticas que enformam essas diferenças. Não se trata duma tentativa de estabelecer regras para o debate – embora essa interpretação não seja completamente irrelevante. Trata-se mais dum esforço de mostrar que a defesa bem como a rejeição da ordem vigente não são posições que tornam a conversa impossível. Há, contudo, formas de fazer a defesa ou a rejeição que podem tornar a conversa impossível. Infelizmente, este último aspecto caracteriza em grande medida o debate na esfera pública moçambicana, sobretudo da parte de quem critica. Mostrar isto e lançar um aviso sobre as suas nefastas implicações constituem os principais objectivos da reflexão.

A crítica

Toda a reflexão gira em torno da noção de crítica. Por essa razão, gostaria de fazer mais um reparo em relação à forma como eu a entendo. Para mim a crítica é, na essência, um exercício de introspecção que tem como objectivo justificar o que faço e penso. Quando, por exemplo, peço a um amigo no aparelho de Estado para facilitar o emprego a um familiar próximo (ou a uma amante) o elemento crítico está contido na minha capacidade de conciliar esse pedido com os valores que defendo. O que é mais importante para mim? Ajudar os meus amigos (e amantes) ou violar o espírito das leis do país? Como concilio a ajuda aos amigos com o acto de forçar um amigo a movimentar-se na ilegalidade? Qual é o amigo que me é mais importante? O que precisa de ajuda ou o que eu forço a violar leis? O saudoso Michael Jackson (paz à sua alma nobre) cantava em “Man in the mirror” (o homem no espelho): if you want to make a change / take a look at yourself / and make that change (se quiseres mudar alguma coisa / olha para ti próprio / e faça essa mudança). Tinha razão o génio. Crítica é fundamentalmente isso. É estabelecer a ligação entre torcer o nariz perante alguma coisa (ou achar boa uma determinada coisa) e o que nos permite justificar a nossa atitude. O que significam os outros para nós?


Distância crítica

Preciso de esclarecer mais uma noção, nomeadamente “distância crítica”, que é o que nos permite justificar a nossa atitude. Mas que bicho é este? É a ciência? Não! É Deus? Não! São os Direitos Humanos? Não! É a democracia? Não! Nada disso. O que nos permite fazer isto é a nossa imersão na sociedade em que vivemos. Neste sentido, concordo com um reparo feito por Reflectindo (aqui) quando ele destacava a importância de experiências e percepções pessoais diferentes. Quem passou por campos de reeducação, quem viu as suas opções limitadas pelas exigências da revolução, etc. apreende o mundo à sua volta a partir dessas experiências. Mas isto não implica necessariamente que todo o indivíduo que teve este tipo de vivência vai rejeitar a ordem vigente, nem que essa rejeição seja a única atitude coerente que resta às pessoas. Do mesmo modo, quem viu a sua vida melhorar com a “revolução socialista” (acesso à educação, bolsas no estrangeiro, emprego no aparelho do Estado, etc.) não precisa de reduzir a coerência do seu posicionamento à defesa da ordem vigente. A nossa imersão na sociedade faz de nós indivíduos morais, o que significa que pesa sobre nós a responsabilidade de justificarmos as nossas acções e atitudes. Neste sentido, a distância crítica é o nosso esforço de articularmos o nosso posicionamento moral com a sociedade em que vivemos. Porque é que o resto da sociedade devia ver as coisas como eu as vejo? Que razões legítimas é que alguém teria para rejeitar ou aceitar a ordem vigente vista a partir dos valores que defendo? O que seria preciso alterar nessa ordem para acomodar aquele que rejeita ou salvaguardar os interesses legítimos daquele que defende? Este esforço de reflectir sobre o que nos incomoda (ou agrada) tendo em conta o posicionamento dos outros define a distância crítica e vinca, ao mesmo tempo, o nosso compromisso com a comunidade de que somos membros. Distância crítica é vontade expressa de conversar.


Defesa da verdade

Ora, esta vontade expressa de conversar não é sempre evidente. Há várias razões que concorrem para isso, a mais importante das quais – em minha opinião – é a confusão que temos feito entre distância crítica e defesa da verdade. Muitos de nós pensamos que o único que precisamos para criticarmos é uma referência universal qualquer – digamos, direitos humanos, democracia, transparência, forças do mercado, justiça social, etc. ou pior ainda: esquerda, direita, centro-esquerda, centro-direita, social democracia, etc. – que utilizamos como medida para julgar o que nos incomoda (ou agrada). Muitos nem precisam de verificar se eles próprios se comprometem completamente com essa referência universal; é suficiente brandi-la contra os adversários. Muitos acham ser suficiente dizer que são democratas (ou pela justiça social) e que os seus adversários não são, razão pela qual a sua posição seria necessariamente correcta. O fundamentalismo está à espreita nos cantos menos prováveis! Uma conversa em que os interlocutores querem defender a verdade é defícil, senão mesmo impossível. A conversa só é possível quando os interlocutores estão preparados a questionarem as suas próprias posições. Isto pressupõe a aceitação da ideia de que muita coisa é apenas transitória, fruto de vivências concretas. As mulheres na Suíça começaram a lutar pelo direito de voto em 1886 e só em 1971 lograram os seus intentos. Não foi uma ditadura que lhes negou esse direito, mas sim uma comunidade que se definia (e com legitimidade) como sendo democrática. Não foi necessariamente a adopção de valores democráticos que tornou possível a extensão do voto às mulheres, mas sim interesses de outra natureza cuja realização exigia compromissos de vária ordem. Só na conversa é que se vislumbram os espaços do compromisso. A democracia é incompatível com posições extremas.


A defesa da verdade tem duas manifestações principais. Uma consiste em manipular e a outra em obrigar as pessoas a serem aquilo que nós queremos que elas sejam. A obrigação de pessoas vem da crença na ideia de que só há uma maneira legítima e permamente de organizar a sociedade. No nosso país esta manifestação desembocou no fundamentalismo revoluccionário de alguns sectores da Frelimo que se viram imbuídos da missão de tornar as pessoas felizes (mesmo contra a sua vontade). Ela continua presente em muitos posicionamentos críticos que de vez em quando aparecem na discussão pública. São posicionamentos reaccionários que se opõem à mudança e à ideia de que sejam possíveis outras formas de organização social. A manipulação, por sua vez, consiste em reclamar uma posição de enunciação fora da comunidade, mas que se legitima por falar em nome daquele que não tem voz. Considero esta posição a mais nociva, pois ela não considera a conversa desejável. A sua moral é do tudo ou nada. A ordem vigente bem como todos aqueles que a apoiam têm que ser destruídos. Essa é a vontade do “povo” injustiçado. Qualquer manifestação de protesto (os distúrbios de 1 de setembro, por exemplo) é festejada como o levantamento há muito anunciado do povo contra o sistema. Mas isto não é correcto. Este tipo de interpretação manipula simplesmente o que toma por vontade popular para seus objectivos obscuros de evitar conversar. Um dos seus grandes percursores foi Lénin quando exortava os seus companheiros a pegarem em todo o grãozinho de protesto e insatisfação popular para o investir na destruição da ordem vigente. Muitos dos nossos críticos foram intelectualmente socializados nesta tradição extremamente intransigente.

Não é possível enfatizar suficientemente o lado nocivo desta atitude. Uma das coisas mais deprimentes que acontecem no debate público é este espectáculo niilista do tudo ou nada. Leio regularmente o jornal O País online. Invariávelmente, todos os textos políticos são acompanhados de comentários cuja maioria é dum tom agressivo, mal-educado e de certeza absoluta sobre quem é o culpado de tudo. Simplesmente deprimente, ainda que haja muitas razões para fazer torcer o nariz a qualquer moçambicano sensato. E quem se sentir tentado a pensar que eu esteja a defender uma posição académica pode reflectir no seguinte exemplo. Na segunda década do século passado houve uma fome terrível no sul do país (causada, como sempre, pela seca). Dessa situação surgiu um movimento campesino com o nome de “Murhimi” (agricultor) liderado por um “profeta” que pregava aos seus seguidores uma conduta moral sã, abnegação no trabalho e solidariedade. Melhor sentido de crítica não pode haver! Tratou-se aqui de pessoas que analisaram a sua sociedade e procuraram, na acção comum e constructiva, a saída da situação em que se encontravam. Quantos dos que criticam constantemente hoje em dia procuram, por exemplo, criar redes de agentes económicos que selem códigos de conduta moral contra a corrupção, suborno, etc.? Quantos procuram identificar juízes íntegros e estabelecem com eles espaços morais de conduta íntegre, etc.? Quantos identificam no aparelho de estado funcionários com brio profissional com quem possam fazer a luta por uma burocracia mais transparente, eficiente e virada para o serviço público? Mas crítica é isto, no fundo.


Ligações perigosas


Vou terminar com uma pequena ilustração. Peguemos nas suspeitas que páiram pelo ar segundo as quais alguns moçambicanos estariam envolvidos no narcotráfico e que, através das suas ligações com o poder político, teriam amplo espaço de movimentação. O nosso debate típico pode ser caracterizado da seguinte maneira: os apologistas diriam que se trata duma conspiração externa e exigiriam que todo o verdadeiro patriota cerrasse fileiras contra essas insinuações de fora; os oposicionistas diriam que é mais uma prova da corrupção total do sistema e exigiriam que todo o verdadeiro patriota assumisse posição contra o pessoal que se deixa corromper pela gente da droga. As duas posições são perfeitamente legítimas, mas no espírito do debate são insuficientes. Cada uma delas encerra elementos críticos. O apologista (acha que) está a defender a soberania nacional e, por isso, insiste numa ideia muito específica do patriotismo. O oposicionista (acha que) está a defender a moralidade na acção política e, por isso, insiste noutra ideia específica do patriotismo. Se cada um dos intervenientes nesta discussão insistir na sua posição como algo sagrado, o debate não será possível. Cada um vai simplesmente defender a sua posição intransigente.


Suponhamos, porém, que cada um deles faça o exercício de introspecção moral que a crítica exige. Aí as coisas mudam. O que receia pela soberania pode perguntar a si próprio porque ela é assim tão importante para si. Se calhar é porque ele acha que Moçambique precisa de estar sempre em condições de tomar as suas decisões sem intereferências de fora. Muito bem, mas ele pode continuar e perguntar se uma possível ligação com o mundo obscuro do narcotráfico não teria, a longo prazo, os mesmos efeitos. A distância crítica pode obrigá-lo a ir mais longe questionando a sustentabilidade dos benefícios que se tiram desse negócio sujo e, acima de tudo, interrogando-se como ele se sentiria se os beneficiários fossem os seus actuais adversários políticos. Que tipo de contexto institucional ele acharia justo para que mesmo na eventualidade de ele estar fora do poder – e os actuais adversários políticos manterem esse tipo de ligações – ele próprio não ficasse prejudicado? A resposta íntegra a estas questões vai criar o espaço de conversa com os outros. Igualmente, aquele que receia pela moral política pode perguntar porque ela é assim tão importante para si. Pode ser que a resposta seja de que a moral na acção política precisa de ser preservada para que o povo continue (ou comece) a determinar a política que se faz (ou devia fazer) em seu nome. Aí ele pode perguntar o que torna os interesses, digamos dos camponeses, moralmente superiores aos dos homens da droga. A resposta, parecendo que não, não me parece óbvia. Ele pode chegar à conclusão de que precisa de reflectir sobre os arranjos institucionais que o sistema político precisa para que a articulação de interesses particulares não seja à custa de outros interesses da sociedade. A resposta a estas questões todas conduz também à criação de espaço para a conversa.


O consenso


Uma crítica formulada e entendida desta maneira pode conduzir ao consenso. O consenso não significa comunhão de opinião, mas sim vontade de compromisso. Essa vontade só pode surgir duma atitude crítica. Este é, no final de todas as contas, o significado profundo da democracia. Nenhuma democracia nasceu com tudo já feito: instituições, democratas e estabilidade. Democracia é algo sobre a qual se trabalha e, no processo, se constitui. Este é também o significado da procura de soluções locais. Não há democracia africana e democracia ocidental. Há respostas concretas e locais para problemas históricos locais que só se podem tornar visíveis a partir da vontade de discutir abertamente as razões que temos para fazermos o que fazemos. A democracia é o resultado da distância crítica.

26 comentários:

Abdul Karim disse...

Apenas uma questao :

Sera possivel encontrarmos um consenso em tudo quanto gira 'a nossa volta, pra depois avancarmos consistentemente para o "Nosso Amanha" ?

V. Dias disse...

Grande texto.

Imprimi e depois, quando tiver vagar, vou ler e reler.

Gosto de mastigar e depois, se me permite, ejacular pela boca os meus débitos.


Zicomo

Reflectindo disse...

Li o artigo e oportunamente postarei o meu comentário.

Um abraco

Julio Mutisse disse...

Este texto tem tudo para funcionar como um espelho. Um espelho que tanto pode mostrar uma imagem nitida (dependendo do angulo) como pode mostrar uma imagem desfocada mas sempre um espelho.

Os defeitos que reconhecermos ao nos olharmos ao espelho devem ser corrigidos. Alias o apelo aqui tem sido no sentido de preservarmos a identidade focando no essencial... "A conversa só é possível quando os interlocutores estão preparados a questionarem as suas próprias posições. Isto pressupõe a aceitação da ideia de que muita coisa é apenas transitória, fruto de vivências concretas." Anotado.

Outra vez anotado: "Uma crítica formulada e entendida desta maneira pode conduzir ao consenso. O consenso não significa comunhão de opinião, mas sim vontade de compromisso."

Chacate Joaquim disse...

Muita isenção, tanta neutralidade, totalmente imparcial. Aplaudimos o comportamento académico, intelectual muitas vezes carente nas nossas abordagens. Optando quase sempre em demagogicamente dar ou tirar razão mesmo que isso custe passar por cima de quem quer que seja!!!

“Isto pressupõe a aceitação da ideia de que muita coisa é apenas transitória, fruto de vivências concretas. As mulheres na Suíça começaram a lutar pelo direito de voto em 1886 e só em 1971 lograram os seus intentos.” (...). “Não há democracia africana e democracia ocidental”

Ainda bem que não somos pioneiros nesta luta. Por que não aprendemos com os erros dos que nos antecederam? As lutas pelas independências africanas não tiveram mesma duração! Antes pelo contrário a independência de um país facilitava a do outro.

“(...) a articulação de interesses particulares não seja à custa de outros interesses da sociedade.”

Só se a sociedade não ser do indivíduo. Afinal o interesse deles não é do povo deles? Então, “(...) conhecem um mundo que não se tenha criado com o sangue e sacrifício? Qual? O Deus dos hebreus exigiu o sangue de Isaac, filho de Abraão. O Deus dos cristãos foi ainda mais longe, exigiu o sacrifício do seu próprio filho. Como podemos nós simples homens, fazer aquilo que nem sequer os deuses conseguiram (...)?” (Ngoenha Severino, 2009:60)

Este é o dilema, o meu sentido de estado (povo) não é o mesmo que eles (governantes) mas todos são! A questão é quem aprova esses comportamentos “certos” para que eles se torne genuinamente da sociedade Moçambicana?

Anônimo disse...

Karim, se tomarmos o consenso como "comunhão de opinião, mas sim vontade de compromisso" (e se entendi bem a ideia) creio que sim. É possível. É possível em debate nos comprometermos a analisar as coisas de acordo com um outro ângulo de visão e, se calhar, chegarmos a uma comunhão de opinião formada a partir do consenso de abraçarmos, na diversidade, uma nova forma de abordagem.
Percebo este texto como uma abordagem a forma como, constantemente, debatemos. Os exemplos trazidos são sintomáticos disso. Pese embora os laivos de crítica que de vez em quando aparecem mesmo em textos como o anterior que nos convidam a reflexão, este blog é um exemplo daqueles que se posicionam apologeticamente nos mais diversos assuntos ao contrário do Reflectindo que está e/ou é do contra. Isto não é mau se assumirmos que cada um tem as suas crenças. Mau é quando, como se diz no texto do Elísio, a conversa é impossível aprioristicamente por causa das diferenças de abordagem.
Há diferenças sim mas é possível conversarmos e sermos úteis nesse exercício.

Anônimo disse...

Karim, se tomarmos o consenso nao como "comunhão de opinião, mas sim vontade de compromisso" (e se entendi bem a ideia) creio que sim. É possível. É possível em debate nos comprometermos a analisar as coisas de acordo com um outro ângulo de visão e, se calhar, chegarmos a uma comunhão de opinião formada a partir do consenso de abraçarmos, na diversidade, uma nova forma de abordagem.
Percebo este texto como uma abordagem a forma como, constantemente, debatemos. Os exemplos trazidos são sintomáticos disso. Pese embora os laivos de crítica que de vez em quando aparecem mesmo em textos como o anterior que nos convidam a reflexão, este blog é um exemplo daqueles que se posicionam apologeticamente nos mais diversos assuntos ao contrário do Reflectindo que está e/ou é do contra. Isto não é mau se assumirmos que cada um tem as suas crenças. Mau é quando, como se diz no texto do Elísio, a conversa é impossível aprioristicamente por causa das diferenças de abordagem.
Há diferenças sim mas é possível conversarmos e sermos úteis nesse exercício.

Chacate Joaquim disse...

Infelizmente,isto não tem cura! para dizer que o Reflectido é sempre do contra, precisa esconder o nome???

veja que, aqui na blogsfera já nos conhecemos, sem querer contrariar o que refe-se a este blog. O que custa-me é compreender a utilidade (para o debate) de caracterizar por exemplo o "Mutisse ou o Elísio Macamos como optimistas para o obter o crédito do banqueiro" ou outros adjectivos que nos convir!...


Porque me parece que, a questão é saber como alcançar concensos?

Eu diria: com sedências, concordância, aceitação do outro e valorização da sua opinião, ampliar-se mais espaços públicos para interação, evitar-se o máximo o uso da força na resolução das diferenças.

Anônimo disse...

Chacate,O último comentário é meu. Meu nome é Maguezi, Felisberto Maguezi não xonsegui postar usando meu nome próprio e me penitencio por não ter assinado como fiz no blog do Jorge Saiete (corre um debate interessante).
Podes não concordar, estás no seu direito. Dentro do conceito do Elisio neste texto, o blog do Mutisse é dos que se posicionam apologeticamente e o Reflectindo (tomado aqui apenas como exemplo e até considerando os links oferecidos no texto) é o oposicionista. Sempre no conceito do Elísio claro.
Sabes oh Chacate, um dos grandes problemas que minam o debate entre nós são os pudores excessivos. O seu questionar do que disse sobre o Reflectindo “parece” dar a entender que ficaste chocado/ofendido com o que disse, sem razão aparente. Porque questionar o meu ponto de vista sobre o Reflectindo e não questionar o meu sobre o Mutisse? Achas que ‘e um elogio que faço ao Mutisse e um desprimor ao Reflectindo? Achas que o Mutisse vai gostar e o Reflectindo não? Please veja o que está em causa no debate e não a INTENÇÃO presumida das pessoas. Veja os contextos, caso contrario corres o perigo de radicalizar um debate que tem tudo para correr sem muitas polémicas.
Maguezi.
PS; Dentro de alguns instantes vou lançar o meu blog procidadania.blogspot.com e o primeiro tema será a taxa de lixo e a sua impugnabilidade face a inexistência da contrapartida em muitos bairros (pelo menos em Maputo e Matola).

F. Maguezi disse...

Já consegui.
Ao Invés de procidadania como eu queria o blog começa hoje com o nome Pro Cidadania mas com o link: http://espacocidadaniamoz.blogspot.com/
É desta que saio do anonimato. Mutisse desculpe a publicidade mas tinha que me dar a conhecer. Não há restrições no meu espaço. Todos podem vir e opinar.

Chacate Joaquim disse...

Caro F. Maguezi,

A swi feni hi blog (prezer pelo blog)

A outra coisa que acho que todos no geral temos é correr para comentar e ou responder sem (re)ler os outros! É que a prior vai concluir mal!!!

“um dos grandes problemas que minam o debate entre nós são os pudores excessivos. O seu questionar do que disse sobre o Reflectindo “parece” dar a entender que ficaste chocado/ofendido com o que disse, sem razão aparente. Porque questionar o meu ponto de vista sobre o Reflectindo e não questionar o meu sobre o Mutisse?”

Está a ver... já estamos a levar o tempo a discutir coisas supérfluas!... Mas querendo, deixa esclarecer o seguinte: Se me leu sem preconceito, pode ter percebido que isso não me interessa (ao ponto de ficar chocado) é por isso que questiono a utilidade que tem para o debate. Veja que o próprio Elísio Macamo evitou enumerar os apologistas e os contras por (julgo eu) ter percebido que isso em nada ajudaria para o debate.

Quero dizer, o que disse no meu anterior comentário podia ter sido da seguinte forma: precisa do anonimato para dizer que Mutisse se encontra na posição de apologista? Para mim, tanto faz. O que importa é substancialmente a necessidade de nos identificar com as nossas ideias, não que esteja a perceber insulto nisso.

Ainda bem que saiu do anonimato, porque você pode pensar diferente de mim não que sejamos inimigos ao ponto de me esconder! É essa a minha luta... mesmo ao nível socio-político, os que tomam decisões precisão de perceber que as ideias nunca podem ser iguais e que as pessoas não devem perder oportunidades porque tem ideia diferente da nossa. Só assim vamos evitar os lambe botas, os faz de contas e os pendurados por cima do muro.

Só assim teremos cidadãos convictos e sensatos não demagogos e convenientes...

Abraços

Abdul Karim disse...

Manguezi,

Se 'e possivel encontrarmos consenso,

Que tal optarmos como "regra experimental da blogosfera mocambicana" , que cada debate, deve produzir um consenso no final ?

Era capaz de ficar bonito, hain ?

Por exemplo neste debate, o consenso poderia ser de que tem que haver consenso, no final, nao achas que ficava bem ?

Assim as ideias, criticas e consencos produzidos, teriam talvez um maior impacto junto dos "poderes decisores" e a "blogosfera Mocambicana" seria capitalizada, como alias tambem sugeriu o Mutisse.

O Chacate nao quer denominacoes de "dos contra" e dos "a favor", entao o segundo consenso seria que poderiamos aranjar outras denominacoes ou ate simplesmente nao darmos "denominacoes",

Funciona ?

Julio Mutisse disse...

Wena Maguezi pa. Parabens pelo novo espaco de debate. Deveras interessante. Prometi que iria la e vou cumprir.

Essa de apologetico nao lembra a nada. Seja como for, deixe me dizer te (sem querer me justificar) que tenho as minhas crencas e conviccoes que defendo ate a exaustao. Quando ha que criticar ca estou a criticar, quando eh para elogiar tambem estou aqui de cara lavada a faze-lo sem subterfugios. Quando nao concordo digo-o sem chatices.

Eu acho que podemos tentar encontrar consensos na esteira do que o Karim sugere e, se calhar, fossemos mais eficazes. Nao estamos a aqui a falar de unanimidades permanentes... estamos a falar de "compromissos" hehehehehe.

Boa semana a todos.

Chacate Joaquim disse...

Hehehehe... Karim, heheh,

Não problemas com isso mano a minha preocupação está na utilidade que essas denominação tem para o debate.

É que vezes há que eu até me escuso de colocar minhas ideias num debate com medo dos anónimos e os adjectivos que trazem ao debate.

E acabamos tempo nisso daí o consenso nunca chega!


A outra coisa é que nós que temos a tarefa de mudar as coisas neste país muitas vezes prefirimos cair no comboio daqueles que não lhes interessa um certo debate.

Por exemplo: Não se pode questionar acções anti-democráticos por a nossa democracia é jovem.

É ante-patriótico quem afirmar que em Muedumbe, Cabo Delgado as pessoas praticarão actos de linxamentos porque a intervensão das nossas autoridades foi tardia (1 ano os leões a devorarem gente indefesa! As armas para o efeito só chegaram 12 meses depois!)

Só pode ser da "oposição" quem quer debate sobre assuntos levantados na Wikileks. Porém há uma questão lá levantada que hoje já deu prova que é a questão da segurança marítima!

Por exemplo: Se eu disser que o Presidente do município da Matola não está a fazer o que devia fazer para o bem do munícipe e não consegue dizer qual é a dificuldade que tem!!! alguém vai aparecer a dizer chacate é isto é aquilo que não tem nada a ver comigo!

Etc... Portanto, penso que, o primeiro consenso a que deveriamos chegar para mim seria:assumirmos que todos somos moçambicanos e queremos o bem deste. daí, precisamos de respeitar a legitimidade da opião do outro e se possível pôr em prática desde que seja para o bem de todos.

Enfim, aceitar o debate sobre o que nos diz respeito

F. Maguezi disse...

"Distância crítica é vontade expressa de conversar" diz o Elisio Macamo neste texto.

Portanto, todo o exercício que fazemos tem que ter este pressuposto de vontade de conversar. Acontece que muitas vezes, muitos de nós, não conversam ou não se predispõem a conversar. Ditam leis que depois são defendidas com unhas e dentes incluindo adjectivações aos que defendem pontos de vista divergentes.
Quando se discutia o actual posicionamento de Jorge Rebelo e outros fez se um apelo grande a necessidade de contextualização isso se aplicava lá como se mantém aplicável para todas as conversas que comecemos na nossa predisposição para conversar.
Por exemplo, a juventude da nossa democracia pode ser chamada não para justificar atitudes anti democráticas mas, por exemplo, para vincar a ideia de que a mentalização deste ideal é um processo principalmente se tivermos em conta o nosso passado e um conjunto vasto de coisas e até para dizer que continuaremos todos a, nesse processo, a cometer erros.
Concordo que “temos a tarefa de mudar as coisas neste país” e isso implica responsabilidade. Considero completamente irresponsável legitimar/aceitar/achar normais os linchamentos mesmo que uma acção de entes públicos ou privados possa, do nosso ponto de vista, ser criticável.
Ser verdadeiro cidadão implica participar, questionar, criticar, contribuir etc e, nessa perspectiva podemos sempre criticar os nossos servidores públicos sem que isso implique estar contra ou a favor deles. Apenas as suas acções a determinado momento, do nosso ponto de vista, poderiam ser outras e colocamos quais são essas outras e debateremos com quem venha e questione porque as nossas são melhores e as outras não etc.
Haja consenso, o país precisa de todos. Nisso acho que estamos de acordo. Ou não?

Abdul Karim disse...

Bem....

Conseguimos o primeiro consenso, estamos de Parabens.

Vamos testar, vamos criar em cada debate um consenso no minimo, e vamos tentar "rolar" os debates sempre com "distancia critica", sem adjectivos "desqualificativos"

he,he, he, "compromissos", nao "unanimidade" concordo. esta OK pra mim Mano Mutisse.

Chacate disse...

Magezeeee, Maguezee, Magueze...

Xiii... já estou a acreditar que de facto é possível o consenso.

Porém, continuo um pouco ceptico com relação ao dito: "Nada justifica violência"

É que a relação entre governador e governado há vezes que é conflituosa e quem deve ser pacífico é sempre o governado! Aqui começa o problema. veja por exemplo, o que acontece sempre quando há uma greve no diferentes seguimentos da nossa sociedade, a polícia só vai para matar porque foi ensinado que é a única via de dispersar os manifestantes! Quem tem coragem de dizer que o método é incoirrecto? também não vale a pena porque já sei qual será a resposta. "Em todo o mundo é assim".

O deixar andar ou ignorar um acto social é violência. veja que as pessoas em C. Delgado estavam a ser devorados! qual é a diferença entre morrer divorado e morrer linchando? o que significa o silêncio das autoridades (para un analfabeto)? É que prefirimos ignorar estas perguntas na nossa introspercção.Prefirimos sim, dizer que é por ser analfabeto que não sabe conviver. vos digo aqui nos enganamos.

Desde já saudo a Drª Benvida Levy e seu elenco pelo belíssimo trabalho que estão a levar acabo nesta matéria.

Não há dúvidas de que a democracia é um processo e que devem ser contextualizadas.

No entanto, há coisas que confunde- se mais com falta de vontade e politiquismo barrato, sobretudo quando ninguém vem dizer nada!

Veja esse caso de lixo, não tiram o lixo e ninguém vem dizer que não temos aterro de momento ou que o aterro custa 12 milhoes de dólares numa área de 36 hectares estamos a procura de parceiro para melhorar a questão do saneamento. ou então, que as lixeiras de Malhampswene e Bairro estam a brozontarem lixo ao ponto de quase barrarem a N4 e a que vai ao B. patrice Lumumba porque temos máquinas avariadas incluindo as dos nossos parceiros!!!

O que acha deste povo? há ou não eminência de um conflito aqui? o que é processo aqui? ir dizer o povo o que se passa... ou deixar andar até vir a reação popular?

Eu tenho um amigo que tentamos discutir sobre Wikileaks, sabe o que ele disse? só querem nos sabotar porque estamos a andar bem. Mas o outro simplesmente nem quis falar disto porque são suposições...

E este último se acha mais moçambicano que todos!... assim não vamos longe havemos de levar os tais 500 anos processuais

Ha necessidade de se ampliar os
espaços de debate e opião pública.

Chacate disse...

Magezeeee, Maguezee, Magueze...

Xiii... já estou a acreditar que de facto é possível o consenso.

Porém, continuo um pouco ceptico com relação ao dito: "Nada justifica violência"

É que a relação entre governador e governado há vezes que é conflituosa e quem deve ser pacífico é sempre o governado! Aqui começa o problema. veja por exemplo, o que acontece sempre quando há uma greve no diferentes seguimentos da nossa sociedade, a polícia só vai para matar porque foi ensinado que é a única via de dispersar os manifestantes! Quem tem coragem de dizer que o método é incoirrecto? também não vale a pena porque já sei qual será a resposta. "Em todo o mundo é assim".

O deixar andar ou ignorar um acto social é violência. veja que as pessoas em C. Delgado estavam a ser devorados! qual é a diferença entre morrer divorado e morrer linchando? o que significa o silêncio das autoridades (para un analfabeto)? É que prefirimos ignorar estas perguntas na nossa introspercção.Prefirimos sim, dizer que é por ser analfabeto que não sabe conviver. vos digo aqui nos enganamos.

Desde já saudo a Drª Benvida Levy e seu elenco pelo belíssimo trabalho que estão a levar acabo nesta matéria.

Não há dúvidas de que a democracia é um processo e que devem ser contextualizadas.

No entanto, há coisas que confunde- se mais com falta de vontade e politiquismo barrato, sobretudo quando ninguém vem dizer nada!

Veja esse caso de lixo, não tiram o lixo e ninguém vem dizer que não temos aterro de momento ou que o aterro custa 12 milhoes de dólares numa área de 36 hectares estamos a procura de parceiro para melhorar a questão do saneamento. ou então, que as lixeiras de Malhampswene e Bairro estam a brozontarem lixo ao ponto de quase barrarem a N4 e a que vai ao B. patrice Lumumba porque temos máquinas avariadas incluindo as dos nossos parceiros!!!

O que acha deste povo? há ou não eminência de um conflito aqui? o que é processo aqui? ir dizer o povo o que se passa... ou deixar andar até vir a reação popular?

Eu tenho um amigo que tentamos discutir sobre Wikileaks, sabe o que ele disse? só querem nos sabotar porque estamos a andar bem. Mas o outro simplesmente nem quis falar disto porque são suposições...

E este último se acha mais moçambicano que todos!... assim não vamos longe havemos de levar os tais 500 anos processuais

Ha necessidade de se ampliar os
espaços de debate e opião pública.

Chacate disse...

Magezeeee, Maguezee, Magueze...

Xiii... já estou a acreditar que de facto é possível o consenso.

Porém, continuo um pouco ceptico com relação ao dito: "Nada justifica violência"

É que a relação entre governador e governado há vezes que é conflituosa e quem deve ser pacífico é sempre o governado! Aqui começa o problema. veja por exemplo, o que acontece sempre quando há uma greve no diferentes seguimentos da nossa sociedade, a polícia só vai para matar porque foi ensinado que é a única via de dispersar os manifestantes! Quem tem coragem de dizer que o método é incoirrecto? também não vale a pena porque já sei qual será a resposta. "Em todo o mundo é assim".

O deixar andar ou ignorar um acto social é violência. veja que as pessoas em C. Delgado estavam a ser devorados! qual é a diferença entre morrer divorado e morrer linchando? o que significa o silêncio das autoridades (para un analfabeto)? É que prefirimos ignorar estas perguntas na nossa introspercção.Prefirimos sim, dizer que é por ser analfabeto que não sabe conviver. vos digo aqui nos enganamos.

Desde já saudo a Drª Benvida Levy e seu elenco pelo belíssimo trabalho que estão a levar acabo nesta matéria.

Não há dúvidas de que a democracia é um processo e que devem ser contextualizadas.

No entanto, há coisas que confunde- se mais com falta de vontade e politiquismo barrato, sobretudo quando ninguém vem dizer nada!

Veja esse caso de lixo, não tiram o lixo e ninguém vem dizer que não temos aterro de momento ou que o aterro custa 12 milhoes de dólares numa área de 36 hectares estamos a procura de parceiro para melhorar a questão do saneamento. ou então, que as lixeiras de Malhampswene e Bairro estam a brozontarem lixo ao ponto de quase barrarem a N4 e a que vai ao B. patrice Lumumba porque temos máquinas avariadas incluindo as dos nossos parceiros!!!

O que acha deste povo? há ou não eminência de um conflito aqui? o que é processo aqui? ir dizer o povo o que se passa... ou deixar andar até vir a reação popular?

Eu tenho um amigo que tentamos discutir sobre Wikileaks, sabe o que ele disse? só querem nos sabotar porque estamos a andar bem. Mas o outro simplesmente nem quis falar disto porque são suposições...

E este último se acha mais moçambicano que todos!... assim não vamos longe havemos de levar os tais 500 anos processuais

Ha necessidade de se ampliar os
espaços de debate e opião pública.

Julio Mutisse disse...

Nao acho que para a policia a unica via de dispersar uma manifestacao seja matar nem acredito que seja lhes ensinado isso nas academias e/ou em Matalane.

Concordo consigo que o tardar das solucoes para problemas como o conflito homem animal possa ser visto como violencia. Nao acredito que as solucoes tardem devido a "classe" dos sujeitos as solucoes tardam por outros motivos que desconheco e que podem ter a ver com a planificacao ou falta dela.

Que mecanismos viaveis de dialogo governo/governados sugere ou vislumbra meu caro Chacate? O que, na sua opiniao, esta a falhar ou a nao correr como deve ser nesta vertente?

Sobre Wikileaks escrevi um texto aqui que foi debatido ate a exaustao e emiti a minha opiniao sobre o que achei ser uma forma responsavel de tratar os assuntos convidando todos nos a olharmos para nos e nos pensarmos como pais.

O desenvolvimento eh um processo... sao rotinas que se renovam etc... nao eh um produto acabado. Podemos levar 500 anos ou mais num processo de crescimento nada mau hehehehehe

Chacate disse...

"Nao acredito que as solucoes tardem devido a "classe" dos sujeitos as solucoes tardam por outros motivos que desconheco"

No citado receio não o ter percebido.

Mutisse,
O secretário do Bairro de Malhampswene não sabe dizer por que o lixo está a transbordar até N4! o que Mutisse acha que é necessário aqui? (a interação deve ser sistémico).

"Desenvolviomento é um processo"

Irmão, não é nenhuma descoberta esta afirmação. O que achamos é que, o que está ao nosso alcance deve ser feito! não deixarmos porque a sugestão é do Mutisse ou do Chacate!

A outra coisa é a incoerência que corremos nas nossas acções!

Mutisse,
diga onde reside a sensatez de uma pessoa(s) que faz um plano de parcelamento de um bairro para residencias e no mesmo bairro colocão lá uma fábrica de cimento cola com britagem e tudo? ou então, uma lixeira! o que podemos dialogar aqui? ou sai o residente ou o empreendimento!

O Bairro não tem uma esquadra por falta de edifício mas tem para grupo dinamizador! Há um problema de prioridades por mim os trabalhos do grupo dinamizador podem ser feitos na casa do secretário enquanto se arruma o edifício.

Para quem tem vontade de sirvir a atitude deve ser esta irmão. felizmente eu emito minha opião em todos os foruns porque acho que só assim podemos levar os esperados 500 anos para avançar heheh... wena pá!!!

Veja que eu desde que começamos este debate estou a trazer evidências, demodo a recolher poissíveis propostas de reformas dos planos, politicas, estratégias e soluções dos problemas que nos efermão 1º é esta abertura ao diálogo.

Chacate disse...

ABRIR ESTAÇOS DE DIÁLOGO É A NOSSA LUTA.

Reflectindo disse...

Quando a discussão está quente fica difícil esperar. Na verdade, ainda tenho falta de tempo para organizar o meu comentário, mas tenho que tecer algumas palavras sobre o que acho que pode nos conduzir à conversa. Eu concordo que o que nos possa levar a consenso, seja em primeiro lugar estarmos a discutir sobre os problemas do país e não de interesse meramente pessoal. Neste caso penso que a distância crítica sugerida por Elísio Macamo pode nos ajudar muito. O outro passo é o que Chacate escreveu: assumirmos que todos somos moçambicanos e queremos o bem de Moçambique. daí, precisamos de respeitar a legitimidade da opinião do outro e se possível pôr em prática desde que seja para o bem de todos. Aliás, Macamo também referiu-se disso. A questão é de como chegarmos lá. Precisamos de identificar as barreiras primeiro?

Entretanto, apesar de defesa intransigente de posições aqui na blogsfera, não estou muito certo que nunca chegámos a consenso e daí à conversa que Macamo sugere. Pelo menos, entre alguns interlocutores têm havido sinal de consenso nem que esse não (nunca) seja claramente expresso. Parece-me que muitos não se sintam autorizados a manifestarem consenso com o suposto lado oposto.

“Para mim a crítica é, na essência, um exercício de introspecção que tem como objectivo justificar o que faço e penso.” (Macamo)

Penso que o mais duro é este exercício, pois que muitos preferem manifestar a postura de “faça o que eu digo e não faça o que eu faço.” É notável quando discutimos sobre coisas concretas ou mesmo leis.

A propósito dos comentários no o País parecem-se um sinal de que entre muitos de nós moçambicanos já não nos entendemos. Só para ver-se, uma vez escrevi um comentário concordando com o que Armando Inroga, Ministro do Comércio, havia afirmado sobre os preços na quadra festiva. Inroga havia dado uma explicação puramente científica, a lei da oferta e da procura. E isso estava-se provando nos mercados de Maputo durante a quadra festiva. Mas para a minha surpresa, um compatriota que assina por nick CANSADO ECONOMISTA me chamou de lambobota. O mais contraditório é que ele interpretava-me muito bem, só que fiquei sem entender o que ele não concordava comigo. Questionei-me se ele defendia ou defende a reintrondução das lojas do povo e cartão de abastecimento? Acredito que não seja isso, mas que entre nós está sendo muito difícil para nos entender. Porquê será isto?

Abraço

Julio Mutisse disse...

Companheiros, o autor do texto que nos conduz neste debate vira comentar. Pelo que me informou, ele anda distante da internet por estes dias mas vira.

Chacate Makwero, espacos de dialogo nunca serao demais. Quantos mais conseguirmos abrir e funcionarem melhor.

Pelos vistos es matolense como eu. Pelos vistos, como todos incluindo responsaveis municipais da Matola, as lixeiras do Infulene e de Malhampsene te incomodam e a forma como se apresentam te preocupa. Isso eh bom.

Estaras recordado meu caro que, recentemente a Matola aprovou o seu Plano de Estrutura Urbana. A sua aplicacao vai permitir, ate onde ser, que o crescimento seja ordenado e, na melhor das hipoteses, corrigir desvios. Vai notar que o crescimento das nossas cidades no geral nao foi planificado. O aumento da densidade populacional, o surgimento de bairros de expansao nao foi acompanhado da planificacao dos locais para determinados servicos incluindo o deposito e tratamento de residuos solidos, etc. Mas ja se percebeu que as coisas nao podem continuar assim e, os jornais falam do nascimento de novos bairros, de estudos ambientais para a nova lixeira etc. As coisas acontecerao e todos somos chamados a ajudar.

Desconheco outras realidades que focas e excuso me de comentar.

Brother Refletindo heheheheh, entao aqueceu, vieste e vieste bem. O que acho eh que nos, muitas vezes, extremamos posicoes a ponto de parecer que os nossos pontos de vista sao completamente irreconciliaveis. E nao eh verdade. Mas a sensatez faz com que aproximemos posicoes e cheguemos perto uns dos outros. Nao sei se nao deveriamos despir a paixao para sermos mais sensatos mas, uma coisa eh certa, este texto oferece um excelente ponto de observacao que nos permite uma especie de orientacao para aquilo que deveriamos ser no debate de ideias.

Anônimo disse...

caro júlio e demais,
fico feliz com a discussão que o texto despoletou. não tenho muito a acrescentar senão reiterar alguns pontos essenciais do meu argumento. 1. a paixão por uma causa é que nos traz ao debate de ideias. se essa paixão nos impede de reconhecer a legitimidade da paixão dos nossos adversários, então dificilmente levaremos o debate a bom termo. 2. o bom termo do debate não é necessariamente que alguém ganhe a razão. é estar em condições de apreciar a legitimidade do que o outro diz sem, por isso, ter de abandonar as suas causas. 3. a agressividade na forma como debatemos vem muitas vezes da nossa incapacidade de apreciar devidamente as nossas próprias posições. infelizmente. há gente que vai ao debate já decidida a discordar mesmo antes de ter avaliado seriamente as suas próprias posições. há gente à procura de sinais (de que lado está?) para decidir se concorda ou não ignorando completamente os méritos do argumento.
termino com um reparo que pode provocar outra discussão. o debate precisa dum compromisso com o que o torna possível: a ordem democrática. o tipo de comentários que aparecem no país online faz parte duma posição do tudo ou nada que me parece muito nociva. os distúrbios ocorridos na sequência do aumento de preços são uma reacção normal. espanta-me, porém, que gente que se diz comprometida com a democracia não tenha a coragem de condenar a violência ao mesmo tempo que critica o governo pelas coisas que acham ter conduzido ao protesto. e uma curiosidade: como é meu hábito, antes de publicar qualquer texto que seja circulo-o por alguns dos meus amigos, sobretudo aqueles que me parecem abalizados na matéria. no meu último texto sobre os distúrbios de setembro criticava duramente o líder do mdm por ao invés de condenar a violência - como qualquer democrata devia fazer - apenas ter insistido na libertação dos que tinham sido detidos. só um dos meus amigos me aconselhou a retirar essa parte do texto, na circunstância um membro do governo!
abraços
elísio macamo

Chacate Joaquim disse...

Ya Mutisse, é um facto que estou preocupado com o meu bem estar, da minha família da minha comunidade, município e do país no seu todo. Sou Matolense sim e Mutisse sabe disso porque já me deu boleia para lá.

Falta de plano??? Os bairros de que estamos a falar forão projectados tanto que não há nenhuma construção não autorizada!

Em Malhampswen há pessoas que foram tiradas de certas zonas para lá por se considerar residêncial! Portanto, falta qualquer coisa mas plano não é... e disso que gostaria que as autoridades partilhassem com as populações afetadas só. E penso que isso não tem nenhum custo que possamos ivocar! É por isso que penso que falta comprimisso com a causa destas comunidades...
Abracos